Estação das Docas - Belém do Pará
Viva Belém!
Cidade pomar
(Obrigou a polícia a classificar um adjetivo novo de delinqüente:
O apedrejador de mangueiras)
Estrada de São Gerônimo
Estrada de Nazaré
Onde a banal Avenida Marechal Deodoro da Fonseca de todas
as cidades do Brasil
Se chama liricamente, Brasileiramente
Estrada do Generalíssimo Deodoro
Nortista gostosa
Eu te quero bem.
Terra da castanha
Terra da borracha
Terra de biribá bacuri sapoti
Terra de fala cheia de nome indígena
Que a gente não sabe se é de fruta pé de pau ou ave
de plumagem bonita.
ME obrigarás a novas saudades
Nunca mais me esquecerei do teu Largo da Sé
Com a fé macinça das duas maravilhosas igrejas barrocas
E o renque ajoelhado de sobradinhos coloniais tão bonitinhos
Nunca mais me esquecerei
Das velas encarnadas
Verdes, Azuis
Da doca de Ver-o-Peso
Nunca mais
E foi pra me consolar mais tarde
Que inventei esta cantiga:
Bembelelém!
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero bem.
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