Penso, logo existo!
Oração sem Nome
O autor desse poema, que o sabe?
Foi encontrado em pelono campo de
batalha, no bolso de um soldado
americano desconhecido; do rapaz
estraçalhado por uma granada,
restava apenas intacto esta folha
de papel.
Escuta, Deus:
Jamais falei contigo
Hoje quro saudar-te. Bom dia! Como vais?
Sabes? disseram-me que tu não existes,
e eu, tolo, acreditei que era verdade
Nunca havia reparado a tua obra.
Ontem à noite, da trincheira rasgada por granadas,
vi teu céu estrelado e compreendi então que me enganaram.
Não sei se apertarás a minha mão.
Vou te explicar e hás de compreender.
É engraçado: neste inferno hediondo.
Achei a luz para enxergar o teu rosto.
Dito isto, já não tenho muita coisa a te contar:
Só que... que... tenho muito prazer em conhecer-te.
Faremos um ataque à meia-noite.
Não sinto medo.
Deus, sei que tu velas...
Ah! É o clarim! Bom Deus, devo ir embora.
Gostei de ti... vou te saudade... Quero dizer:
Será cruenta a luta, bem o sabes.
E esta noite pode ser que eu vá bater-te à porta!
Muito amigos não fomos, é verdade.
Mas... sim, estou chorando!
Vês, Deus, penso que já não sou tão mau.
Bem, Deus, tenho de ir.
Sorte é coisa bem rara:
Juro, porém: já não receio a morte.
Pense!!!
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1. Pedros 21/08/2005 - 22h43m
Bom, o que falar?