ASSUNTOS ALEATÓRIOS
Esse depoimento é muito significativo. Tim Rice, que é Sir na Inglaterra, é músico, compositor e apresentador de rádio. Mas, antes de tudo, é considerado um dos maiores conhecedores de música da língua inglesa.
Ele coloca neste texto recente os Bee Gees em seu devido lugar, ou seja, no topo absoluto da pirâmide de compositores. Nós sabemos disso, mas a maioria do público e da crítica não sabe. Sempre é bom o reconhecimento de um cidadão respeitavél como este.
Leiam:
Bee Gees get my vote
Woould loving the Bee-Gees be a vote-winner for a politician?
Sir, Ben Macintyre is quite right to state that politicians should stay well away from airing any views whatsoever about popular music (“Musical politicians always hit a bum note”, April 9) but to imply that they might be secretly listening to the Bee Gees and are too ashamed to admit it reveals that he, too, has much to learn about the subject.
The Brothers Gibb have been at the forefront of contemporary songwriting for more than 40 years. The list of important, respected and gifted artists, from all generations and from all over the world, who have sung their songs is staggering. Their first No 1 was in 1967; their most recent last month.
For my money they are up there with Lennon-McCartney and John-Taupin, streets ahead of many others such as U2, Oasis, Elvis Costello, Paul Weller and Arctic Monkeys, who consistently get high praise from the desperately hip. I am not saying that this lot are not fine songwriters, only that the Bee Gees are better, in some cases a lot better. In fact, if a politician did admit to loving the Bee Gees, it would probably be a vote-winner.
Sir Tim Rice
Helford, Cornwall
Cinema
Tony Manero
Em filme chileno, sociopata é obcecado por personagem de John Travolta em Os Embalos de Sábado à Noi
09/04/2009Cíntia Bertolino
Raúl Peralta (Alfredo Castro) conhece todos os trejeitos de seu ídolo. Sabe quantos botões há em sua calça branca, conhece melhor que ninguém a forma correta de usar a camisa estrategicamente aberta no peito e, embora não fale inglês, é capaz de repetir diálogos inteiros de seu filme favorito.
Quase todas as tardes ele vai até o cinema ver pela enésima vez Tony Manero brilhar mais que a pista de dança faiscante de Os Embalos de Sábado à Noite (1977).
A exemplo de seu ídolo, tudo o que ele quer é dançar. Isso é o que se imagina até que Raúl, o Tony Manero do título, mostra até que ponto ele está disposto a chegar para atingir o inatingível.
Nesse momento, o filme de Pablo Larían, o candidato chileno a uma indicação ao Oscar deste ano - que não vingou -, fica verdadeiramente interessante.
O sonho de Raúl é se tornar Tony Manero. Pouco importa que isso seja impossível. Inabalável, ele tinge o cabelo de preto - o vigor da juventude não acompanhou seus cinqüenta e poucos anos – e ensaia com afinco os passos imortalizados por John Travolta na boate, nas noites de sábado. Logo, um concurso esdrúxulo de TV para escolher o Tony Manero chileno parece ser a resposta aos esforços desmedidos do protagonista.
O sonho pueril, a dedicação obsessiva a um herói cinematográfico desperta piedade, reforçado por um cenário degradado - o Chile aterrorizado por batidas militares, em 1978, cinco anos após Augusto Pinochet se instalar confortavelmente no poder.
O filme não explora o golpe militar, porém tampouco deixa os espectadores esquecerem o que há do lado de fora do prédio decadente em que vivem Raúl, a dona de um restaurante fuleiro, sua namorada de meia-idade e a filha dela.
Como se refletisse o exterior, na intimidade dos quartos, na cozinha, no salão, as relações são doentias, mesquinhas, pontuadas pela crueldade de um homem amoral, patético e violento. E todos se mostram fascinados por ele.
Tony Manero é um bom filme. Tem lá seus maneirismos exagerados, bem visíveis nas cenas de assassinatos, mas isso se releva em favor da grande atuação de Alfredo Castro. Em determinados momentos ele chega a lembrar um Al Pacino, do terceiro mundo, evidentemente. O curioso é que em diversas ocasiões, Tony Manero também compartilha uma grande semelhança com outro Tony, o Montana de Scarface (1983).
Diana Krall canta Bee Gees
Está muito bom o novo CD da Diana Krall, basicamente focado em bossa nova. E tem uma versão interessante para How Can You Mend a Broken Heart.
Vejam a crítica:
Quiet Nights
Diana Krall repete a elegante fórmula bossa-novista do CD The Look of Love
FOI ESCORADA NA BOSSA NOVA que, ao lançar em 2001 o álbum The Look of Love, Diana Krall se tornou campeã de vendas no circuito do pop jazz. Na sequência, a cantora canadense tentou voo mais alto no CD The Girl in the Other Room (2004), no qual arriscou parcerias com seu marido, o roqueiro Elvis Costello.
Mas Quiet Nights, disco que acaba de sair no Brasil, representa sua volta à bossa. Krall até se aventura a cantar em português esforçado "Este seu Olhar", uma das três músicas de Tom Jobim que figuram no repertório do CD (a faixa que inspirou o título é a versão em inglês de "Corcovado").
Quiet Nights é disco pontuado por sensualidade quase forçada que vai irritar os puristas do jazz. Contudo, a elegância dos arranjos de Claus Ogerman - o mesmo que orquestrou The Look of Love - é inegável. Krall faz passeio seguro por clássicos da música norte-americana e da bossa nova.
A presença de Burt Bacharach e Hal David no repertório, com "Walk on by", é outro indício de que a intérprete quis mesmo repetir a fórmula de seu trabalho mais popular. E a inclusão de balada dos Bee Gees, "How Can You Mend a Broken Heart" sinaliza que a cantora corteja momentaneamente mais o público do pop do que o do jazz. Mauro Ferreira
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1. THEREZA-RJ 23/04/2009 - 16h:23