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*+. 1º Capitulo do 7º livro .+*

por carolmaninha em 22/02/06 - 12h:28m

Pra quem é fan como eu do harry vai adorar primeiro capítulo do sétimo livro:


Capítulo Um - Luvas e Cartas

Harry revirou na cama, não conseguia dormir. Apertou o frasquinho de “Inertie” na mão esquerda, abriu-o e tomou outro gole do líquido transparente e amargo. Harry havia roubado isso no armarinho do banheiro na casa do Dursley. Sua tia Petúnia sofria de insônia desde o incidente com um berrador há dois anos e tio Valter comprava caixas e mais caixas desse remédio para que ela conseguisse dormir tranqüila. Harry gostaria de saber o porque de tanta preocupação, mais que isso, ele queria saber se ela conseguia resultados com uma dose. Era o quarto frasco que Harry quase esvaziara e ainda não tinha conseguido dormir. Contemplou o teto do seu quarto escuro, iluminado apenas pela luz fraca da janela. Ele sabia que o único lugar em que estava completamente protegido até completar dezessete anos era ali na rua dos Alfeneiros Nº 4, Dumbledore disse isso a ele no ano anterior...

Harry sentiu um aperto no peito, era duro pensar em Dumbledore quando há apenas duas semanas estava velando seu corpo nos terrenos de Hogwarts, sua ex-escola de magia. Os professores tentaram impedir que a fechassem, mas o Ministério advertiu que isso seria um grande perigo para todos os alunos e proibiu o começo do que seria o último ano letivo de Harry. Ele tentou não pensar em mais nada relacionado à antiga escola, que lhe trouxera as melhores lembranças de sua vida. Foi lá que aprendeu magia, foi lá que conheceu seus melhores amigos, Ron Weasley e Mione Granger, foi lá que descobriu mais sobre seus pais, foi lá que ele salvou a pedra filosofal, que salvou Gina...
Outro aperto no peito, como sentia saudades dela, eles não namoraram mais do que algumas semanas mesmo assim foram as melhores semanas da vida de Harry. Ele começou a recordar os seus passeios em volta do lago, todas as vezes que eles se cruzavam no corredor entre as aulas, os treinos de quadribol, os beijos escondidos na sala Precisa... Edwiges piou alto em sua gaiola, assustando Harry que deixou cair o frasquinho de sua mão na cama fofa. Ele decidiu levantar para ver o que a coruja queria e percebeu que ela estava um pouco inquieta, abriu a gaiola e depois a janela deixando-a voar pelo céu estrelado de uma noite bela e serena. Distraiu-se um pouco vendo o pontinho branco desaparecer no céu e fechou a janela. Olhou em volta do quarto, viu sua varinha e seus livros de Hogwarts jogados pelo chão, sua Firebolt encostada perto da porta, suas vestes escolares penduradas de qualquer jeito no armário aberto e alguns exemplares do Profeta Diário rasgados e recortados numa escrivaninha.

Foi quando ele decidiu se livrar de todas essas coisas que lhe traziam memórias do mundo mágico. Ele não queria mais fazer parte dele, desse mundo em que ele era famoso sem saber ao certo o porque, desse mundo em que todos os seus entes mais queridos sofriam e morriam, deste mundo que só atrapalhou a sua vida nos últimos seis anos. Está certo que ele tivera suas melhores lembranças nesse mundo, mas ele também tivera as piores. Começou a juntar os livros e os jornais em uma caixa velha e a guardou embaixo do assoalho, sua vassoura ficou escondida no armário juntamente com sua varinha, por mais que ele quisesse, não conseguira jogar nada fora. Sentou na beirada da cama e viu um par de luvas de boxe saindo por debaixo da mesma, abaixou para pegá-las ainda sentado e sentiu uma dor nas costelas, havia esquecido dos ferimentos causados por Duda no dia anterior.
Desde que chegou, Harry notou seu primo estranho, o tratando com respeito, quase que com admiração, sua tia Petúnia dizia que ele era um perfeito cavalheiro que respeitava até mesmo quem não merecia, e Harry continuou intrigado com a situação, mesmo que fosse apenas o primeiro dia, ele não entendia o porque dessa mudança. Mas no segundo dia ele já temia algum plano do primo para aborrecê-lo, então após o mesmo convidá-lo para uma festa de aniversário, ele o questionou sobre o estranho comportamento e depois de um longo silêncio, em que Harry imaginou Duda tentando encontrar palavras para responder essa pergunta tão simples, ele disse:

- Estou amando – e engoliu em seco, como se temesse que Harry fosse rir dele.

No momento, foi o que Harry teve vontade de fazer, mas depois pensou no que isso teria haver com a pergunta que ele fez. Suspirou e perguntou novamente:

- E o que isso tem haver com o modo que você está me tratando?

Duda parecia envergonhado e ao mesmo tempo, o que seria improvável, com medo. Ele hesitou um momento e depois tirou do bolso o que parecia ser uma carta de correio trouxa. Esticou a mão para Harry, que apanhou a carta e começou e lê-la, reconhecendo a letra de Gina.

Harry,

Sei que não deveria lhe mandar essa carta, eu não quero que você sofra, mas eu precisava lhe dizer isso: eu sinto muita sua falta! Desde que nos separamos não consigo parar de pensar em você, de todos os nossos momentos juntos, do seu sofrimento.

Deve pensar que eu sou apenas uma garota boba pensando estar apaixonada, mas eu gostaria de confortá-lo, de ajudá-lo. Você me disse que eu correria perigo se estivesse ao seu lado, mas nesses tempos tão difíceis, em que ninguém está totalmente seguro, eu não me importo em dividir o que poderiam ser os meus últimos dias, ao lado de alguém com quem realmente me sinto feliz.
Estou mandando essa carta através do correio trouxa, para que minha família não saiba, (eles não querem que você seja incomodado) e você provavelmente irá recebê-la assim que chegar na casa dos seus tios. Não estou pedindo nada, mas gostaria que soubesse disso.

Com amor,

Gina

Harry sentiu uma sensação de felicidade que durou apenas algum segundo, apesar de estar comovido com a sinceridade de Gina, ele ainda não entendia o que aquela carta teria haver com a atitude do primo e pessoalmente, não queria mais pensar na garota, pois mesmo sabendo que também sentia saudades, não poderia arriscar a vida dela por esses sentimentos.

- Harry – disse Duda de repente, trazendo-o de volta a rua dos Alfeneiros – A garota que eu amo estará nessa festa, preciso de sua ajuda para conquistá-la.

- Minha ajuda? – disse Harry, completamente abobalhado.

- É, você teve uma namorada, ou pelo menos uma admiradora, deve saber como hum,...Agradá-las. – disse ele.

- Você quer que eu seja seu cupido? – Perguntou ele, ainda incrédulo.

- Eu, hum... Eu poderia te ensinar a lutar boxe. – ele respondeu, como se essa fosse sua última tentativa.

Harry teve uma breve visão dele, usando luvas de boxe, enfrentando Duda, que era muito mais forte e pesado que ele. Considerou que isso poderia distraí-lo, aliviando suas preocupações. E aprender a se defender, mesmo de uma maneira trouxa nunca seria um desperdício. Mas depois pensou em Duda, como conseguiria fazer qualquer garota se apaixonar por ele? Duda não tinha nenhuma beleza admirável, exterior e Harry questionaram, interior?

- Como você sabe que a ama? – ele perguntou ainda pensando numa solução.

- Eu não paro de pensar nela – disse como se aquilo fosse o bastante

Harry pensou mais uma vez na carta de Gina, e julgou a resposta convincente. Deu mais uma olhada no primo e percebeu que ele era até que uma figura agradável tirando sua cara de carrancudo. Ele não era mais gordo, mas sim, alto e forte, se sorrisse poderia até ser “apresentável”.

- Eu o ajudarei – disse Harry seriamente – Mas quero aulas todos os dias, incluindo fins de semana as oito da manhã, até chegar o meu aniversário.

- Oito da manhã? – resmungou Duda, pensou mais um pouco e disse – Tudo bem então. Vamos logo, a festa começará em trinta minutos.

- Não posso ir a festa – disse Harry, pensando na proteção da casa dos tios – Mas lhe direi o que acho que deve fazer. Primeiro me conte sobre essa garota?

Harry sentia-se bem vendo o primo sofrer por amor, e ainda mais: pedindo ajuda a Harry. Ele ouviu que Duda a tinha conhecido na casa do seu amigo, era uma prima distante do mesmo e se chamava Jane. Contou como se sentia quando estava com a tal garota. Harry ficou surpreso como Duda tinha expandido seu vocabulário nos últimos meses e que estava até mais educado. Depois de escutar tudo ele aconselhou o primo a elogiar a garota durante a festa e se mostrar como um amigo confiável. O plano funcionou bem, e Harry percebeu isso quando o primo voltou da festa radiante porque a menina havia lhe dado um beijo na bochecha antes de se despedir dele.

Desde então, Harry tem aulas com Duda, que o trata bem, mas não perde uma oportunidade de mostrar os seus golpes “mais ágeis” durante suas aulas de boxe. Ele até considera o primo um novo amigo, porque raramente teve contato com qualquer outra pessoa desde a carta de Gina, (a qual Harry não respondera por receio). Ele aprendera a se defender sem sua varinha e agora se sentia forte o bastante para acabar com Malfoy numa luta trouxa justa.

Esfregou suas costelas e colocou o velho par de luvas que seu primo havia lhe emprestado após ter ganhado um novo dos pais sobre o criado mudo. Pegou o frasco e tomou outro gole, adormeceu milagrosamente.

- Harry! Harry!

Harry abriu os olhos e viu Duda debruçado sobre ele sacudindo-o para que acordasse.

- O que quer? – Harry perguntou ainda sonolento

- Já são oito horas. Você não vai querer ter aula hoje? Pensei em te mostrar o gancho de esquerda de novo, já que você tem dificuldades com ele.

- Há? – ele pegou os óculos em cima do criado mudo e olhou o relógio na parede, confirmou o horário, apesar de sentir como se não tivesse pregado o olho naquela noite. Ele levantou relutantemente e enquanto ouvia as técnicas teóricas (que nunca serviram de nada) do primo sobre como se defender do gancho de esquerda ele notou que Edwiges já estava de volta em sua gaiola e havia deixado uma carta sobre a escrivaninha com o selo do Ministério. Abriu-a rapidamente e começou a ler:

Caro Senhor Potter;

Devido a acontecimentos recentes, que poderá ler no jornal bruxo Profeta Diário. Estamos enviando essa carta para avisá-lo sobre a nova lei de magia expedida no dia 07 de Julho.

Lei nº 5.278 de 07 de Julho

Todos os pertencentes à comunidade não-trouxa estão liberados de praticar magia para se defender dos Comensais da Morte.

PS - É claro que isso deve se levar em conta à cautela quanto à exposição para com a comunidade trouxa e os excessos desnecessários devem ser descartados.

Rufus Scrimgeour

Ministro da Magia

Harry estranhou muito o Ministério liberar magia para todos, especialmente os jovens estudantes que nunca tiveram permissão para usar magia fora da escola. Excessos desnecessários? Ele imaginou o que aquilo queria dizer... Começou a procurar o jornal bruxo não percebendo que o primo saíra do quarto dizendo que ia aproveitar o sono da tia Petúnia para assaltar a geladeira.

- Espero você no meu quarto, Harry – Disse antes de desaparecer no corredor.

- Ok – Harry respondeu enquanto procurava o seu exemplar do Profeta Diário para saber mais sobre os “acontecimentos recentes”, encontrou-o em cima da escrivaninha junto com os outros artigos recortados e leu na primeira página:

Fuga em massa na prisão de Askaban

A comunidade bruxa sofre as conseqüências de mais um descuido do Ministério da Magia que ontem, permitiu outra fuga em massa da prisão de Askaban. A inútil tentativa de recrutar de volta alguns dementadores resultou nesse grande, para não dizer catastrófico desastre mágico. Os aurores sentiam-se mal apenas pela mera presença de alguns dos antigos guardas de Askaban que tiravam algumas horas de folga extra para se recuperar da sensação ruim que eles provocam ao alimentar-se de nossas felicidades.

No dia da suposta fuga, os aurores estavam tirando sua folga numa pequena “comemoração” quando receberam os sinais de alerta de que os dementadores não estavam cumprindo sua tarefa corretamente. Eles tentaram voltar a tempo, mas vários Comensais incluindo alguns presos no Departamento de Mistérios no ano retrasado como Lúcio Malfoy já haviam escapado de suas celas. E não havia sinais de arrombamento, presumindo que os dementadores liberaram os prisioneiros por livre espontaneidade.

Houve uma pequena luta nos portões da prisão, nos quais vários aurores ficaram seriamente feridos e alguns até foram mandados para o hospital St. Mungus para Doenças e Danos Mágicos. Mas o que foi uma grande surpresa para o Ministério foi o depoimento de um dos prisioneiros que remanesceram trancados nas celas.

“Os dementadores recusaram-se a nos soltar dizendo que não éramos escolhidos por Aquele-que-não-deve-ser-nomeado, e só faríamos seus planos falharem”. Disse Walter Dorren, condenado por ter assaltado uma loja na Travessa do Tranco, um crime não tão grave para receber uma punição tão severa de cinco anos em Askaban.

Será isso uma tentativa de se redimir com o Ministério? Ou o mesmo estava enganado ao mandar esse pobre senhor que poderia até ajudar na luta contra Aquele-que-não-deve-ser-nomeado? Supondo que seus planos possam falhar...

Não saberemos até o Ministério tomar uma atitude sensata, o que parece muito difícil. Rumores apontam que o Ministro irá liberar um novo decreto permitindo a pratica de magia livremente em caso de vida ou morte, sem excessos. Como se essa anotação impedisse algo, já que vários membros do setor de Controle do Uso Indevido de Magia se afastaram do cargo com o intuito de cuidar de sua família.

Fuga em massa, liberdade de feitiços aos olhos “curiosos” dos trouxas. Mais uma decisão do Ministério que trará problemas para todos. Enquanto isso, apenas nos resta esperar e ver qual será o novo massacre de trouxas como o que aconteceu dois dias após a morte de Dumbledore,

Por Rita Skeeter

Harry não podia acreditar, Lúcio Malfoy havia escapado da prisão. O pai do menino que praticamente assassinou Dumbledore está solto. E pensando na felicidade de Draco ao ler isso no jornal de hoje ele estourou acidentalmente um pequeno aquário vazio na estante do quarto. Estranhou não ter que usar a varinha para faze-lo, mas antes que pudesse pensar no porque, seu primo apareceu novamente na porta perguntando sobre as aulas de boxe.

Com a raiva que estava, Harry conseguiu aprender o gancho de esquerda a até machucou o primo, que fingindo não chorar disse:

- Acho que por hoje é só. – e apertando suas costelas ele soltou um gemido de dor e acrescentou numa voz falsamente controlada – É só um arranhão.

Harry voltou para o quarto quando percebeu Edwiges voltando com outra carta, agradeceu e acariciou as penas brancas da coruja antes de alimenta-la. Abriu a carta e novamente reconheceu a letra de Gina:

Harry,

Como você está? (aqui incluía uma parte rabiscada com os dizeres: Não estou brava que não tenha respondido minha outra carta, deve ter tido os seus motivos e eu entendo perfeitamente).

Quero que saiba que passarei minhas férias na casa de Hermione.

Insisti tanto para minha mãe que ela conseguiu autorização do Ministério para enfeitiçar a casa com feitiços de proteção durante e minha estadia lá. Mione gostaria que você fosse para lá também, assim que o feitiço de maioridade se acabar. O Ministério insistiu em transportá-lo através do Flu, mas meu pai disse que seria melhor você se virar (no melhor sentido) através dos meios de transporte trouxa.

Parece que alguma coisa está preste a acontecer e você estará seguro, não sei o que é. Meus pais não quiseram me contar e aparentemente ninguém mais sabe além dos membros da ordem. Todos eles parecem muito felizes, o que me deixa despreocupada. Mesmo assim, tome cuidado, por favor.

Hermione lhe mandará uma carta com o endereço logo.

Com amor,

Gina.

Harry leu duas vezes e parecia não entender. Como é que ele estaria seguro após o feitiço de proteção ser quebrado? Os membros estavam felizes? Como isso era possível com tantas coisas ruins acontecendo? Ele leu a carta novamente e se concentrou nas palavras riscadas de Gina, se ela realmente não quisesse que ele lesse aquilo, teria escrito a carta novamente em um pergaminho diferente ou apagado com algum tipo de borracha mágica. Mas não, ela apenas passou um risco fino por cima das palavras. “... deve ter tido os seus motivos e eu entendo perfeitamente...”. Será que Gina pensava que Harry a havia esquecido? Que ele não se importava mais com ela? Se foi isso que ela pensou Harry podia confirmar que ela estava errada. Ele queria encontrá-la, queria dizer que ainda gostava dela. “Gostava?” Será que essa era a palavra certa para descrever o que sentia pela garota?

Harry havia perdido seu padrinho Sirius e seu protetor e amigo Dumbledore, mas nada disso parecia doer mais do que ter perdido Gina. Mas por que? Talvez porque ele sentia uma necessidade de se apoiar em todos aqueles que ainda estavam vivos ao seu redor, para superar a dor. Afinal, Sirius e Dumbledore não poderiam mais confortá-lo com suas palavras e ações. Teve uma imensa vontade de escrever uma carta para seus amigos, para Gina. Mas depois pensou se isso os colocaria em perigo, pois parecia que Voldemort tinha em mente acabar com todos aqueles que proporcionavam felicidade a Harry, e quando todos estivessem mortos, Harry não tivesse mais porque querer viver e com isso facilitaria sua derrota.

Ele decidiu ser forte. Não queria mais ninguém em perigo, lutou contra sua vontade de rever Gina, ou os Weasley e recorreu a sua última tentativa de não pensar mais nos seus amigos, foi até o jardim oferecer ajuda a tia Petúnia para cuidar do seu jardim. Nada poderia ser mais maçante e desagradável do que isso.
Tia Petúnia não apreciava deixa-lo responsável pelo seu roseiral, mas como já estava atarefada demais, permitiu que ele ajudasse, mas sem priva-lo de suas reclamações quando ele acidentalmente pisava numa flor que ela chamava de “sua preferida”.

Uma noite antes de seu aniversário, ainda relutante, Harry estava preparando suas malas para partir na manhã seguinte para a casa de Hermione. Depois da décima carta da garota dizendo que ele estaria totalmente seguro de acordo com a ordem e poderia pegar o ônibus e seguir até a nova mansão Granger em Londres sem receio, Harry decidiu confiar na amiga e fazer o que ela mandou, ainda se perguntando o que aconteceria para ele poder se sentir seguro.

Harry estava em seu quarto deitado na cama, olhando para o frasquinho de “Inertie” em sua mão, o qual o faria dormir quase que tranqüilamente até chegar a hora de partir. A casa estava vazia, seus tios haviam saído para um jantar de negócios e aproveitaram para deixar Duda na casa da namorada Jane. Ele tomou um gole e tentou pensar em nada para adormecer mais rápido quando de repente ouviu um arrombo na porta de entrada. Pulou da cama e olhou o relógio na parede que marcava onze horas.Não podiam machuca-lo, ainda não tinha completado dezessete anos, quem poderia estar arrombando a porta? Ladrões? Mas justo nesse dia? Não, não poderia ser isso.

Harry apanhou sua varinha no armário e desceu as escadas até o saguão de entrada, estava tudo escuro. De repente todas as luzes se acenderam ao mesmo tempo.

- Surpresa! – gritaram várias pessoas que Harry nunca tinha visto na vida.

Ele olhou em volta, havia uma decoração forçada com bexigas coloridas, algumas já estouradas e uma mesa com algumas bandejas de salgadinhos. Viu seu primo abraçado com uma garota loira que Harry reconheceu pela descrição de Duda como sendo sua namorada Jane. Ele ainda estava tentando descobrir o que todas aquelas pessoas estavam fazendo ali, incluindo vários amigos de Duda, todos grandes, fortes e burros como o primo, quando o mesmo gritou:

- Harry, o que é esse termômetro na sua mão? Está doente? – ele disfarçou uma risada

Harry percebeu a varinha na mão e decidiu guardá-la rapidamente nos bolsos sem esquecer de acrescentar a suposição estúpida do primo:

- Hum, não. Eu achei isso no chão. - Como sua varinha poderia ser um termômetro? Ele presumiu que fora a única coisa que o primo conseguira pensar no momento.

Um minuto depois, Harry viu-se cumprimentado todos ali presentes por meio de seu primo. Ele não acreditou, mas aquilo era uma festa de aniversário surpresa para ELE. Duda ligou o seu aparelho de som no último volume gritando:

- Não se preocupem, meus pais não estão em casa lembram?

Todos começaram a dançar, e Duda veio explicar a um perplexo Harry como isso aconteceu.

- Foi tudo idéia de Jane. – ele disse não muito convincente - Eu fui burro o bastante para contar a ela como consegui conquistá-la e ela me obrigou a agradecê-lo de alguma forma.

-Preparando uma festa para mim? – perguntou Harry ainda incrédulo

- Está louco? – respondeu o primo, ainda numa tentativa forçada de mentir fazendo com que essa possibilidade parecesse estúpida – A festa já estava marcada. Com meus pais fora, eu não poderia perder uma oportunidade dessas não é?

- Acho que não – Harry disfarçou seu contentamento para que o primo não desconfiasse que ele sabia que o estava amolecendo.

- Então é isso. – Disse Duda – Aproveite, mas não chegue perto daquela garota ali – e apontou para uma garota que Harry já conhecia como Romilda Vance, uma garota da escola Hogwarts que tinha uma queda por ele – Meu amigo está afim dela. – ele olhou divertido e deu um tapa em suas costas – Hei, talvez você possa ajudá-lo. E... Hum, aqui está seu presente – disse entregando um embrulho mal feito nas mãos de Harry e saiu de perto dele para dançar com Jane.

Ele abriu e viu o par de luvas de boxe que Duda havia ganhado há pouco tempo atrás, mesmo estando usado, Harry sentiu que aquilo fora um gesto gentil da parte do primo, se perguntando se ele já havia pedido algum outro melhor e mais caro aos tios. Ele observou todos dançando sentindo-se estranhamente feliz. Ele nunca imaginara que algum dia estaria comemorando seu aniversário com algum membro da família Dursley, ainda mais numa festa. Nunca se sentira em casa em algum lugar que não fosse Hogwarts ou A Toca, mas naquele momento Harry até se estava se arrependendo de ter que partir pela manhã.

Meia hora depois, estavam todos no jardim. Duda havia preparado um show de fogos de artifício do qual ele chamou “estragos na vizinhança”. Romilda já estava nos braços do amigo do primo, fato que Harry agradeceu muito por ter acontecido. Ted Fewe comandou o primeiro estouro no céu, uma chuva de luzes vermelhas e amarelas explodindo como estrelas. Harry nunca imaginara que aquilo fosse tão bonito de assistir, nada como os do mundo mágico que eram extraordinariamente belos, mas ainda sim: bonitos!

Ele olhou no relógio de pulso barato que havia ganhado de Jane e viu que faltavam cinco segundos para completar dezessete anos. Ele pensou se deveria entrar de volta na casa, mas lembrou que a partir daquele momento o feitiço de proteção não funcionaria mais. Também não queria perder o último estouro, que Duda garantiu que seria o mais fantástico de todos, considerando o que havia gastado nele quando o adquiriu através de um site estranho na Internet.

Olhou novamente no relógio.

“Quatro” •
Duda: Vai logo com isso, Ted.

“Três” •
Ted: Acendeu?

“Dois” •
Duda: Está subindo.

“Um” •
Duda: Estourou!

Harry sentiu como se seu corpo tivesse liberado uma quantidade enorme de peso, ele parecia tão leve que imaginou se estava flutuando em frente a todos naquele jardim. Olhou para o céu e viu o enorme estouro de todas as cores, lembrou-se por um momento dos irmãos Weasley, perguntou-se se aquilo era obra deles. Um último enorme estouro de fagulhas brancas explodiu, mas não foi caindo para baixo como os outros, ele ficou mais tempo no ar.

Os amigos de Duda gritavam: Olhe! Aquele não funcionou. E de repente cada fagulha prateada partiu daquele ponto velozmente para um canto diferente do céu. Harry pensou se elas chegariam a contornar o planeta ao analisar a velocidade em que elas se moviam. E após o céu ficar escuro novamente ele sentiu-se muito mais seguro do que jamais se sentira em toda sua vida. Como se, dali para frente, algo pudesse protegê-lo de qualquer coisa ruim que poderia acontecer. Mas o que?

Percebeu que todos ali pareciam sentir a mesma coisa que ele, viu Duda olhar para o céu, ainda confuso com esse último estouro e dizendo meio rouco:

- Uau!

(Peguei do flog BHP15)