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Protesto Contra o Facismo(integralismo)

por caiopunk em 30/12/04 - 23h:33m


Cerca de 25 pessoas se reuniram, neste sábado (04/12), no 1º Congresso do Movimento Integralista para o Século XXI, em São Paulo. O objetivo foi retomar os princípios do movimento político brasileiro de extrema-direita, que nasceu em 1932, baseado nos moldes fascistas e dirigido por Plínio Salgado, morto há 29 anos.

O evento contou com a participação de pessoas de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, entre elas o deputado federal Elimar Máximo Damasceno, do Prona. A idéia, no entanto, não foi bem recebida. Anarco-punks do grupo Juventude Anti-Fascista protestaram pacificamente com distribuição de panfletos e apitaço em frente ao local do Congresso, na zona leste de São Paulo.

Munidos de faixa com as a frase "Fascismo nunca mais", os punks discordavam da iniciativa. "O integralismo é um movimento intolerante. Ele quer o extermínio de homossexuais, é contrário à liberdade de religião. Finge que tem um discurso democrático", disse Flávia M. (os punks preferiram não deixar o nome completo por medo de perseguições de skinheads).

O Congresso aconteceu no escritório de eventos da União Nacionalista Democrática (UND), no bairro do Belém, zona leste da capital, cedido pelo advogado Antônio Rivas. O salão amanheceu com a parede de entrada pichada com a inscrição "Fora Fascistas", logo encoberta a tinta branca por Rivas.

O advogado explica que a UND tem como fundamento o nacionalismo, princípio compartilhado com a Ação Integralista Brasileira, que organizou o evento. "Nossa entidade tem como fundamento o nacionalismo. Queremos que o Brasil autodetermine seu desenvolvimento, porque nós não temos governantes, nós temos gerentes", disse Rivas.

O evento, que deveria começar às 8h, começou atrasado e os membros da mesa tiveram dificuldades de falar, pois o apito dos punks competia com a aparelhagem de som dos integralistas. Na tentativa de dissipar a manifestação, um dos organizadores do evento, Cássio Rodrigues, tentou o diálogo. "Mussolini, perto de Che Guevara, era um santo", dizia o integralista trajado à Plínio Salgado, com camisa verde, gravata e calça pretas e o distintivo da organização preso na manga.

"Não passarão: nazistas e fascistas", rebatiam os punks, utilizando palavras de ordem dos anarquistas da Guerra Civil Espanhola. Sem entendimento, a Polícia Militar foi chamada pelos integralistas, mas limitou-se a conversar com os integrantes dos dois grupos. Mesmo assim a troca de farpas continuou.

PARTIDO

O protesto barulhento dos punks atrapalhou o discurso de Cássio Rodrigues. Mesmo assim, ele prosseguiu: "Temos que levar adiante a missão que nos foi passada pelo chefe Plínio Salgado". Alguns dos participantes do Congresso têm a intenção até de criar o Partido Integralista Brasileiro para isso. Mas a idéia não é unanimidade.

Depois da execução do Hino Nacional e do Hino Avante, composto por Plínio Salgado - ouvida em meio ao som dos apitos, a PM retornou ao local e os punks da Juventude Anti-Fascista decidiram ir embora."Mostramos o que pretendíamos. Fizemos o barulho necessário", disse um deles.