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Vôlei perde espaço no Brasil

por cris100rumo em 17/01/06 - 06h:43m

Planeta vôleim - Mauricio Jahu

Vôlei em queda no Brasil

Que o Brasil é supercampeão no vôlei na quadra e na praia, ninguém duvida. Que a Seleção Brasileira tem colecionado títulos e mais títulos nos últimos anos, também. Talvez, o maior campeão em todos os esportes e categorias no país. Mas o que muita gente não sabe é que o vôlei, apesar de tantas conquistas no exterior, está perdendo espaço para outros esportes no Brasil.

Vamos começar pelo interior do estado de São Paulo, onde o vôlei sempre foi muito praticado. Hoje, os números são alarmantes. Segundo dados da Secretaria Estadual de Esportes e Cultura, nas oito sedes dos Jogos Regionais de 2005, o vôlei caiu de primeiro para terceiro lugar em número de participantes: 5.600.

Quem lidera o ranking é o handebol com 6.500 participantes, seguido do basquete. O vôlei de praia, que foi incluído há pouco, fica atrás da natação, tênis de mesa e biribol. Isso é reflexo também da maior prática esportiva dessas modalidades em escolas municipais e estaduais.

O vôlei depende, nos últimos anos de projetos isolados de pessoas apaixonadas: ex-jogadores, técnicos e dirigentes. E convenhamos: isso é muito pouco para um esporte com tantas conquistas. De positivo mesmo, o projeto VivaVôlei da CBV, que atende 60.000 crianças.

O reflexo imediato é o pequeno número de participantes na Superliga e também nos campeonatos estaduais. O Paulista teve poucos participantes e ainda contou com três equipes de outros estados. O Mineiro feminino só teve quatro times.

Com poucas equipes e com baixa divulgação, o reflexo imediato é a evasão de torcedores dos ginásios. Por enquanto, só os mineiros estão incentivando. No mais, o total de público das primeiras rodadas da Superliga tem sido inferior à média de público, por exemplo, do Campeonato Italiano. Na quarta rodada, em Santo André, na ABC paulista, apenas 70 torcedores acompanharam a vitória do time da casa diante de São Caetano.

Em boa parte dos jogos da Superliga, o número de torcedores não passa dos 150, 200. Os números mostram que, não bastam apenas títulos e sim um trabalho de massificação a médio e longo prazo. É preciso, com certa urgência, aumentar o espaço dos campeonatos nacionais nas TVs para as equipes e jogadores se tornarem mais conhecidos.

Todos os esportes, exceto o futebol, sofrem do mesmo problema no Brasil: falta de visibilidade na mídia. O vôlei não foge à regra. A TV aberta não transmite a Superliga, o melhor campeonato do país, o que afasta o torcedor.

Sem identificação com clubes e atletas, a maioria dos torcedores nem sabe sequer onde seu ídolo está jogando ou que equipes estão disputando o campeonato. Com pouca mídia, os investimentos também diminuem, aumentando o êxodo de atletas para equipes do exterior.

Por isso também, atualmente, no vôlei, cerca de 250 atletas e técnicos brasileiros estão trabalhando no exterior. Esse é o verdadeiro reflexo desse êxodo enorme. Ou mudamos o rumo das coisas ou o vôlei vai continuar perdendo mais espaço para outros esportes no Brasil nos próximos anos.

Principalmente porque, aqui no Brasil, a Seleção de vôlei é uma realidade bem diferente do vôlei dos clubes. É bom lembrar que, a Seleção Brasileira só existe por conta do movimento dos clubes e atletas que militam nesse esporte. Ou por acaso, Giba, Gustavo, Ricardinho e companhia foram revelados na Seleção?