27/05/08 - 20h:39mDenunciar







"Algumas pessoas se queixam de que nada dá certo em suas vidas. São as vítimas do esquecimento alheio, do niguém-me-ama, ninguém-me-quer. Mas se olharmos de perto, descobriremos que essas pessoas esperam que tudo caia do céu e só rezam pela cartilha da sorte, recusando-se a mexer um dedo para intervir no resultado final. Dizem-se discretas, tímidas, reservadas. Podem até ser, mas quanta passividade.

Todos, ao nascer, recebem as cartas a que têm direito. Uns recebem vários ases, outros ficam repletos de curingas, outros não tem nada que preste nas mãos. Cabe a cada jogador comprar, descartar, fazer seu jogo. Isso inclui trapaças? Não. Isso inclui perspicácia, senso de oportunidade, concentração. Engana-se quem pensa que vai vencer sempre. Não existe auge eterno, a não ser para os gênios. Como eles são meia dúzia, cabe a nós, simples mortais, reconhecer o momento certo de agir.

Só não vale blefar.



E vamos ao jogo..."





(Martha Medeiros. – “Jogando pôquer com Burroughs” – Set. 1997 – TREM BALA)

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