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História do Ramo Sênior

por escoteiros em 19/11/05 - 11h:49m

Ramo Sênior: O último a ser criado

O primeiro ramo criado por B-P foi o ramo Escoteiro, o ramo mais conhecido por todos. Mais tarde pensou em criar um escotismo para os mais jovens e criou algo que atendesse a meninos com menos de 11 anos, usando para isso como fundo de cena o Livro da Jângal – estava criado o Ramo Lobinho. Da mesma forma também estudou e pesquisou as características dos jovens com mais de 18 anos e criou o Ramo Pioneiro.

Já no final da década de 1910, notou-se um crescente número de jovens de 16-17 anos que abandonavam e Escotismo. Baden-Powell preocupou-se, estudou o assunto e chegou à conclusão que o Programa Escoteiro já não satisfazia os jovens mais velhos, que ainda não tinham idade de pioneiros.

As primeiras referências ao ramo surgem em dezembro de 1914, em um artigo de B-P intitulado "Senior Scouting", analisando a retenção do rapaz com mais de 14 anos, face à crescente falta de interesse dos mesmos.

Mas era então apenas um "endurecimento" do programa para escoteiros, criando um novo uniforme, e o artigo incita-os a serem os verdadeiros cadetes da cidadania, do comércio e da indústria.

Observem que B-P, em 1914, desejava um Seniorismo profissionalizante, pelo que facilmente se deduz de suas palavras. Mas foi criado então o ramo Pioneiro, como já disse, especialmente para os jovens voltando da 1ª Grande Guerra.

Isto ainda não atendia àquele jovem saturado de ser escoteiro, mas ainda sem a maturidade necessária a um Pioneiro. A solução só viria em 1930, depois de prolongados estudos, na forma do Escotismo Sênior, com idades entre 15 e 18 anos, chamando-se então Explorer Scout, somente vindo a se usar o termo Sênior em 1942.

O Sistema de Patrulha, carro chefe do Ramo Escoteiro, foi programado para funcionar com jovens mais velhos na liderança, portanto, os Monitores eram Escoteiros de 15,16 anos e muitas vezes 18 anos !

Em 1944 os escoteiros do Fluminense Football Club solicitaram licença a UEB para criar o Escotismo Sênior no seu grupo. Foi então fundada a primeira Tropa Sênior do Brasil.

Em 1945, com aprovação da UEB, criou-se no Rio de Janeiro a primeira Tropa Sênior do Brasil no 1º G.E. Guilhermina Guinle(atual 1º G.E. João Ribeiro dos Santos), sob a direção de João Ribeiro dos Santos. Logo em seguida o Ramo começou a se desenvolver em todo Brasil.

Entretanto, quando se criou o Ramo Sênior o que ocorreu inicialmente foi apenas a separação por faixas etárias: Escoteiros 11 a 15 anos e Seniores 15 a 18 anos. O adestramento, com exceção das Especialidades, continuou o mesmo nos 2 Ramos durante praticamente 30 anos!

O Sênior era (em alguns lugares ainda é) visto como um escoteiro grande. Foi necessário um longo tempo até que se criasse um programa específico para o ramo. Os Cursos de Formação de Chefes do Ramo Escoteiro enfocavam suas atividades da mesma forma, pois não havia Curso para Chefe Sênior.

O Curso Básico (CB) foi criado na década de 60, portanto cerca de 15 anos após. Enquanto isso, todo o enfoque do CA Escoteiro era exatamente como tivéssemos Monitores de 15 e 16 anos - trabalhos com cordas, grandes pioneirias, grandes projetos de patrulha, cozinha a lenha, ”mensagens a Garcia” (o famoso virem-se ! )

Somente em 1946 o Escotismo Sênior foi oficializado como um novo ramo na Inglaterra e no Brasil, mas encontrou oposição ferrenha por parte de vários países, como por exemplo à França, que fez experiências com "Raider Scouts", ramo que não fez sucesso provavelmente por não ser realmente um ramo separado. Citamos ainda o fato que vários estados brasileiros se recusavam a aceitar o novo ramo por ainda muito tempo (em 1975 ainda havia Chefe de Grupo que não aceita o ramo no grupo "dele"), e vemos a confusão formada. Ainda há países que não trabalham com o Seniorismo.

Em 1975 ocorreu no Rio de Janeiro o 1º Curso Avançado Sênior do Brasil, e a partir daí uma consciência de definição do Programa do Ramo Sênior passou a ficar mais clara. Surgiu logo após uma Comissão de Chefes criada pela UEB que estudou o Adestramento Sênior que foi totalmente diferenciado do Ramo Escoteiro após sua aprovação.

A idéia do Seniorismo inevitavelmente pegou, pois era uma necessidade natural, como foi a co-educação. Mas o ramo só veio a ser universalmente aceito na década de '60. Do antigo uniforme Sênior, vistoso, com dragonas nos ombros, surgiu, em 1975, um mais simples, e menos militarizado.