O Colonialismo na África
África do Sul
A Africa do Sul sob o apartheid
O Nacionalismo Africâner
O General Louis Botha liderou o primeiro governo da nova União junto com o General Jan Smuts. Seu partido nacional Sul-Africano, mais tarde conhecido como o South African Party ou SAP, seguiu uma conduta pró-britânica de unidade branca. Os Bôeres mais radicais dividiram-se sob a liderança do General Barry Hertzog, formando o Partido Nacional (NP) em 1914. O PN promovia os interesses Africâneres, defendendo o desenvolvimento separado para os dois grupos brancos e a independência da Grã-Bretanha.
A nova União não tinha lugar para os negros, apesar de constituírem mais de 75 por cento da população. O Act of Union negou-lhes o direito de voto nas áreas do Transvaal e do Estado Livre de Orange. Na Província do Cabo negros só obtinham o direito de votar se possuíssem um certificado de propriedade. Os negros perceberam a traição flagrante do governo em conceder o direito ao voto que havia sido garantido pelos britânicos para acabar com a "Escravidão Boer" durante a guerra mundial.
A União já havia adotado bem antes uma barreira de legislação opressiva, tornando ilegal o direito à greve aos trabalhadores negros, reservando empregos qualificados para brancos, banindo os negros do serviço militar e instituindo leis restritivas de circulação. Em 1913 o Parlamento promulgou a Natives' Land Act, a lei das terras nativas, deixando apenas oito por cento das terras da África do Sul para ocupação da população negra. Os brancos, que constituíam apenas 20 por cento da população possuíam 90 por cento das terras. Os negros africanos não poderiam comprar ou alugar terras ou até mesmo trabalhar em plantios de quotas fora de sua área designada. As autoridades despejaram milhares de agricultores das suas propriedades, concentrando-os em reservas cada vez mais superlotadas e empobrecidas, ou nas cidades, rebaixando-os ao status de trabalhadores sem terras.
Discriminação Legalizada
De 1948 até 1991, as sucessivas administrações do Partido Nacional formalizaram e ampliaram o sistema legalizado de discriminação racial e negação dos direitos humanos do apartheid. Embora ocorressem muitos acontecimentos importantes durante este período, o apartheid manteve-se como sistema central em torno do qual girava na maioria das questões históricas deste período, compreendendo os conflitos violentos e a militarização da sociedade sul-africana.
Em meados da década de 1980, centros de administração conjunta, Joint Management Centres (JMCs), operando em áreas que consideravam de "alto risco" designadas pelo Estado nada menos do que 34, tornaram-se o elemento-chave dentro de um sistema de gerenciamento de segurança nacional. Os policiais e militares que controlavam essas áreas foram dotados de poder na tomada de decisões em todos os níveis, desde o Gabinete aos governos locais.
Ao mesmo tempo a polícia, o exército e os esquadrões da morte patrocinado secretamente pelo Estado conduziam os assassinatos dos dissidentes e ativistas. Em meados de 1987, a Comissão de direitos humanos tinha conhecimento de pelo menos 140 assassinatos políticos no país, enquanto cerca de 200 pessoas morriam nas mãos dos agentes sul-africanos nos Estados vizinhos. Os números exatos de todas as vítimas nunca foram conhecidos. A censura estrita proibia os jornalistas relatar, filmar ou fotografar tais incidentes, enquanto o governo criava o seu próprio programa de desinformação escondendo os números reais de assassinatos extrajudiciais.
Além disso, os grupos vigilantes patrocinados pelo Estado realizaram ataques violentos a comunidades e líderes comunitários relacionados com a resistência ao apartheid. Os ataques foram então falsamente atribuídos à violência de "negros contra negros" ou às facções dentro das comunidades. A Comissão de verdade e reconciliação (Truth and Reconciliation Commission - TRC) criaria em seguida uma rede secreta e informal da anterior para servir ao exército e polícia, atuando frequentemente em conjunto com elementos do extremos-direita, foi envolvida em ações que fomentavam a violência e que resultaram em violações dos direitos humanos, incluindo assassinatos aleatórios e direcionados.
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