As ondas que balançam o meu barco
Hallo de novo, meus amigos. Cá estou novamente, depois de um bom tempinho do meu último post, para com certeza, terminar minha tao importante e, ao mesmo tempo, insignificante história.
Antes de retomar meu curso, quero acrescentar algo que non havia mencionado antes. Das grandes razoes que me levaram a voltar a escrever, uma das grandes tem a ver com meu cabelo. Bem, a necessidade de escrever isso data de muito antes de eu de fato fazê-lo, e, como tem muito a ver com uma homenagem aos meus amigos, decidi fazê-lo aproveitando que, devido a circunstâncias às quais chegaremos hoje, meu cabelo foi cortado. Exatamente porque meu cabelo cresceu, representando muito de meu orgulho, meus valores e decisoes ao longo de todo o espaco de tempo que descrevemos, até que eu o cortei, num gesto de grande valor ritualístico/simbólico em relacao ao que ele representou para mim. Assim que agora darei prosseguimento ao meu empreendimento.
No capítulo anterior de minha história, eu contava sobre meu intercâmbio e sobre muito do que ele mudou a minha vida. Como eu já havia dito antes, a 3 meses do fim de meu intercâmbio, eu terminei meu namoro. Jamais por falta de amor, mas espero ter sido claro em relacao ao meu estado de confusao no post anterior, entao, salvar meu amor terminando foi a decisao mais sensata que eu pude tomar no meio daquele turbilhao em que eu tinha a sensacao CLARA de que algo estava indo MUITO mal e que eu non fazia idéia de como nos ajudar. Mas mesmo separados, ainda mantive contato com Hermione. Mesmo que non podendo atender a suas necessidades como um namorado deveria, ainda a mantive informada do que me ocorria do jeito que eu pude. E foi com esperancas de poder voltar a namorar assim que o intercâmbio terminasse que eu voltei para o Brasil. Talvez de forma semelhante ao namoro, acho que esperei que minhas amizades e relacoes em geral também fossem voltar.
Dando uma rápida olhada na situacao geral dos meus amiguinhos no Brasil datando da minha chegada, observamos o seguinte:
Hermione era uma garota madura, que havia recém ingressado na UFMG no curso de Ciências Sociais, motivo de orgulho e felicidade para ambos nós, até porque eu havia parcialmente influenciado sua decisao de ingresso nesse curso. Depois de com certeza passar por muita saudade, aperto, confusao e esquisitices daquelas que em geral vc passa quando se namora um cara que passou pelo que eu passei, a uma distância de alguns milhares de kms, Hermione se jogou no curso, arranjou amigos, se empolgava com planos e viagens e se enchia de esperancas e planos, tanto para ela como para nós.
Paulo, pra variar, passava por uma fase complicada. Depois de problemas extensos relacionados à sua ainda recente separacao com Fenris, conseguiu finalmente, a trancos e barrancos, pisar no acelerador. Mas non por muito tempo, já que o boxe e a musculacao, que o faziam tao bem, de repente levaram seu dedo fudidamente tratado, dando a ele um presentao chamado tendinite, que alavancou seu estresse com o curso de Engenharia no qual havia recém ingressado.
Pólux...Por coincidência ou qualquer razao, após suas brigas com Paulo, Pólux se afastou dos Thunder Nerds, em parte ideologicamente, em parte por razoes inúteis de conjecturar. Se retirou para um asilo de Savassi, pizza, WoW e Dota, ou ao menos assim sua vida foi por muito tempo estereotipizada. Vou apenas dizer que estava bem afastado dele, embora ainda sentisse sua falta e ainda curtisse sua presenca.
Pikachu muito me havia ajudado durante meu intercâmbio, e se revelava um ótimo amigo, tanto pela sua Pika, como por sua experiência de intercâmbio também com seus problemas. Mas Pikachu no momento namorava, trabalhava, dirigia, estudava, e non era exatamente a pessoa mais disponível do mundo.
Tanto Krähe como Cloaka haviam recém ingressado em seus cursos de engenharia, e estavam em vias de tirar carteira. Cloaka levava Paulo a seu mundo, invertendo o que antes foi a "conversao nerd" em uma "conversao playson", enquanto Krähe se dedicava a suas bandas.
A galera da minha sala do SEBRAE fez algo bem homogêneo: formou sem mim e sumiu da minha vida.
Minha família...tinha saudade, mas vou abordar bastante mais durante o post em si que agora. Por agora, dizer que tinham saudade basta.
Enfim, idealizado como estava, fiz mil planos para meu retorno ao Brasil, e meu reencontro com as fontes de tudo que já dei valor na vida. Eu sabia a tempos que, no aeroporto, a primeira pessoa que eu abracaria até a morte seria Hermione, planejei Cruznadas, me preparei como pude para a viagem à Pica da Bandeira, me arrumei como pude para viajar com Hermione para Cabo Frio, e é isso aí. Tudo saiu de forma mais ou menos parecida com o planejado (embora eu tenha tido de fugir do abraco da minha mae no aeroporto e eu morra de dó disso até hoje).
O reencontro com a família, amigos e Hermi foi lindo e incrível, e rápido e emocionante. Eu non fiz nenhuma das Cruznadas, e só admiti que elas non iam acontecer...no ano seguinte xD
Durante essas férias, nas quais eu voltei, eu tive a impressao de que as coisas de fato estavam como antes, e que eu poderia lidar com tudo. Mas as pessoas iam percebendo facilmente, e vocês sabem e lembram, que havia algo bem diferente em mim. De alguma forma, minhas idéias non batiam muito bem, e eu non conseguia conversar fazendo muito sentido.
Comecadas as aulas de cursinho, eu meio que sabia que era meio foda voltar a me adaptar no Brasil, retomar minhas amizades, encontrar quem eu pudesse entender pra poder me entender e me ajudar a colocar as idéias no lugar, ao mesmo tempo em que eu estudava para o vestibular em 4 meses d prazo. Oh non.
Durante meu tempo no SOMA, eu conheci pessoas novas e legais, adorei várias pessoas, mas non consegui me concentrar em me entender e nem tampouco em encontrar, conversar e reencontrar minhas amizades. Embora eu encontrasse com Hermione ainda, de forma muito mais frequente que com qualquer outra pessoa. Hermione teve muita paciência comigo durante esse tempo, no qual eu estive super confuso, claramente confuso, e que eu me senti super carente de pessoas, amigos, compreensao, amor, entendimento, TUDO. Hermione me ajudou como pôde com tudo isso. Mais que QUALQUER outra pessoa nessa época.
Mas claro, entender o que diabos estava acontecendo comigo na época era uma tarefa muito difícil. Como sempre é difícil entender uma pessoa em qualquer momento de confusao, cuja compreensao depende de uma análise contextual. Mas foi muito difícil lidar principalmente com a pressao que meus pais, querendo ou non, sempre botavam com o estúpido bordao, mais tradicional que racional de: "você non está levando os estudos a sério."
É ÓBVIO que os estudos eram a coisa MENOS IMPORTANTE na minha vida na época, mas nem eu nem meus pais podíamos entender isso. Eu apenas podia sentir o quao idiota era pensar em estudar quando eu non conseguia tempo nem pra pensar no que quero da vida, quando non sabia nem quem eu era, nem onde estavam meus valores, meus amigos, ou eu mesmo. PRA QUE DIABOS estudar, se minha vida está totalmente desarrumada e nem definiu um rumo ainda?
Enfim, mais uma vez, palmas para Hermi, que estava do meu lado o tempo todo. E idealizando sozinha por mim, me ajudou muito, e planejou, quase sozinha, uma viagem para o Rio durante as férias, que muito me salvou. Queríamos inclusive viajar para o Pará se eu passasse no vestiba, e tínhamos muitos planos de poder fazer intercâmbios juntos se eu passasse nesse vestibular. Pra mim era muito óbvio, mas minha confusao só fez aumentar com a pressao dos meus pais, e com a pressao da retribuicao por tudo que a única pessoa que me ajudou de fato fez por mim. Era óbvio, e independente de eu ou os outros entenderem ou non, eu fui um LIXO nesse vestibular. Non passei nem na primeira etapa. O que jogou vários planos no ralo, mas lá no fundo, eu senti alívio.
Porque agora eu tinha o que eu claramente precisei: TEMPO. PAZ. FÉRIAS. O Rio com minha namorada foi uma viagem maravilhosa, cheia disso que eu precisava, e foi tudo que salvou nossa relacao que se desgastou muito pelo fato de que ficou muito tempo nas costas da boa vontade de Mione. Porque fomos livres, sinceros, amorosos e esperancosos. E pelo menos uma vez eu pude encontrar algum dos fatores que reenforcaram meus valores, depois de tanto tempo.
Eu me senti tao forte que inclusive voltei a estudar alemao, com o início do cursinho extensivo no Unimaster. Dessa vez, pensava, eu com certeza vou passar.
Antes de tudo, vou falar de algo que também comecou, tao breve o ano comecou:
Claro que, independente do que eu achava ou me convencia, eu ainda non tinha muitas idéias no lugar de novo e ainda non tinha nenhuma nocao de que mudancas eu tinha sofrido inconscientemente. Mas eu sentia efeitos, cujas causas eu desconhecia. E o mais importante desses efeitos era minha atracao por outras pessoas.
Minha primeira percepcao me deixou muito mal, porque independente do quanto eu tinha certeza de que non trairia jamais a pessoa que mais amava na vida, eu sentia atracao por outras garotas, uma atracao física, que muito me incomodou. PORQUE DIABOS ISSO? Eu non tinha razao nenhuma para achar meu relacionamento ruim, muito pelo contrário, eu devia muito à Mione por tanto amor, e eu a amava com todo meu coracao. Mas eu comecei a sentir isso, e esse importante sentimento ditou meu ano.
Eu me dediquei ao alemao, ao cursinho, à minha namorada e a tentar entender mais essa agora. Cadê meus amigos? Hoje eu me pergunto o mesmo, já que eu continuava sumido da vida deles, mesmo com tudo que eu relatei anteriormente rolando e se desenrolando.
Com o início do ano de cursinho, algo que non me escapou foram as "amizades de cursinho". De todas elas, acredito que...2 delas duram até hoje. Mas durante o cursinho, elas realmente sao ótimas pra sustentar nosso ego de vestibulando otário. E dentre os colegas, garotinhas legais e bonitas iam me incomodando, agora que isso me afetava como non me afetava antes no namoro. E quando isso comecou a me tirar do sério, e me tirar o sono, eu resolvi que precisava compartilhar isso com minha dupla dinâmica, minha companheira, minha namorada. E contei pra ela, que eu comecei a sentir isso, non sei porque. Que a amava muito, que non queria perdê-la, e que queria resolver isso com ela, como sempre resolvemos e enfrentamos todas as adversidades ao nosso namoro. Ela chorou muito, e eu choraria se entendesse whatthefuck e se conseguisse chorar, mas encaramos nosso sofrimento e analisamos 3 alternativas principais:
Término, para depois, quando a situacao estivesse resolvida, pensar em voltar. (fail)
Manter como estávamos, apenas tentando entender wtf e, se entendessemos, talvez resolvermos. (minha fé me dizia que nos desgastaríamos rapidamente e terminaríamos com raiva um do outro antes de alguma conclusao chegar)
Iniciar um relacionamento aberto (FAIL).
A essa altura, eu já tinha algumas idéias do que poderia ser meu problema. Eu imaginava que era um efeito negativo das mudancas naturais de um intercâmbio. Achava que minha cabeca estava aberta, e que, com a volta do intercâmbio, eu estava mais interessado em tudo, tanto em matérias, como em dancas, como em qualquer coisa mesmo, e que isso incluia, infelizmente, outras garotas. Achava também, que isso era nada mais que carência, e que meu medo de relacionamento com outras garotas (que permanecia vivo, desde o intercâmbio) aumentava essa carência, e que eu precisava, mais que beijar alguém, de non ter medo disso acontecer. Ou seja, de me sentir livre ao me relacionar com garotas, e non ter medo de ficar com elas. "Afinal, ficar com outras pessoas definitivamente non tem nada a ver com deixar de amar minha namorada. In fact, é plenamente possível amar mais de uma pessoa, e as pessoas merecem amor, pra que medo disso?". "Também, pessoas que passam por isso em geral ou terminam ou apenas continuam como estao e traem. A traicao é um recurso super comum no Brasil, e eu acho isso desprezível. Por que non encarar um relacionamento aberto até eu me acostumar comigo mesmo?"
Enfim, muita abobrinha MESMO, embora muito do que eu pensei faca algum sentido, simplesmente é complexo demais pra qualquer um tentar, quanto mais um demente como eu era. Mas foi minha proposta, e esta demorou para ser aceita. Foram vários argumentos pacientes com Mione até a gente tentar isso.
Durante meu primeiro semestre de extensivo, eu fiquei amigo principalmente de: Amiguinho, Boldo, Árabe, Albina, Lalá e Itaaaalian girl. Destes, acho que somente Amiguinho e Lalá ainda podem ser chamados de amigos, embora Lalá esteja totalmente desaparecida a muito tempo.
O segundo semestre no Unimaster foi marcado pela tensao completa. Minha proporta de abertura do relacionamento ia sendo aceita, embora mal interpretada constantemente, e eu definitivamente non tinha nenhum meio de ficar com ninguém ou descobrir nada relacionado a falta de medo em relacionamentos, afinal...QUE RELACIONAMENTOS, HEIM VESTIBULANDO???
Mas com certeza, havia uma constante tensao relacionada à teórica possibilidade de algo rolar. A definicao de relacionamento aberto que Mione aceitou por boa parte do tempo foi a de que estaríamos livres para ficar com "zé ninguéns de festas", daqueles que nunca mais veremos. Essa alternativa nada resolveria em relacao aos meus problemas, e non faz nem ao menos sentido de ser proposta, pois eu non sentia vontade de ficar com pessoas aleatórias. Eu non tinha vontade de "ficar". Eu sentia que deveria me entender melhor ao me sentir livre para ser eu mesmo e me descobrir num relacionamento sem tabus com outras pessoas. Claro que era uma péssima hora para solucoes em relacionamentos, já que eu dificilmente desenvolveria qualquer relacionamento. Mas eu non tinha condicoes de perceber nada, afinal, uma pessoa com cabeca totalmente alterada, dopada, confusa, com idéias erradas durante o vestibular non tem muita chance mesmo de entender wtf is going on.
Enfim, na segunda metade do ano, Mione tentava mais uma vez me incluir em sua vida e fazer nosso relacionamento parecer um relacionamento decente, mas eu simplesmente estava muito hopeless, e non pude fazer muito mais que empurrar com a barriga nosso relacionamento para reparar a falta quando passasse no vestibular. Entao, tentava apenas sair com ela sempre que possível, mesmo que as custas de sair com outras pessoas. Non por que ela me forcasse a isso, mas é o que minha consciência pesada por ser um inútil no namoro me mandava fazer. Entao eu deteriorava mais meus relacionamentos com meus amigos, enquanto tentava empurrar como podia meu namoro.
O estresse e tensao só aumentavam, imaginem: vestiba+namoro mal resolvido+relacionamento aberto+falta de amigos.
Eu sou ruim de matemática, mas sei que isso só podia dar em merda.
Vou citar aqui minhas novas amizades de cursinho: Anjinha, Kickboxer, Amiguinhas da XDGirl, Asterisco, Sauro, Pipoca, Loura, Fówsky, Maníaca e Sanguebao.
Algumas dessas pessoas ainda vao figurar na minha vida de novo, especialmente Asterisco, Loura e Sanguebao.
Chegando ao fim do ano, meu namoro estava mal. Mal porque por um ano, mal e porcamente atendi as expectativas de Mione. Menos que isso, a surpreendi e a fiz abaixar totalmente seu padrao de expectativa vindas de mim. Mas ainda estávamos juntos, no fim de nossas forcas para arcar com um relacionamento aberto e sua tensao implícita, especialmente no nosso caso tao pouco esclarecido. (nem de longe por falta de vontade, porém...)
Mas no fim das forcas, Mione investiu tudo que tinha pra ficarmos bem, ao mesmo tempo que eu fazia o mesmo, e tentava entao me resolver rapidamente em relacao a meu problema. Com a tensao e pressao que a situacao colocava, eu me enganei em relacao a minhas necessidades, e achei que a solucao para meu problema seria encontrada ficando com alguém, independente de como. E mesmo assim, me julgava mal por isso, e tinha vergonha disso. E combinando ambos fatores... Os esforcos de minha namorada em me encontrar e salvar a relacao iam diretamente de encontro a meus esforcos de me esconder dela enquanto buscava ficar com alguém para me resolver de uma vez e acabar com toda essa bosta. Foi esse medo, esse desespero de quem sente o cheiro do fim de um relacionamento no fim de uma longa e dolorosa batalha que levou ao que aconteceu. Eu fiquei com uma garota num sábado. Num sábado em que Mione queria encontrar comigo, como só poderia ser. Ela fez várias ligacoes para mim, e eu me caguei d medo de tudo. O estresse, o medo, a tensao de perder algo muito precioso justamente no esforco de salvar esse algo, me fez cometer meu primeiro grande erro. Eu menti para minha namorada, mesmo diante de sua desconfianca de que algo havia ocorrido. Ela acreditou em mim, com dificuldade, mas acreditou. E mal, muito mal, eu tentei me convencer de que esse mal foi necessário em prol de eu me entender e salvar o relacionamento no fim.
Parem e pensem que merda por mim.
Obrigado.
Porque está óbvio para vocês como non estava para mim na hora, que eu non descobri nada ao ficar com tal garota. Nada, digo, que minimamente ajudasse meu namoro. Na verdade, descobri apenas como é ficar com outra garota, e me confundir mais ainda.
Um ano depois da única coisa que me ajudou um pouquinho a me situar na vida (a viagem pro Rio), eu revertia a situacao e me perdia muito mais com esse ano.
Foi nessa situacao lixosa que meu ano acabou. Eu esperava, assim como Mione, que uma resposta (ou uma pergunta, ou um esclarecimento) caísse do céu, porque non fazíamos NENHUMA IDÉIA de como resolver a situacao mais. Haviam ainda tantos planos, mas eu non via como parar de machucá-la, e já me sentia super culpado e mal, e non queria piorar a situacao. Foi entao que, na virada do ano, com minha passagem no vestibular (yeeei....), com a volta dela de sua viagem, que terminamos.
Assim, foi pior que isso. Enquanto ela viajava, eu me sentia desesperado com a tristeza da situacao, e tirei o "namorando" do orkut, que foi a primeira coisa que ela viu ao voltar, e interpretou isso como decisao unilateral de término. Claro que eu me senti um merda quando vi o que rolou com isso (um merda pior), e aí comecaram os ciclos de conversas com a ex, para esclarecer os termos de término. E ela entendeu que eu a amava, mas non a queria machucar. E ela entendeu que eu non fiz isso por mal. E ela ficou sabendo que eu tinha ficado com uma garota (embora, oh embora, eu non tenha admitido que fiquei com ela no dia que ela me ligou várias vezes). E ela passou o mês de janeiro super mal, um mês horrível. E no ápice desse mês, ela me encontrou para uma última conversa, cujo tema consistia basicamente no fato de que ela non podia lidar com viver uma vida separada de mim com expectativas totalmente indeterminadas de poder voltar, sabendo que eu a amava. E eu teria de garantir a ela que non a amava, para que ela pudesse viver em paz.
Eu non pude fazer muito...embasbacado, sem respostas pra dar...Eu non podia mentir que non a amava, pois a verdade era inegável demais para ser mentida. Mas dizer q a amava sem ter resposta alguma a mataria d dor, e non há dor maior que machucar quem você ama (eu achava, ao menos). Foi nessa conversa que eu busquei, e como quem busca, achei uma resposta para dar. Busquei, e nas palavras sobre determinacao e forca de vontade, creí ter reencontrado meus valores a tanto tempo perdidos, desde meu intercâmbio. E propus entao pra ela, que voltássemos a namorar, buscando uma conciliacao no ano novo, sem vestibular, acreditando que forca de vontade nos manteria juntos de novo. Ela aceitou.
Isso com certeza merece um poema, quao belo foi nosso esforco de nos encontrarmos, de semearmos novamente nosso amor machucado, em meio a um ambiente tao hostil. Mas non havia como...A forca de vontade podia dar conta da minha necessidade de outras garotas, mas non de minha carência emocional, de minha necessidade d ver amigos e de reencontrar meus valores, fundamentais para um relacionamento e vida saudáveis. A forca de vontade precisa de fundamentos, sem eles ela simplesmente nos enche de desespero e estoura como um balao que se encheu só com ar. E Mione esperava de mim vontade, esperava alguém que pudesse organizar sua vida bem, que pudesse participar da vida dela, cheia de planos, morando longe, com viagens, ganhando dinheiro, buscando emprego e tendo carro. E eu tentei, de fato, lidar com tudo isso. Mas as pequenas pressoes do dia a dia, mesmo nas férias, nos corroíam. Mas dentre esses fatores, havia um que corroía especialmente. Eu havia ficado amigo de Asterisco. E ainda falava com ela, e sabia de sua vida. E me simpatizava com suas dificuldades, e com sua coragem e forca de vontade. Eu sentia necessidade de ajudá-la numa fase que ela obviamente precisava de amigos. MAS, no desgastante ano anterior, o relacionamento com Asterisco inspirou sérias dúvidas em Mione, que basicamente...proibiu que nos encontrássemos (se eu quisesse encontrar com ela, eu era livre, como era livre para terminar com ela. Por mais sentido que houvesse numa namorada exigindo afastamento do namorado em relacao a uma garota que inspira desconfianca nela...Eu achei puramente revoltante essa reivindicacao, já que eu tinha uma amiga em necessidade e estava NEGANDO ajuda a ela por um capricho do namoro. Foi um sério embate entre respeito ao namoro e respeito aos meus valores. E foi daí que veio a decisao mais imbecil da minha vida.
Si, nos momentos finais e mais desgastantes de meu namoro, num dos poucos encontros que consegui ter com Asterisco, mentindo sobre todos para Mione, eu fiquei com Asterisco. Foi uma decisao puramente imbecil. Foi uma decisao de birra e revolta, esperável de um adolescente mimado de 15 anos, mas totalmente desaprovável quando tomada por mim.
Dois dias depois, eu terminei com Mione. Era claro para mim, depois dessa merda, que eu non estava estável o suficiente só com a forca de vontade, que ela falhava se non podia se basear em ideais, que eu estava indo em direcao de MAIS MERDA, simplesmente, e eu NON QUERIA machucar Mione. Non queria mesmo.
E conseguimos terminar, a princípio, de uma maneira madura e mantendo a dignidade. Mas acho que àquela altura eu já tinha tanta merda na cabeca que deixei passar como "com dignidade" mentir sobre a traicao que cometi. E eu fiquei sinceramente feliz e leve quando terminei. Desprezível ou o que for, eu realmente me senti bem por admitir o que busquei non olhar por tanto tempo, que era minha incapacidade de lidar com meu namoro, e que a amava, mas que por isso mesmo precisávamos nos afastar, pois só independentes um do outro poderíamos chegar às respostas que precisávamos.
E foi assim que chegamos ao segundo fim de nosso namoro.
E se até agora eu tive muito caos, agora eu conto a história do QUE É CAOS.
O que a princípio pareceu um término saudável, nem d longe se desenvolveu como um. Encontrar com Mione era algo possível. A gente trocava algumas palavras, evitava um pouco de ver, para dar um tempo, e esse tempo comecou a se tornar cada vez maior. E com o tempo, eu percebia que minha presenca trazia memórias ruins e dores para ela. Mesmo sendo amigos, eu non poderia mais saber da vida dela, non poderia mais me envolver com a família dela, non saberia mais de sua mae e pai, non saberia sobre sua irmazinha que queria girafinha...Aos poucos ia me caindo a ficha de muitas coisas que eu perderia, que eu non percebia terem relacao com estar ou non namorando. Eu pensava que non precisava namorar ela para poder amá-la e à sua família. Esse semestre da minha vida foi altíssimamente complicado.
Ao passo em que ingressei finalmente na faculdade, conhecia novas pessoas, futuros companheiros de curso, e comecava a ingressar nas atividades da facul, estudar espanhol e tentar organizar minha vida por fora, ainda saía com Asterisco, com MUITA dificuldade, e tentava lidar com a cada vez mais ausente físicamente e presente espiritualmente Mione.
Asterisco se envolveu muito rapidamente comigo, e com muita dificuldade, dificuldade que só o André que alguns conheceram poderia querer enfrentar. Dificuldade com tudo, que o André que acreditava ser heranca do intercâmbio seu amor incondicional por todos e a necessidade de se dedicar integralmente a todos, sentia como na obrigacao de enfrentar com o louvor de um melhor amigo. A relacao à distância ganhava cada vez mais a complexidade, complicacao e dificuldades de um avancado namoro. E as dificuldades combinadas em lidar com Mione sumindo da minha vida e me matando de melancolia por me descobrir como um elemento causador de dor na pessoa que eu mais amava, e com meus compromissos autoimpostos para com Asterisco sugando minha vida enquanto eu convencia a mim mesmo de que iria tudo dar certo...Essa combinacao foi quem me nocauteou totalmente durante o ano. Meu rendimento definitivamente non foi dos melhores na faculdade muito em razao disso. Era tudo muito novo, e o que havia de antigo eram pesadelos, e sonhos com LSD (boas lembrancas que, em meu desespero, soavam como pesadelos).
Mas eu refletia muito, e nos pouquíssimos encontros que pude ter com Mione, falei merda ainda confuso, quando non devia, e esse foi o passo final para que todas as minhas aproximacoes posteriores tenham sido carregadas de medo destilado e trauma de pisar em merdas que já caguei. Eu fui aos poucos ficando paranóico com tudo que eu pudesse fazer ou falar, e tinha medo de falar com ela, tinha medo de perdê-la pra sempre por non falar nada. Sentia que me resolvia em meus sentimentos, mas a lembranca de já ter achado isso no início do ano e ter trazido, com isso, mais sofrimento pra ela, apenas me impedia de dizer o que sentia.
Foi nessa época que eu decidi pela primeira vez na vida, CONSCIENTEMENTE, PISAR NA MERDA FUNDO. E eu, desprezível como me sentia, sem esperancas pra mim, nem tampouco pra oferecer a ninguém, decidi que o melhor que eu poderia fazer era SUMIR da vida de Asterisco. Coisa nem um pouco fácil, pra alguém que cobrava de mim como uma namorada, antes d admitir que era minha amiga. Era uma pessoa confusa e carente, assim como eu, e non sabia o que sentia, embora também soubesse de sua própria confusao. Por isso mesmo pensei que a última pessoa que ela precisaria seria de MIM. Uma pessoa tao ou mais confusa que ela, sempre pronto pra arranjar mais confusao e merda pra própria vida, tanto mais pra dela. E entao, sem dizer nada, sumi. E nunca mais falei nada. Porque se eu agir como uma pessoa desprezível, talvez eu seja desprezado, e eu sentiria imenso alívio ao ser desprezado. Non que isso tenha acontecido, tanto que até hoje Asterisco insiste em conversar com meu silêncio. E se ela acha que essa é minha punicao por ser desprezível, aceito a punicao, mas non voltarei a me comunicar. Exceto através do silêncio.
E entao, livre de um dos problemas (si, sou desprezível), me concentrei no que pude. E me sentia cada vez pior, e minha confusao me levava a colocar toda minha vida em evidência. "O que eu poderia fazer para me redimir? O que eu poderia fazer para poder voltar a falar com Mione? O que eu poderia fazer para falar com ela sem trazer merda pra ela d novo? O que eu poderia fazer para me salvar?"
Eu coloquei tudo em evidência. Minha opcao sexual, minha vida, morar no Brasil, meus amigos, a Mione, minha personalidade, minha faculdade, meu curso, meu estilo de vida...
Claro que foi o profundo medo pelo qual passei que me conscientizou de tudo isso. Só ele sendo pior que todo aperto pelo qual passei na vida ele poderia vencer meus traumas de intercâmbio. Foi ele que me conscientizou de todas as bostas que entraram na minha cabeca, e de como minha "cabeca aberta" era só carência extrema, medo e confusao completa. Foi ele que me trouxe algumas certezas, como a de que eu preferia morrer antes de fazer algumas coisas, como: Recorrer à igreja para me salvar do meu sofrimento (que eu non sou otário de me contradizer tanto em tudo que me faz sentido), e recorrer às drogas (pelas mesmas razoes). Já diziam que a igreja é o ópio do povo, e pra mim isso é quase literal.
Essas certezas foram as que me enviaram rumo ao meu passo final. Eu tinha certeza de que eu havia resolvido a maioria dos meus problemas que avacalharam meu namoro, tinha certeza de que amava a Hermione mais que tudo, e tinha certeza de que non abandonaria nenhuma das coisas que citei (ou pelo menos non deveria) em razao de medo de agir. E entao, escrevi 5 páginas de carta para ela, contando TUDO que eu sentia sobre ela e minhas conclusoes pós término. Foi a aproximacao mais esperancosa que eu pude ter desde o término. Depois de receber minha carta, ela combinou de encontrar comigo para conversar, e esse foi o melhor momento que tive.
Um dia antes de encontrar com ela, conversei com Paulo por msn. Paulo tinha idéias muito loucas e extremadas, em minha opiniao, acerca da sinceridade de sua namorada. E discutimos muito sobre isso, e apesar de eu ainda achar que ele se expressou de maneira extremamente exagerada e tosca, suas palavras sobre sinceridade me tocaram do que todos vocês já sabem. Eu menti para Hermione, traí sua confianca.
Trair a confianca de alguém é algo horrível, pois a pessoa que confiou suas costas para você sente que você basicamente blasfemou tal confianca com uma facada nas costas.
E eu decidi que, se eu estou retomando minha comunicacao com ela em pratos limpos, non importariam as consequencias, mas eu TERIA de contar as duas verdades fatídicas que ela, por confiar em mim, ignorou. Eu tenho certeza de ter tomado a atitude certa ao contar isso pra ela, mas non há decisao que tenha sido mais dolorosa em toda a minha vida. Hermione me amaldicoou. Depois de toda uma conversa esperancosa e bonita, em que pude sentir que finalmente estávamos nos entendendo depois de muito tempo, muito tempo MESMO (mais de 2 anos), foram essas minhas mentiras que a fizeram me odiar, amaldicoar e desejar pelo meu sofrimento.
E mesmo sem eu poder explicar o que me levou a cometer tais merdas, até porque eu non poderia explicá-las em meio a tanto esforco só em confessar coisas tao inconfessáveis, em meio à dor de ver a dor que nela causei. É, eu havia me ferrado no dia em que traí a confianca dela, mesmo que eu tivesse me exaurido no puro esforco de manter minha vida e meu relacionamento bem. Na vida, non importa o quanto você se esforca, haverao momentos em que você baterá a cabeca feio. E é preciso, mais que o treino para non bater a cabeca, a preparacao para QUANDO você bater a cabeca. E isso é só mais uma das muitas coisas que eu SIMPLESMENTE non estava ciente no meio de confusao, medo e carência extremas.
Legal é que isso era o fim de semestre, e as notas (totalmente já em segundo ou terceiro plano de importancia na minha vida) sofreram um lastimável baque com isso.
A fim da discussao gerada por minhas revelacoes, eu ouvi o que me marcou e que me levou a grandes reflexoes. "Você non vai mudar, você é muito orgulhoso para isso".
Minha dor chegou num nível tao alto nesse dia que eu quebrei finalmente o encantamento ruim que recaía sobre mim e chorei. Chorei na FAFICH depois de Mione ir embora para nunca voltar. Chorei no ônibus. Chorei praticamente todos os dias conseguintes. Non pude evitar, ao perceber que machuquei horrivelmente a pessoa que mais amo, e que nada podia fazer além de piorar sua dor. E me revoltei com a injustica da situacao. Como um casal tao legal como nós podia terminar desse jeito? É ultrajante.
Mas esbravejando, revoltando, odiando, amando, chorando, eu continuava impotente. E nada q eu fizesse poderia ter qualquer efeito nisso. As pessoas diriam: LET IT BE. Deixa ir, vive sua vida. "El doctor de la nostalgia, por festero me recetó. Para la gripe del alma, Vodka, Amigos y Rock´n´roll." Isso era provavelmente tudo que eu precisava. Mas ainda me matei com mais aulas inúteis. E por fim meu semestre acabou, com eu horrivelmente triste, pra morrer bastava gritar e me xingar. E de dor, eu cheguei a ter certeza que morreria, pela pura agonia. E fiz mais algumas merdas desesperadas, ao, mesmo constatando incapacidade de escrever algo linear e decente explicando a situacao para ela, mandar uma compilacao de textos mal escritos por email. Eu sabia que devia era esperar o pior ou qualquer coisa acontecer. Mas quando eu achei que ia morrer anyway, non me importei em cometer essa merda. E mandei os textos, e pensei que agora que me resolvi com isso, nunca mais iria pensar em morte (nunca quis me matar, apenas concluí por vezes que non teria forcas pra viver e morreria mesmo sem querer).
Dia seguinte, noite, primeiro dia que pensei que poderia tentar viver, recebo a resposta em forma de dois textos escritos por uma garota linda, que alimentou esperancas tao altas, que viveu momentos tao bonitos, e que por fim, chegou ao fim da batalha, mostrou duvidar, e que queria agora, acreditar que non havia no que acreditar em todo o tempo de namoro. Que no fim, foi tudo uma grande cena, que era tudo obviamente patético e que non via mais esperanca em namoros. Essa era a declaracao de corte de relacoes completo da pessoa que mais me amou e que mais amei. Foi um momento de completa falta de esperanca e mostra de descrenca em tudo. Ela perceptivelmente mostrou um nível de confusao semelhante ao meu em meus problemas. Mas a confusao de quem foi a vítima.
Após minha resposta a isso, que finalmente conseguiu expressar algo que eu pensava, eu obtive uma resposta direta dela, com dor mas com apenas um suplício de tempo para que as coisas possam se curar e eventualmente voltarmos a nos falar.
E me satisfiz com isso. Que mais fazer, quando todas as tentativas de melhorar a situacao apenas pioraram tudo?
Claro que foi aí que comecou minha atual jornada de buscar sentido na melancolia de existir rodeado de Hermione sem poder amá-la nem me comunicar sinceramente a respeito. E foi aí que pensei que eu precisava de um sinal forte de um recomeco sério, uma real reavaliacao de todos os meus valores que me trouxeram até àquele ponto. E isso foi encontrado ao cortar meu cabelo. "Você non vai mudar, você é muito orgulhoso pra isso".
Eu pensei entao que se havia algo que representa todo meu orgulho de quem eu era e de meus valores, isso era o meu cabelo grande. Meu cabelo true black metaller, que eu morreria para proteger e para só cortar quando chegasse no meio das costas. Esse cabelo eu cortaria, non para sempre, mas como um renascimento. Pois assim como eu eventualmente voltaria a crescer e aprender, meu cabelo voltaria a crescer, e dessa vez, tanto eu como ele, cresceríamos com o aprendizado obtido até o fim de valentes guerreiros que deram tudo de si e ainda assim morreram agonizantemente. E me lembro desses valores antigos, que bem cuidados, ainda podem fazer muito sentido. E lembro da árvore que esculpi no meu intercâmbio, na época como uma homenagem aos judeus mortos no campo de concentracao, mas pensando nos valores das árvores, pois as árvores morrem de pé. E meu orgulho também morreria de pé. Orgulhoso por ter sido o melhor que pôde ser, mesmo tendo no fim, errado tanto como poderia ter errado.
E essa é minha vida atualmente. Estou cursando 6 matérias atualmente, comecei a treinar Kung Fu, estou planejando minha independência financeira e posteriormente, minha vida. Recomecei meu processo de obter a carteira d motorista, comecei definitivamente a procurar informacoes sobre trabalho, e agora sigo em frente, mesmo que cambaleante de dor. Porque independente da forca de minha resolucao, ainda preciso RESOLVER meu grande problema. E ainda non sei fazer nada diferente de escrever para conseguir me sentir livre para voltar a me comunicar com Hermione. Seja lá o que o futuro reserva, um presente sem conseguir nem olhar em seus olhos sem me sentir desprezível non faz minha vida nem um pouco invejável ou vivível.
E esse é meu desafio. Independente de tudo, quero que meu único trauma tenha a ver com mentiras agora. E que meu preco seja encarar as consequencias de qualquer verdade da minha vida.
Talvez esse post tenha incomodado mais pessoas que só eu e todos os citados. Mas independente do incômodo, escrever isso e me prostrar para julgamento diante de todos é tao indispensável para mim como minha vida. Como já teve de passar Chocolove por essa fase de redencao de seus crimes, também aceitarei meus crimes e exporei meu coracao ao julgamento de todos.
E é isso, muito obrigado a todos por serem a única grande razao para que eu queira existir ou que eu veja sentido nisso.
Obrigado a todos, e sigamos vivendo!
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