22/08/06 - 00h:27mDenunciar

°°° Maria Zilda e Cazuza °°°

ººº Um homem pode se afobar e pegar o caminho errado, homem que é homem volta atrás mas não se arrepende de nada, sabe que a vida é pra lutar contra um dragão invisível que mata os sonhos mais banais que acha que é tudo impossível ººº





O poeta de sua geração



[Nelson Motta]



A primeira lembrança que tenho de Cazuza é a de um pouco mais que adolescente, animadíssimo, bebendo, dançando e falando alto: um dos freqüentadores-emblema da Frenetic Dancin'Days Discoteca, que abri no Shopping da Gávea em meados dos anos 70 e foi a primeira discoteca brasileira. Lá, Cazuza fervia todas as noites e penso mesmo que receberia o troféu de assiduidade, caso existisse algo semelhante naqueles tempos de loucura e dança. Simpático, alegre, superbonitinho, vejo-o ainda na pista rodopiando. Vejo a casa quase vazia nos fins de noite e ele lá, rindo e dançando, sempre dos últimos a sair, sabe-se lá para onde.



O Dancin' acabou após três meses de festa ininterrupta e Cazuza seguiu. Pouco depois me chegou, através de Ezequiel Neves, um cassete de uma nova banda de rock. Ouvi e gostei, gostei muito; gostei especialmente das letras, vivas, modernas, furiosas, surpreendentemente maduras e ao mesmo tempo mantendo o frescor e a fúria dos muito jovens. Eram Cazuza e o Barão Vermelho. Gostei tanto que uma tarde, indo à Som Livre, acabei mostrando para o Guto Graça Mello, que era o diretor artístico, sem dizer quem cantava e fazia as letras da banda. Ele também ficou muito impressionado, e muito mais quando eu lhe disse quem era. Era do filho do dono da gravadora, que nem desconfiava que tinha em casa um daqueles talentos raros e claros que as grava doras tanto procuram. Na minha frente, Guto pegou o telefone e falou a João Araújo sobre a nova banda com grande entusiasmo. Não vi a cara do João do outro lado da linha, mas posso imaginar a sua expressão quando, ao final de seu testemunho entusiasmado, Guto lhe disse que se tratava de Cazuza. Foi lindo, como um filme, cenas de antinepotismo explícito, com final surpreendente e feliz: Cazuza e o Barão Vermelho contratados pela Som Livre.



Alguns meses depois, saiu o disco e me impressionei tanto com a crueza delicada dos versos de Cazuza, com sua suave contundência, com seu estilo forte e original que, quando ele apareceu na noite de autógrafos de meu livro Música, humana música, não hesitei em colocar na dedicatória: "Para o maior poeta de sua geração..."



E era mesmo.



Segui acompanhando a evolução de seu trabalho com crescente entusiasmo e vendo que a dedicatória que eu lhe tinha escrito com pretenso sentimento de profecia era apenas uma constatação do óbvio.





*** Depois continuo o texto ***



ººº Um homem pode se afobar e pegar o caminho errado, homem que é homem volta atrás mas não se arrepende de nada, sabe que a vida é pra lutar contra um dragão invisível que mata os sonhos mais banais que acha que é tudo impossível ººº



Beijos para todos !!

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