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Deixe que alguma coisa toque seu coração.
Não precisa ser nada aprimorado.
Não precisa ser alguém,
pretensa gente.
Mas deixa que algo toque seu peito
algum dia.
Sentir esse gosto de vermelho.
Ser de um cosmo distante,
um vislumbramento saudável,
uma crença extra-terrena.
Longe de religião
ou qualquer metafísica,
deixa-te tocar por algo concreto,
mas imperceptível a sentidos desatentos.
Deixa ser levada por alguma maré...
Ela pode te levar a tantos continentes.
Embarca num disco voador imaginativo.
Vai para outra galáxia,
visita seres mais aprimorados.
Deixa-te ser tocada pelas estrelas.
Fecha os olhos,
um instante,
no meio tarde,
sem compromisso.
Fecha eles
e te imagina no ar,
flutuando,
acima da mentira e da dor
e do padronizado.
Imagina-te bela sem corpo,
apenas sentimento
com uma razão recheada de ternura.
Imagina-te como alimento de um poema,
o mais belo jamais escrito.
Seja capaz de surpreender alguém que tu amas muito.
Escolha aleatoriamente.
Que tal uma amiga de longe?
Aprofunda idéias antes intransponíveis.
Respira um ar feito de bondade
sem superficialismo.
Tem vezes, momentos líricos que nos transformam,
que se alastram sobre as coisas,
fragilizando a maldade
até aquele momento que ela treme
e corre para outras bocas que não as nossas.
São momentos de íntimo pacto com o amor.
Não te intimides.
O barco passa pelo seu lago
e é inofensivo,
apenas quer apontar ensinamentos.
Quer te levar ao mar.
Embarca nessa utopia
maior do que qualquer indelicadeza.
Embarca nessa loucura
que arrasa a morte
e celebra a vontade de viver.
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