17/01/07 - 20h:16mDenunciar

Vida louca é loucura!

Vida Louca é uma frase um tanto estranha. A vida precisa da loucura, mas a loucura não precisa da vida. Você pode simplesmente morrer loucamente e passar de Vida Louca para "Morte Louca", sem perceber. E um dos grandes problemas é esse, não perceber. Quando percebe-se talvez já possa ser tarde para arrependimentos. E é difícil entrar em um jogo de tudo ou nada, percebendo que o Game Over é verdadeiro e não há chances de voltar atrás.



Mas isso não foi o que pensou Gustavo, Fabrício, Vitinho e eu, em Mangaratiba. Quando ambos estávamos com a idéia de querer subir no morro - lá para onde a seta amostra - e chupar cana lá em cima. Pra quê? Bem, vida louca, né?!



Iludidos com uma tal trilha no morro, lá fomos nós subindo-o com cana e tudo na mão. Nada nos detia, não olhávamos pedras soltas e traiçoeiras, matos escorregadios e muito menos a altura, queríamos era chupar cana no morro.



Até que no decorrer da subida nosso juízo começou a acordar de seu sono profundo e nos alertar. Aquilo realmente não era uma boa idéia. Mas agora já estávamos lá, e voltar atrás que não seria uma boa idéia. Mas de qualquer maneira, ninguém queria mais subir, queríamos agora era descer. Foi aí que surgiu o brilhante plano: "Vamos subir mais, até achar a trila e por lá descemos seguros". E lá fomos nós subindo cada vez mais a caminho da trilha.



Até que chegamos nela. Rapaz, tamanha decepção foi chegar na maldita trilha e ver que na verdade não era merda de trilha nenhuma, era apenas o caminho por onde a chuva passa no morro, nada mais. Em baixo era só pedra, estávamos em uma altura de 12 metros mais ou menos e não estávamos em trilha nenhuma. Estávamos presos. Foi aí que tivemos outra brilhante idéia:"Subir mais, até achar uma trilha de verdade". Sem muitas opções, seguimos novamente o plano suicida.



A essa hora todos já estávamos refletindo milhões de coisas. Estávamos tensos. A cada mínima escorregada de um de nós já era motivo o bastante para refletir todo aquele momento e rezar mais de 15 orações diferentes. E é incrível como nessas horas lembramos tanto de Deus. E pode até ser que por essas lembranças, orações e reflexões que nada de errado tenha acontecido. Sabe-se lá.



Até que chegamos ao limite, não havia mais para onde subir. Estávamos a uma altura de 30 metros já, mais ou menos. Já estava ficando perigoso de mais e a altura só aumentava. Nessa hora tivemos que tomar uma decisão crucial: ou continuar subindo para achar a trilha ou descer por onde subimos. Resolvemos descer, o que não era tão fácil. O caminho por onde subimos não era muito confiável para descer, já estava frágil. Mas sem opções, lá fomos nós com a bunda no chão, enfim descendo.



A descida foi bem mais tranquila que a subida. Não estávamos nem um pouco preocupados com nossas bermudas ou ferimentos nas pernas, queríamos era descer com vida e isso nos ajudou. Descemos bastante até que chegamos na última parte, naquela primeira falsa trilha. Abaixo dela era só pedra, não havia como descer por ali e então o desespero voltou. De lá podíamos ver o mar e toda paisagem, mas isso não importou a ninguém, obviamente. Ainda com a cana em mãos - Lembre-se, foi por causa delas que subimos - dei a idéia de pararmos para comê-las, afinal esse foi o motivo da subida. Mas ninguém queria comer cana numa hora daquelas, todos queriam era acabar logo com aquilo. O que realmente era o mais sensato a se fazer.



Acabou que conseguimos achar outro caminho para descer, diferente do que subimos. Glória, conseguimos descer! Estávamos um pouco atordoados ainda, mas agora já estávamos seguros. Embora ainda nem tanto. Na afobação de descer correndo, avistamos um valão de uns 4 metros de profundidade, bem em baixo do local que descíamos. Se descêssemos correndo, era lá aonde pararíamos. Mas enfim, desviamos do valão e chegamos na estrada. Terra firme, graças à Deus.



E no final de tudo, estávamos renovados, imundos e felizes. Paramos na estrada, de frente para o morro, e comemos a única cana que sobrou das três que subimos. A melhor cana que todos nós já comemos em nossa vida. Ela tinha gosto de vitória, e até nos limpou por dentro. Passava carros e mais carros e nada nos importava. Comemos a cana e ficamos olhando para o morro por um bom tempo. Até que resolvemos voltar pra casa e fingir que nada tinha acontecido. Pois em breve seria Ano Novo e teríamos que nos preparar e agradecer por estarmos vivos por mais um ano, mesmo Vivendo Loucamente.



(* Esse texto está na promessa a um bom tempo, então achei importante fazê-lo logo...Esse dia foi louco!!!)



Notícias Bananinha Information: Daqui a pouco eu devo estar tomando esporro por causa desse texto...Mas pouco me importo. Isso não pode mais ficar só na memória de nós 4..A memória humana não é muito confiável!..Fuis-mes

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