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Pesquisa revela o mapa da violência contra a mulher na Baixa

por djgnomo em 10/03/05 - 18h:52m



Dados preliminares da pesquisa mostram que 34,1% dessas mulheres sofreram nos últimos 12 meses algum tipo de violência por parte do marido ou companheiro; 33,5% sofreram algum tipo de violência psicológica (ameaça de agressão física, insulto, humilhação); 7,7% sofreram violência física e 4,3% violência sexual por parte deles.

A pesquisa sobre mulher e violência doméstica foi a campo entre os meses de outubro e novembro de 2004 e entrevistou 600 mulheres entre 18 e 55 anos de idade, residentes em nove bairros de quatro municípios da Baixada Fluminense: Chatuba e Santa Therezinha, em Mesquita; Olavo Bilac e Centenário, em Duque de Caxias; Lote XV, Heliópolis e Xavantes, em Belford Roxo; Jardim Metrópole e Coelho da Rocha, em São João de Meriti.

Entre aquelas que foram agredidas fisicamente pelo marido ou companheiro, 83,7% disseram que os filhos presenciaram a agressão. A maior parte delas, 52,2%, diz que o companheiro fica mais violento quando bebe e 45,7% não souberam especificar a razão da violência do parceiro. Além disso, 63% não pedem nenhum tipo de ajuda e apenas 15% chegaram a procurar a Delegacia Especial de Atendimento a Mulher (DEAM).

Outros pontos importantes revelados pela pesquisa é que a violência contra as mulheres se estende também aos familiares: 21,7% disseram que o marido ou companheiro agressor também agride os filhos. A maior parte delas - 89% - acha que é obrigação do governo punir o agressor. Dessas mulheres, 34,8% tiveram um casamento anterior e entre elas a maioria, 68,8%, também sofreu violência por parte do antigo companheiro.

Violência passa de mãe para as filhas

A pesquisa verificou também um histórico de violência na vida dessas mulheres: 15,7% delas disseram que o sogro batia na sogra; 27% dizem que o pai ou padrasto batia na mãe e 23,2% dizem que presenciaram as agressões. Além disso, 68% revelam que apanhavam antes dos 15 anos de idade: 55,2% apanhavam da mãe, 27,8% do pai ou padrasto, 6,3% de ambos (pai e mãe); e 7,5% dizem ter sido forçadas a ter alguma experiência sexual antes dos 15 anos de idade.

A pesquisa, realizada pela consultora chilena Soledad Larrai, é parte do programa Nova Baixada, do governo do Rio, para traçar o mapa da violência na região. O diagnóstico do tipo de agressão que vem sendo praticada contra as mulheres será usado como base das ações públicas de prevenção.