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4º cap

por anahicentraloficial em 24/02/07 - 22h:52m

4º cap


— Venha comigo, querida. Esses homens só pensam em trabalho. Imagine só, trabalhar num domingo ensolarado como este.

— Eu imagino que o sr. Palacios está sempre muito ocupado — Roberta falou, pensando que ele deveria ao menos ter perguntado pela filha.

— Está mesmo! E, do jeito que vai, logo não terá tempo sequer para respirar. Chegamos. — Ela abriu a porta e ficou olhando para Roberta com evidente satisfação. — Espero que você goste.

Era um quarto maravilhoso, decorado com suaves tons de rosa. Almofadas de cetim enfeitavam a cama, o tapete era macio e a colcha combinava com o papel de parede, muito delicado. Era um quarto adorável.

Sobre a cômoda havia todo tipo de artigos de toalete, inclusive um caríssimo jogo de escovas.

— O banheiro fica aqui. — A sra. Hall abriu uma porta, escondida no armário embutido. — Um banheiro particular, naturalmente — ela falou com orgulho, como se a casa fosse sua.

— É maravilhoso! Muito mais do que eu esperava, aliás.

— Ótimo. O almoço será servido em meia hora, mas tenho certeza de que verá o patrão antes disso. Enquanto isso vou providenciar um chá gelado para você.

— Muito obrigada. — Roberta sorriu, sentindo-se bem-vinda naquela casa, pelo menos no que dizia respeito aos empregados.

Assim que ficou só, sentou na cama, mal podendo acreditar em sua sorte e olhando em volta com evidente satisfação. O quarto e o banheiro eram maravilhosos. Só esperava que Lupita Palacios a aceitasse sem muitos problemas. O pouco que Teo havia revelado sobre a filha foi suficiente para Roberta perceber que precisava ser firme desde o princípio.

Lupita tiraria vantagens de qualquer sinal de fraqueza que ela demonstrasse.
Roberta tirou os sapatos e o casaquinho, feliz por ver que seu vestido não estava amassado. Estava muito quente e ela abriu a janela respirando com prazer o ar puro.

Assustou-se com o barulho de uma bandeja sendo jogada perto da porta. Voltou-se, e encarou Lupita Palacios.
Roberta sabia que tinha que ser ela, pois nenhuma copeira agiria dessa maneira.

— Tirei isso de uma copeira — a garota disse friamente, com os olhos verdes brilhando de raiva. — Ela não está aqui para servir você. Quero que saiba de uma coisa: você não é bem-vinda aqui.

Sim aquela era definitivamente Lupita Palacios, apesar de não lembrar em nada a figura simpática do pai. Os cabelos eram pretos e espessos, caindo até o meio das costas. Tinha olhos verdes e brilhantes, a pele queimada do sol e um corpo muito bem-feito para sua idade.

Será uma garota adorável, dentro de uns dois ou três anos, Roberta pensou, observando-a.

— Acredito que você se considere muito superior à pobre Mary, não é? Pois bem, no que me diz respeito, você está bem abaixo do empregado mais humilde desta casa.

— Guadalupe! — Uma voz ríspida e autoritária chamou-a com evidente desaprovação. Roberta não podia ver quem falava, pois ele ainda estava no corredor. — Vá para o seu quarto. Agora!

— Mas, papai... — Lupita protestou. — Eu não quero esta mulher aqui, você sabe disso.
"Papai?", Roberta pensou, preocupada. Aquela voz não pertencia a Teo Palacios. Mas, afinal, Teo nunca tinha dito que Lupita era sua filha. Pelo visto, ela havia tirado conclusões apressadas. Esperou preocupada que o pai de Lupita aparecesse. Ele não parecia nada agradável, pela maneira como falara com a filha.

— Você vai para o seu quarto imediatamente. Não vou repetir.

— Sim, papai. — Lupita voltou-se para Roberta e, com um último olhar cheio de ressentimento, saiu do quarto.

Roberta esperou, ansiosa para conhecer o pai de Lupita. Mas quando o homem alto entrou no quarto, ela sentiu que tudo escurecia à sua volta.

Aquele homem era o anjo mau de seus pesadelos infantis, o homem que ela jamais gostaria de encontrar. Teria reconhecido aquele rosto em qualquer lugar. Afinal, ele a tinha perseguido durante anos, noite e dia.

— Diego Bustamante... — ela disse, tremula.

— Absolutamente certa, srta. Reverte. — Seu sorriso era cruel.

Roberta sentou-se, ainda tremula. Olhava para Diego Bustamante como um ratinho devia olhar para o gato que o encurralava antes de comê-lo. Ele tinha um rosto cruel.Os olhos verdes fixaram-se nela com desprezo. A boca firme tinha um sorriso irônico, e seus dentes brancos e perfeitos contrastavam com a pele branca.

Roberta nunca o havia encontrado antes, mas sabia tudo sobre ele. Grego autêntico, ele era um corredor de fibra,depois de ter sofrido um acidente ficou amargurado.O pai de Roberta estava junto na hora. Aliás, foi depois do acidente que o pai dela passou a viver abertamente com a mulher de Diego.

— Meu... meu nome é Pardo, agora — ela o informou timidamente. — Meus tios me adotaram.

— Para poupá-la da dor e da vergonha dos pecados de seu pai? Só que uma simples mudança de nome não vai salvá-la de mim.

— Salvar-me de você?! — Ela estava muito assustada.

— Sim. — Diego Bustamante a feria com seu tom frio e cruel. — Eu sou grego. Roberta Reverte, e um grego jamais esquece um insulto ou uma maldade. Pode esperar anos pela vingança, mas sempre a consegue.

Roberta olhou temerosa para aqueles olhos que a fitavam com desprezo. Parecia ser um homem que não tinha paciência para qualquer imperfeição.
Sua aparência jamais seria esquecida por homens livres. O que teria feito o pai dela para conseguir roubar a mulher daquele homem? Roberta jamais poderia saber com certeza.

Tudo aquilo ainda conseguia magoá-la, depois de tantos anos. Seus tios tentaram lhe esconder a verdade, mas não podiam negar o fato de seu pai ter tirado a esposa de Diego quando ele não tinha condições de impedi-lo.

Roberta havia descoberto tudo sobre o comportamento do pai ouvindo as conversas de seus tios, quando eles não sabiam que estava por perto.

Os dois eram pilotos profissionais, e quando o pai dela conheceu a mulher de Diego Bustamante, apaixonou-se. Naturalmente, Paola Bustamante devia ter sido uma mulher muito volúvel, para abandonar o marido justamente quando ele mais precisava dela. Roberta sabia que seu pai havia prejudicado muito aquele homem. E agora ele ia se vingar nela.

— Eu... eu não tenho nada! — Roberta soluçava desesperada, pensando que Diego era milionário e portanto não ia querer dinheiro dela. Então, o que ele havia de querer?

A família Bustamante, da qual Diego era o cabeça, agora, sempre estivera envolvida com a navegação. Eram armadores conhecidos internacionalmente. Diego preferiu ser piloto de corridas, mas o acidente havia interrompido sua carreira.

Agora tomava conta dos negócios da família e, conforme Teo Palacios informara, também estava investindo no ramo de hotéis e turismo.

Ele jogou a cabeça para trás, com uma risada sarcástica. Roberta não pôde deixar de sentir a sensualidade que emanava dele. Era um homem atraente, que podia provocar inveja em qualquer jovem com a metade da idade dele.

— Eu não quero seu dinheiro. Roberta, mas você está certa: eu quero algo. Eu quero o que é meu por direito.

— Eu já disse que eu não tenho nada! — ela insistiu, balançando a cabeça, tentando livrar-se daquele pesadelo.

— Ao contrário, você tem tudo o que eu quero. — Sua voz tornou-se macia, enquanto seus olhos fixavam-se no corpo dela maliciosos. — Eu quero exatamente aquilo que seu pai me tirou.

— E isso é... — Ela engoliu com dificuldade.

— Uma mulher, Roberta. Eu vou fazer de você minha mulher.

CONTINUA.......