12/03/08 - 15h:51mDenunciar

Estamos com fome de amor

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros

e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam

sozinhas e saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que

estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os

novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era

resolvido fácil, alguém duvída?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber

carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de

um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que

vão "apenas" dormir abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa

marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a

carreira, a produção.

Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como

voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão

distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de

relacionamentos ORKUT, o número que comunidades como:

"Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada

"Nasci pra ser sozinho!" Unindo milhares ou melhor milhões de solitários em

meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos,plásticos, quase

etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a

cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão

infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que

verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa

verdade de cara limpa.

Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio,

démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer

ridículos, abobalhados, e daí?

Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e

falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo

pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou

muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca

mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à

dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz que

se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais,

pra quê pensar nele ? Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o

dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser

estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é 'out",

que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me

aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou

outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu

não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo

resto da vida".











Antes idiota que infeliz!

Arnaldo Jabour

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