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entrevista traduzida com exclusividade Gerard for Rolling Stones

por cazuzarock em 03/01/08 - 22h:19m

Gerard Way deu uma entrevista muito interessante à revista Rolling Stones. O cantor fala sobre o onze de setembro, como são seus fãs, seu envolvimento com drogas e muito mais. entrevista traduzida com exclusividade Futuro da Música: Gerard Way Crescendo, como você teve o seu primeiro contato com a música? Meus pais não tinham discos, não tinham rádios e não ouviam música. Minha avó foi a minha conecção vital com a arte e a música. Ela tocava piano muito bem, e ela tinha uma perfeita entonação. Ela foi a que mais me incentivou a tentar ser o Peter Pan, e eu acabei conseguindo. Quando eu fiz o papel, eu percebi que eu podia cantar, o que foi bem interessante. Como os jovens se ligam com a música de vocês? Eu sempre vi o My Chemical Romance como a banda que teria representado quem eu e meus amigos fomos no ensino médio, e a banda que nós não tínhamos que nos representar – eles mesmos o faziam - de volta pra eles. Quando eu estava na escola não haviam muitos outros além de Smiths e The Cure, o que era ótimo, mas muitas dessas bandas tinham se separado, ou não faziam tours. Não houve uma nova era da música que nos representou. Como você descreveria os jovens que amam a sua banda? Extremamente criativos, inteligentes, expressivos e muito individuais, além de gostarem de vestir preto. Eles vêm de todo lugar, e nas suas cidades natal eles são provavelmente os únicos jovens que são assim, mas quando eles vêm pros nossos shows são todos os mesmos. Um dos melhores exemplos que eu posso dar é, “Eu conheci o meu melhor amigo em um de seus shows”, ou, “Eu conheci meu melhor amigo navegando pela internet, tentando ir para o seu show”. Isso é legal, porque eu não tinha isso. Eu não conseguia achar nenhum fã de NOFX na minha área. A tecnologia da internet parece ter ajudado sua música. Como isso “machuca” a música? Até eu esqueço de ir em lojas de cd. Nos próximos cinco ou dez anos, crianças que estarão crescendo nunca terão ido a uma loja de cd. Isso é uma coisa louca. Faz a música ser um pouco mais descartável, faz a arte e as embalagens um pouco mais inválidas, o que é péssimo. Não há nada melhor do que segurar algo físico. Eu amava a descoberta de comprar música unicamente, fora da embalagem, o nome da banda, o nome das músicas. Os álbuns do Pink Floyd sempre me pegavam – Wish You Were Here, Animals, Dark Side – ou o Good Riddance 7, com uma foto distorcida de um bebê na capa. Eu lembro de ter me apaixonado pelo [Smashing Pumpkin’s] Gish, e então contar os dias até o Siamese Dream sair, e levar longas horas numa viagem de ônibus até o shopping para comprar. Era um sentimento incrível, foi algo que eu investi. Que artista você vê como importante para o futuro da música? Conor Oberst. As letras dele são fenomenais. Eu acho que ele fala da nossa geração. Ele começou como um menino jovem e bravo de Omaha, Nebraska. De lá ele foi para o mundo e excursionou, fez show, e então aquela coisa nas suas letras, e agora ele está voltando a ser um pouco mais humano, com menos comentários sociais. Eu amo tudo. Ele fala por mim. Quais são os problemas que mais afetam o mundo hoje em dia? Eu podia alfinetar certas figuras políticas, eu poderia falar sobre a guerra, armas e aquecimento global, mas há também o jeito que as pessoas tratam as pessoas. Esse é o problema. As pessoas se envolveram em algo egoísta, ganancioso e intolerante. Pessoas não são aceitas por causa de religião, raça, gênero, orientação sexual? Tenho visto isso em clubes punks e no mundo. Como ex-usuário de drogas, como você encara o ditado, “sexo, drogas e rock & roll”? É um dinossauro em cada vida. Se nós, como músicos, pudéssemos evoluir passado disso, podíamos ter feito algo bem melhor. Não é só eu falando como alguém que ficou limpo e sóbrio – não tem nada haver com isso. Quando eu abusava das drogas, a fascinação de destruição me mantinha. É algo bem romântico sobre destruição e sabotagem da sua própria vida, e levando um martelo consigo. Honestamente, é besteira. Isso não significa que nós não podemos ser doidos e expressivos e incríveis ou que nós termos que nos comportar, porque somos todos artistas e porcos de alguma maneira, mas você pode tratar as pessoas com respeito e sua vida com respeito. Você é otimista em relação ao futuro? Completamente. Eu sempre tive fé no mundo. Quando eu tinha quinze anos, fui surpreendido com uma .357 Magnum, tinha uma arma apontada na cabeça, deitado no chão, execução de estilo. Não importa o quão feio o mundo fique ou quão estúpido me mostre que é, eu sempre tenho fé. Os eventos depois do onze de setembro, os momentos da tragédia quando as pessoas mostravam suas cores e pulavam juntas, renovaram a minha fé.