Secrets
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Vingança dedilhada
Um dedo discreto, seja médio ou mínimo, sobrevive ao mundo. A preferência, a seleção do mundo, é que indique novas descobertas, com ousadia decisiva. Os dedos da moça sobreviviam também; as unhas sempre sorrindo, e uma força nas palmas que a tornava a melhor escolha de qualquer homem.
Coçando, ou num ato menor, um dedo faz o amor mexer-se tímido, feito bicho novo, sem pêlo, com ruído suficiente para fazer-se notado, numa existência bege, e aparentemente livre de qualquer morte. Ela o amava. O seu amor acontecia ao dedilhar. Se fosse mulher de força, golpearia aquele homem com a ponta do dedo, e o arrastaria para outro lugar. Parecia música; aparentava um soletrado inventado, um código tosco, murmúrio de pele, resmungo da carência “Por que você não me nota?” “Mas eu noto!” “Nem fala nada!” “Estamos no meio de uma palestra.” “E daí?” “Ah, Lúcia, adoro seus dedos, só que precisa ser mais discreta, porque minha mulher está logo ali!”
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