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A Lua e Eu
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APENAS O AMANHECER...
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Num canto,
Numa vila qualquer,
Qualquer lugar tem um canto,
Qualquer lugar tem um banco.
Um banco pra se sentar,
Um casal de namorados,
Uma pomba a bicar.
Em qualquer canto mora o amor.
Em qualquer canto mora a dor.
Preciso escolher um canto,
Um canto pra se sentar.
Escolho o canto do amor,
A dor deixo pra depois,
Se der tempo passo lá.
Mas o canto que mais gosto,
Tem perfume de jasmim,
Essa flor que mora em ti.
Que meu canto vai cantar,
Naquele canto, num jardim,
Doce flor que mora em mim...
Carlinha
* * * * * * * * * * * * * * *
Conta o acaso que vi,
Triste história do poeta,
Que falava tanto do amor,
Falava tanto da dor
E odiava a solidão.
Poeta morreu poetando,
Do amor só sabia escrever,
No amor da vida presente,
Nada mais pode fazer!!!
Carlinha
* * * * * * * * * * * * * * * *
Triste espera de quem vive,
O amor a esperar.
Olha a lua, olha o Sol
E não vê nada a brilhar.
Amor é feito semente,
É preciso germinar.
Se cresce no meio da seca
Não saberá brotar...
* * * * * * * * * * * * * *
Na Lua viajo sua rua.
Paro nas esquinas,
Pergunto onde você mora.
Vou além...
Nas quadras procuro os versos,
Assim não tem como errar.
Te vejo na janela,
Olhando as estrelas,
E os meus versos te inspirar.
Te chamo,
Te assustas no tempo.
Me olhas...
Acordas...
Foi sonho.
Mas estou aqui,
Nos versos a te mirar...
* * * * * * * * * * * * * * *
A boca cala no coração que sente.
Pressente a chegada do amor,
Se assusta com o medo da dor.
Mas nada nos versos,
Afoga-se em mágoas,
Guardando o desejo,
No fogo escondido,
Do amor, correspondido.
* * * * * * * * * * * * * * *
Na brisa você chegou,
Bem de leve, beijando-me a face,
Como quem não quer nada.
Transformas-te em vento,
Num vento forte.
Levou meu sonhos do passado.
No ouvido, só zumbido,
No canto do vento forte.
Hoje somos furacão
E ninguém fica no chão.
Na força do vento,
Encontramos o tempo,
Esse tempo presente.
Ausente é quem fica no chão...
No sopro do furacão...
* * * * * * * * * * * * * * *
Naquela barca, quantas vidas.
Nas estradas, tantos carros,
Nos carros da estrada da vida,
Vejo sua vida, vejo outras vidas.
Envolvidas em tantas vidas,
Mesmo antes dessa vida.
Na peça desse teatro...
Quantos personagens principais!
Nessa barca da vida,
Que o mar vem e carrega,
Em meio de tantas ondas.
Triste barca,
Barca da vida,
Agora exalam a própria dor
E sobrevivem na solidão.
* * * * * * * * * * * * * * * *
Entre um verso e outro,
Não sei mais quem mora em mim,
Se fujo da poesia, ela me encontra.
Se me encontro vivo na poesia.
Triste vida de um poeta,
Escravo dos seus versos,
Escravo da poesia,
Do poeta que mora em mim,
Da poesia sem fim.
* * * * * * * * * * * * * * *
Sinto um anjo incomodando,
Falando pros quatro ventos,
Que na boca calada,
Tivera que adormecer.
Num canto, num botequim,
Tempo antigo de um poeta,
Que cantava a poesia,
Lá na noite sempre em festa.
Os versos põem-se a falar
E esse anjo anda junto.
Vivo seus versos profundos,
Embalando nos meus sonhos,
Todo sonho deste mundo.
*
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