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Entrevista com Batista - Parte 3
por batistalimaocommel em 26/12/05 - 15h:02m
Entrevista: Fábio de Souza - 17/10/2005
12- Essa humildade que vem dentro de você e demonstra ter, explica um pouco desse admirável sentimento?
Batista: É que você não conhece meu pai (risos). É de família né. Fomos criados no Mercado Central, meu pai vivia na barraca, e tínhamos que sair vendendo os produtos. Edson Lima chegou a vender jogo de bicho. Crescemos tendo contato com o público, com o povão. Me lembro que o percurso de nossa casa até a feira era de 15 minutos andando, mas meu pai levava 1 hora e meia, pois cumprimentava e falava com todo mundo. Meu pai falava a todos nós que se passássemos no meio das pessoas sem falar Bom dia, Boa tarde ou Boa noite era falta de educação.
13- Devido a atenção e carinho que sempre quer dar aos fãs, isso de alguma forma já criou problemas com os seguranças durante os shows?
Batista: Já discuti com muitos seguranças pelo Brasil, a Ângela sabe disso. Não gosto de vê-los maltratando as pessoas, empurrando senhoras, crianças. Claro que estão sendo pagos para isso, mas agredir é diferente. Isso acaba sujando a imagem da banda, tanto que não temos segurança. Nesse tumulto as vezes as pessoas acabam se machucando e acham que são os nossos seguranças. As vezes os seguranças não deixam eu chegar perto do público, mas sempre dou um jeitinho.
Tanto que uma vez em São Luiz, num show que tinha mais de 50 mil pessoas fui indagado pelos organizadores do evento se era isso que queria fazer mesmo, já que outros artistas que passaram por lá, acabavam o show e iam direto para o ônibus, devido a grande quantidade de pessoas. Mas insisti, os seguranças reservaram um espaço e atendemos o máximo de pessoas. Sou sincero pra você de coração; Se não atender os fãs me sinto mal, a Ângela sabe disso.
As vezes quando temos 3 shows por noite, e só consigo atender 20 ou 30 pessoas, fico pensando depois se atendi bem esses fãs, tipo se não deixei ninguém falando, coisa e tal. Me preocupo bastante com isso, é uma coisa que não sei explicar. O Ailton sempre diz quando chegamos na banda que a estrela é o público, e que na banda não há estrela. Ele diz que o nosso único objetivo é agradar o público.
14- Presenciamos num dos seus shows, a invasão de um fã no palco te agarrando pelo pescoço enquanto cantava. Essas loucuras acontecem ? O que você sente na hora?
Batista: Nos pega de surpresa. Já tive tantas surpresas. Nessa ocasião estava cantando quando senti um peso no meu pescoço. O segurança veio e eu fiquei preocupado pois ele estava muito agressivo, tanto que eu acenei para ele para que parasse, pegasse leve e apenas retirasse a pessoa do palco. Teve uma vez que uma menina enquanto estava cumprimentando a galera mordeu meu dedo de ferir e ficar inflamado. Outra vez um fã sem querer bateu a cabeça no meu supercilho e levei 4 pontos. Tive que ser atendido no pronto socorro, mas mesmo com muita dor de cabeça, fiz o show.
15- Apesar de sempre estar calmo, há momentos em que o Batista Lima fica estressado, e estoura?
Batista: O pessoal diz que sou o cumulo da calma (Ângela diz que quando pisam no calo de Batista, sai de perto)...risos... Mas o motivo que me faz estourar é a banda, pois está no sangue. Quando ouço alguém falar mal da banda, ou algum integrante dizer estar insatisfeito ou falando mal ficou louco.
16- Quais são os momentos que você não gosta de lembrar, que viveu dentro da Limão?
Batista: Já aconteceu vários, principalmente no inicio, onde tínhamos que esperar o OK dos empresários para que se desse para tocar tudo bem, caso contrario não haveria apresentação. Ouvimos absurdos, tipo de que para chegarmos aos pés de muitas bandas estava muito longe ou nunca iríamos chegar, ou desistam, a Limão é uma bandinha, vocês tem que pagar para tocar, etc...Ficávamos tristes, mas Ailton Souza dizia ‘fé em Deus’. Mas o bom disto, é que hoje em dia ajudamos essas pessoas, e não é pelo mal que nos fizeram é que vamos devolver o mal. Temos que ser pessoas bonitas diante dos olhos de Deus, e esse é o intuito da Limão com Mel.
17- Algumas pessoas criticam o novo forró, afirmando que as melodias que as bandas tocam não é forró. O que você acha disso?
Batista: O Brasil é imenso e tem espaço para todas as bandas e ritmos. Essas pessoas que dizem que não é forró, esquecem das mudanças que também aconteceram no Pagode e Sertanejo. Fundo de quintal não toca o mesmo pagode de Só pra contrariar. O sertanejo de Tonico e Tinoco não é o mesmo de Zezé di Camargo e Luciano.
Assim como tudo em nossa vida, existe a necessidade de evoluir, ficar moderno. Se o forró tivesse parado na onde parou, nossos filhos não conheceriam o forró. Mas o importante mesmo é que você faça seu trabalho e nunca se esqueça da raiz do forró, criada or Luiz Gonzaga.
18- O que você acha do boato de que a banda teria feito um pacto com o demônio, a partir do cd acústico? Comente sobre isso..
Batista: Isso não vem acontecendo só com a gente, basta o artista estar no auge para que os boatos comecem a aparecer. Esse boato surgiu na Bahia, através de pessoas que queriam prejudicar a imagem da banda. Mas não conseguiram, pois a mentira só dura enquanto a verdade não chega. Uma pessoa do interior da Bahia teria escutado e espalhou o boato, chegando a ser publicado até em sites. O cd foi gravado a 3 anos atrás. O interessante é que a banda tem vários evangélicos, católicos. Tanto que quando contei essa história ao meu pai, ele disse: “Meus filhos são de Deus, são de Jesus, que conversa é essa, pelo amor de Deus”. Meus pais fazem parte da Igreja, participando das missas.
Ficamos tristes com tais boatos e os comentários maldosos a respeito, usando como base um trabalho que foi feito com carinho.
Só que o interessante, é que eu fiz a produção e o cd foi gravado em estúdio. Aquele público que está falando e aplaudindo, aquilo tudo foi colocado por mim e pelo operador de som, que tiramos de um show acústico internacional. Como alguém vai entender palavras em português, se as pessoas que estão conversando são inglesas. Interessante né, a mentira tem perna curta. Mas as pessoas estão percebendo que isso não existe e que somos pessoas de Deus. Esses artistas que fazem pacto duram 1 ou 2 anos e depois vão embora. A Limão tem 12 anos graças a Deus. Se tivéssemos pacto, não estaríamos tanto tempo na estrada.
19- Quero agradecer esta entrevista em nome de toda a nossa equipe,e o carinho que demonstram ter pelo site, e estamos a disposição de vocês !! Muito obrigado..
Batista: Contem com agente, o que precisarem, estamos de portas abertas. Eu estou sempre ligado no Portal Forrozão, sempre que estou no hotel, acesso para ficar por dentro das novidades. Isso é bom, pois vocês estão valorizando o forró, levantando a bandeira não só em São Paulo, mas o Brasil inteiro visita o site, e sempre que vamos aos shows, escutamos as pessoas comentarem as matérias publicadas.