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3. O PRINCIPIO (03/05/2011)
por clatoreador em 3/05/11
Eu suponho que devemos começar com o básico. Eu sou de fato um vampiro, trazido para este estado de existência no Ano da Graça de 1796 por uma mulher que me foi apresentada, muito pomposamente, como "dama da noite". O cavalheiro que nos apresentou — um de seus criados, como descobri mais tarde — tinha um estranho senso de humor.
Mas, estou divagando. Sim, eu bebo sangue humano. Sem a nutrição que ele fornece, definharei; com ele, viverei para sempre. Sim, para sempre. A menos que eu seja destruído (e destruir um dos Amaldiçoados é uma proeza e tanto, posso lhe assegurar). Nós, os vampiros, somos tão imortais quanto a lenda diz. Somente o sol e as emoções que ele engendra permanecem para sempre alheias a nós. Nós, os vampiros, podemos beber nas noites de incontáveis eras, podemos permanecer imutáveis enquanto tudo o que conhecemos vira pó ao nosso redor e é substituído por outro cenário, que por sua vez vira pó, e assim por diante...
Oh, perdi novamente o fio da meada. Sangue, oh sim, o sangue. Posso subsistir com o sangue de animais (com exceção dos mais antigos de nossa espécie, a maioria de nós pode) mas esta dieta é desagradável. Insípida.Não, todos queremos nos alimentar das melhores safras, pois, do contrário, fica-se o tempo todo com aquela insuportável e dolorosa sensação de estômago vazio. E, quanto mais famintos, pior ela fica. E devo acrescentar: um vampiro que vive sem se alimentar direito está sujeito a demonstrar uma lamentável carência de autocontrole.
Existem outros indícios fisiológicos reveladores da minha condição. Meu coração não bate; minha força de vontade é o que leva o sangue pelo meu corpo. Meus órgãos interno para todos os efeitos, há muito estão atrofiados, mas isso não fará diferença para um médico-legista, pois assim que eu estiver realmente morto, irei rapidamente me decompor em pó. Além disso, não sou incomodado por ninharias como respiração, temperaturas extremas e outras coisas, pois a minha pele é fria, a menos que eu me empenhe em aquecê-la, mas isso representa um esforço que me faz desperdiçar o precioso sangue. Para mim, comida normal representa uma abominação, e ela não permanece por mais do que alguns segundos no que resta de meu estômago. Mesmo com a eternidade à minha frente, minha querida, tenho mais o que fazer com o meu tempo do que debruçar-me sobre latrinas, fazendo esforço para que os pedaços de carne caiam dentro do vaso.
Assim, em termos leigos, pode-se dizer que não sou mais um ser humano. Para todos os efeitos, sou um simples sanguessuga, um cadáver ambulante, indistinguível de outro corpo em um necrotério a não ser que eu me mova. Eu guardo as sutilezas, como aquecer minha pele e me lembrar de piscar, para conseguir companhia, como você.
Agradeça, minha querida. Manter-me com a pele fresca e corada para você esta me custando mais do que você pensa.
Ah, vamos falar um pouco mais sobre sugar o sangue, o ato que define o meu estado atual. Sim, temo que isso seja uma necessidade, embora seja possível deixar a presa viva. Isso requer um pouco de autocontrole e um pequeno esforço para fechar a ferida — e não, nem todos nós sugamos da jugular. Você pode riscar outro clichê da sua lista. O problema em deixar uma presa viva, no entanto, é que a menos que usemos certas... proteções, ela se lembrará. Essas brechas
na Mascara não são vistas com simpatia pelas forças vampíricas. Portanto, geralmente é mais sensato simplesmente matar.