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* O QUE SÃO CAROTENÓIDES *

por bemestarbemviver em 27/1/2010

Os carotenóides são um grande grupo de pigmentos solúveis em gordura. Eles dão as cores vermelha, laranja e amarela aos alimentos. Existem em bactérias e plantas que dependem do sol para fazer energia (são essenciais para o crescimento e a fotossíntese). Embora não façam fotossíntese, algumas bactérias e fungos possuem carotenóides para proteção contra os danos da luz solar e do oxigênio. Somente os animais são capazes de sintetizar carotenóides. Os seres humanos os incorporam através da dieta alimentar. Mais de 600 carotenóides já foram identificados. Os mais abundantes na dieta são: alfa, beta e gama caroteno, licopeno, luteína, beta-criptoxantina, zeaxantina e astaxantina. O QUE ELES FAZEM? A estrutura química determina praticamente a função biológica. Nos humanos, todos os carotenóides exercem uma ação anti-oxidante, porém apenas alguns são convertidos pelo organismo em retinol, uma forma ativa da vitamina A. Por isso são denominados pró-vitamina A. Entre mais de 600 carotenóides, os que tem atividade pró-vitamina A mais conhecidos são o alfa e o betacaroteno. Outros têm atividade anti-oxidante: a luteína, o licopeno e a zeaxantina. Vários estudos científicos sugerem que uma dieta rica em carotenóides podem oferecer proteção contra certos tipos de câncer (pulmão, pele, útero, colo de útero, trato gastrointestinal), degeneração macular (a maior causa de cegueira), catarata e várias doenças ligadas a ação dos radicais livres. Dois estudos duplo cegos (nos quais um grupo toma um medicamento e o outro usa drogas placebo, ou seja, sem efeito) mostraram que a suplementação isolada com o betacaroteno sintético não reduziu o risco de câncer de pulmão e pode ser até aumentado em pessoas que fumam. Esses achados sugerem que nesse caso, os alimentos ricos em carotenóides podem ter uma ação diferente do betacaroteno sintético. EM QUE ALIMENTOS SÃO ENCONTRADOS? Em geral, quanto maior a intensidade da cor, maior quantidade de carotenóides tem o alimento. A cenoura, a abóbora, o pimentão vermelho e o amarelo, o inhame, o cará, a batata doce, a azeitona roxa, o tomate (inclusive no suco, na sopa e no ketchup), o repolho vermelho, as folhas verde-escuras (como o brócolis e o espinafre, a alface), o aipo, a maçã, o damasco, a manga, a ameixa, os berries, a melancia, a laranja, a tangerina, a nectarina, o mamão, a gema do ovo, o salmão, o marisco e etc. COMO CONSUMIR OS CAROTENÓIDES? Como os carotenóides são solúveis em gordura, é importante consumir esses vegetais juntamente com alguma forma de gordura para melhorar a absorção intestinal. Se você estiver consumindo suco de vegetais, seria bom colocar um pouco de óleo de fígado de bacalhau para maximizar a absorção de outros importantes nutrientes como a vitamina K. Pessoas que fazem uso de medicação anticoagulante não devem ingerir folhas escuras que contêm vitamina K, facilitadora da coagulação, porque isso atrapalharia o efeito do medicamento anticoagulante em uso. FUNÇÕES NO ORGANISMO Existem inúmeros trabalhos científicos sobre as ações dos carotenóides no organismo. Os carotenóides têm muitas funções biológicas, além das associadas a função de anti-oxidante. Por mecanismos ainda não explicados, acredita-se que os carotenóides participem também da fertilidade da mulher. Sabe-se que o corpo lúteo (a estrutura que restou depois que o folículo soltou o óvulo) tem a mais alta concentração de beta caroteno do organismo, sugerindo que tenha uma função importante no processo de reprodução. Outras pesquisas mostram que os carotenóides sem atividade pró-vitamina A, como a luteína e a zeaxantina, possuem propriedades antimutagênicas e anticarcinogênicas. Essas substâncias tem ainda mais algumas qualidades. Uma delas está ligada ? habilidade dos carotenóides em melhorar a imunidade e facilitar a comunicação entre células. AS PROPRIEDADES DA LUTEÍNA E DA ZEAXANTINA Inúmeros os trabalhos de pesquisa investigam as ações da luteína. Alguns exemplos: A luteína e a zeaxantina (encontradas normalmente no espinafre, no brócolis, na mostarda, na gema do ovo, no pêssego e nas laranjas) agem como anti-oxidante no organismo, particularmente nos olhos, mais especificamente na mácula, uma pequena área central que cobre a retina. A luteína é um poderoso anti-oxidante que se acredita proteger o olho, o nervo ótico e as delicadas estruturas que se situam na parte posterior do olho. É indicada para prevenir a doença macular degenerativa (que é uma das grandes causas de cegueira) e ajuda manter o olho saudável. A luteína da dieta é essencial para uma visão saudável. - O Jornal Americano de Nutrição Clínica sugere que a luteína dos tomates (inclusive na forma de suco, sopa, ketchup e na sopa de vegetais), da melancia, do damasco e do caqui pode de fato prevenir câncer do colo. - A Revista de Nutrição Clínica observou que os carotenóides da mucosa estão diminuídos nos tecidos com adenoma extraídos do reto, servindo como marcadores indicativos da predisposição para câncer coloretal e portanto pacientes com adenoma retal podem se beneficiar com os carotenóides. - O Jornal Americano de Nutrição Clínica verificou que pacientes com câncer colo retal tinham um baixo nível de luteína e sugere a incorporação desse micronutriente na dieta para a prevenção do câncer colo retal. - A Revista de Investigação Oftalmológica verificou que a presença de uma alta concentração de luteína e zeaxantina na retina humana tem uma ação protetora para a cegueira ligada a doença macular degenerativa (relacionada com o envelhecimento). - A Revista Americana de Nutrição sugere que a formação de catarata ligada ao envelhecimento pode, com uma alta ingestão de suplementos ou através de uma dieta rica em luteína, ter efeito benéfico na performance visual dessas pessoas. Um pesquisador denominado Enger, junto com seus colaboradores, mostrou que o betacaroteno tem uma provável ação protetora maior do que os outros carotenóides na prevenção de adenomas do colo e que a luteína pode ter ação benéfica em estágios mais avançados da doença. - O Jornal Internacional de Câncer realizou por dois anos na China, um estudo para determinar se a dieta aumentada em licopeno e outros carotenóides era possível proteger o homem contra câncer de próstata e verificou-se que o aumento da ingestão de tomates, abóbora, espinafre, melancia e frutas cítricas estava inversamente associado com o risco de câncer da próstata. - A revista Stroke sugeriu que altos níveis plasmáticos de carotenóides provenientes das frutas e dos vegetais, se relacionam com um risco menor de desenvolver doenças vasculares isquêmicas (AVC). - A publicação Anais de Nutrição e Metabolismo demonstrou que o betacaroteno tem a capacidade de melhorar a imunidade de pessoas saudáveis. - O Jornal Britânico de Nutrição mostrou que as pessoas idosas que tenham um nível aumentado de carotenóides no sangue tem menos freqüência de doenças respiratórias ou infecciosas. DOENÇAS CONTRA AS QUAIS SE DISCUTE A POSSÍVEL AÇÃO PREVENTIVA E/OU TERAPÊUTICA DOS CAROTENÓIDES - Doença macular degenerativa. - Asma. - Catarata - Câncer cervical. - Displasia Cervical. - Infecção por clamídia. - Doença cardíaca. - Câncer da laringe. - Câncer do pulmão. - Câncer de próstata. - Osteoartrite. - Candidíase vaginal e outras. O COZIMENTO, A ESTOCAGEM E O PROCESSAMENTO PODEM AFETAR AS PROPRIEDADES DOS CAROTENÓIDES? Em certos casos, o cozimento pode aumentar a biodisponibilidade dos carotenóides na comida. Por exemplo, a biodisponibilidade do licopeno do tomate tem a sua absorção aumentada quando o alimento é processado em altas temperaturas. É mais fácil absorver o licopeno do tomate após ele ser cozido do que com ele no estado cru. Preparar cenouras e o espinafre no vapor aumenta a absorção de seus carotenóides. Mas é importante notar que, na maioria dos casos, o cozimento prolongado diminui a biodisponibilidade dos carotenóides nos vegetais, mudando a forma da sua estrutura química. Não é verdadeiro que seja necessário ingerir os diferentes carotenóides (vitamina A com luteína por exemplo) em refeições separadas para prevenir competição na absorção tanto alimentar quanto de suplementos. QUAIS OS FATORES QUE PODEM CONTRIBUIR PARA A DEFICIÊNCIA DOS CAROTENÓIDES DA ALIMENTAÇÃO? Devido ao consumo muito baixo de vegetais e frutas entre os jovens, muitos adolescentes e adultos jovens não conseguem garantir um aporte suficiente de carotenóides. Além disso, o hábito de fumar e beber álcool pode abaixar ainda mais o nível sangüíneo dos carotenóides. Estatisticamente esse fato é confirmado. Várias pesquisas mostram que seguir uma dieta por um longo tempo deficiente em carotenóides é um fator associado com a manifestação de doenças crônicas, inclusive doenças cardíacas e câncer. Nesse processo, um mecanismo importante parece ser a presença de radicais livres no organismo dessas pessoas, que teriam maior susceptibilidade aos danos dos radicais livres. Outro fator que pode levar ? deficiência é uma dieta muito pobre em gordura. Isso porque os carotenóides são substâncias solúveis em gordura, o que torna sua presença indispensável para que sejam absorvidos no trato digestivo. Assim, diminuem a absorção dos carotenóides da dieta seguir uma alimentação extremamente baixa em gordura, o uso de medicamentos que eliminem a gordura alimentar, patologias que afetam a absorção orgânica de gorduras (como a deficiência das enzimas pancreáticas), Doença de Crohn, doença celíaca, fibrose cística, remoção cirúrgica de parte ou de todo o estômago, pedras na vesícula biliar e doenças hepáticas). INGERIR CAROTENÓIDES DEMAIS TRAZ PROBLEMAS À SAÚDE? O excesso de consumo de carotenóides dá uma coloração amarelada na pele, mais freqüentemente na palma das mãos e dos pés. É reversível e não dá qualquer problema de saúde. Não existe nenhum relato de efeitos colaterais associados com uma alta ingestão de alimentos ou suplementos com carotenóides, apesar de existirem estudos relacionando pessoas que fumam muito e tomam álcool regularmente com chances aumentadas de desenvolver doenças cardíacas e/ou um câncer de pulmão se ingerirem uma quantidade maior do que 20 a 30 mg por dia de betacaroteno. EXISTE DIFERENÇA DO BETACAROTENO COM OUTROS MEDICAMENTOS? Os medicamentos para abaixar o colesterol do tipo colesterolamina (seqüestradores do ácido biliar) podem diminuir o nível dos carotenóides no sangue. Em compensação, margarinas enriquecidas com esteróis de planta (como benecol), podem diminuir a absorção de carotenóides. O Olestra, um substituto da gordura, que é usado nos salgadinhos, pode também diminuir a absorção dos carotenóides.

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