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O mal que me espreita.

por cisconozoio em 01/05/05 - 18h:00m

O mal que me espreita.
Ricardo Gondim Rodrigues

“Se você fizer o bem, não será aceito?
Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta;
ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo". (Gênesis 4.7).

Tanto o mal como o bem crescem dentro de nós.
Recordo-me do filme a Lista de Schindler. Na trama há dois personagens:
Oskar Schindler e um oficial nazista. Ambos principiam o filme, hesitantes.
Schindler faz o bem, mas o faz por egoísmo; salva os judeus para ter uma
mão de obra mais barata em sua fábrica. O soldado nazista faz o mal por
mera obrigação militar. Mas no final do filme, Schindler se deixou tanto invadir pelo bem,
que não consegue mais parar de salvar vida e de se angustiar pela sorte dos que seguiam para as câmaras de gás.
O soldado se contaminou tanto pelo mal que agora mata por diletantismo.

Quando Caim assassinou Abel, Deus lhe disse que de agora em diante o mal estaria à sua porta, o espreitando.
Pois assim é: quando praticamos o mal, ele se torna cada vez mais fácil, mais apetitoso, mais generoso.
Quando exercitamos o bem, ele se torna igualmente mais natural. O pior dano que advém da maldade
é que ficamos mais próximo da próxima perversidade. A maior recompensa em praticarmos o bem é que
ficamos mais próximos da próxima virtude. Depois que alguém mata pela primeira vez, a segunda
torna-se bem menos traumática. Depois que alguém ama, o próximo gesto de ternura torna-se bem mais fácil.

Por isso permitamos que tudo o que é digno, de boa fama e louvável domine os nossos pensamentos,
pois essas virtudes se espalharão em nosso ser e o bem não requererá muito esforço, virá naturalmente.