7/05/12 15:44Denunciar

Espiritismo do início até agora!

78. Os incrédulos também objetam que o fato da suspensão da mesa sem ponto de apoio é impossível, porque é contrario á lei da gravidade. Responderemos, desde logo, que sua negação não é uma prova; em segundo lugar, que, se o fato existe, por mais contrario a todas as leis conhecidas, isso provaria uma coisa: que repousa sobre uma lei desconhecida e que os negadores não podem ter a pretensão de conhecer todas as leis da natureza. Acabamos de explicar esta lei, mas não é uma razão para que seja aceita por eles, precisamente porque foi dada pelos Espíritos que tiraram sua roupa terrestre, em lugar de ser por espíritos que a têm ainda e que se sentam na academia. De tal sorte que se o Espírito de Arago vivo, o grande filósofo da antiguidade, tivesse apresentado essa lei, a teriam aceito de olhos fechados; mas dada pelo Espírito de Arago morto, é uma utopia, e por que isso? Porque crêem que estando Arago morto, tudo está morto nele, conforme crêem alguns religiosos, que morrendo tudo se acaba. Não temos a pretensão de dissuadi-los disso; entretanto, como esta objeção poderia embaraçar certas pessoas, vamos ensinar em respondê-la, desde seu ponto de vista, quer dizer, fazendo abstração, por um instante da teoria da animação factícia.
79. Quando se faz o vácuo sob a campana da maquina pneumática, esta campana adere com uma tal força que é impossível levantá-la por causa do peso da coluna de ar que pesa sobre ela. Que se deixa entrar o ar, e a campana se levanta com a maior facilidade, porque o ar de baixo faz contrapeso com o ar de cima; entretanto, abandona a si mesma ficará sobre o prato em virtude da lei da gravidade. Agora, que o ar de baixo seja comprimido, que tenha uma densidade maior que a de cima, e a campana será erguida malgrado a lei da gravidade; se a corrente de ar for rápida e violenta, poderá ser sustentada no espaço sem nenhum apoio visível, á maneira desses bonecos que se faz voltear sobre um jato de água. Por que, pois, o fluido universal, que é o elemento de toda matéria, estando acumulado ao redor de mesa, não teria a propriedade de diminuir-lhe ou aumentar-lhe o peso especifico relativo. Como o ar o faz com a campana da maquina pneumática, como o gás hidrogênio o faz com os balões, sem que sejam, por isso, derrogadas as leis da gravidade? Conheceis todas as propriedades e toda a força desse fluido? Não; muito bem! Não negueis, pois, um fato porque não podeis explicá-lo.
80. Voltemos á teoria do movimento da mesa. Se, pelo meio indicado, o Espírito pode levantar uma mesa, pode levantar qualquer outra coisa: Uma poltrona, por exemplo. Se pode levantar uma poltrona, pode também, com uma força suficiente, levantar, ao mesmo tempo, uma pessoa sentado nela. Eis, pois, a explicação desse fenômeno que o Sr. Heme produziu cem vezes, em si mesmo e sobre outras pessoas; ele o renovou durante uma viagem a Londres, e a fim de provar que os espectadores não eram joguete de uma ilusão de ótica, fez no teto uma marca com lápis, e passou sob ela. Sabe-se que o Sr. Home é um poderoso médium para os efeitos físicos; era, nesse caso, a causa eficiente e o objeto.
81. Faz um momento, falamos do aumento possível do peso; com efeito é um fenômeno que se produz algumas vezes e que a prodigiosa resistência da campana sob a pressão da coluna atmosférica. Viram-se, sob a influencia de certos médiuns, objetos bem leves oferecerem a mesma resistência, depois, de repente, cederem ao menor esforço. Na experiência acima, a campana não pesa, na realidade, por si mesma, nem mais nem menos, mas parece mais pesada pelo efeito da causa exterior que age sobre ela; provavelmente o mesmo ocorre aqui. A mesa tem sempre o mesmo peso intrínseco porque sua massa não aumentou, mas uma força estranha se opõe ao seu movimento e esta causa pode estar nos fluidos ambientes que a penetram, como a que aumenta ou diminui o peso aparente da campana está no ar. Fazei a experiência da campana pneumaticadiante de um camponês ignorante, e não compreendendo que é o ar que não vê. Que age não será difícil persuadi-lo de que é o diabo. Dir-se-á talvez, que sendo esse fluido imponderável, seu acumulo não pode aumentar o peso de um objeto: de acordo, mas notai que, se nos servimos da palavra acumulo foi por comparação e não por assimilação absoluta com o ar; ele é imponderável, seja; entretanto, nada a prova; sua natureza intima nos é desconhecida e estamos longe de conhecer-lhe todas as propriedades. Antes que se tivesse experimentado o peso do ar, não se suspeitava do peso desse mesmo ar. A eletricidade está também alinhada entre os fluidos imponderáveis; entretanto, um corpo pode ser detido por uma corrente elétrica e oferecer uma grande resistência aquele que queria levantá-lo; é, pois, que se tornou aparentemente mais pesado. Porque não se vê o suporte, seria ilógico concluir que não existe. O Espírito pode ter, pois, alavancas que nos são desconhecidas; a natureza nos prova, todos os dias, que sua força não se detém no testemunho dos sentidos. Não se pode explicar, senão por uma causa semelhante, o fenômeno singular, do qual se viram muitos exemplos, de uma pessoa jovem, débil e delicada, levantando com dois dedos, sem esforço e como uma pluma, a um homem e robusto com o assente em que estava. O que prova uma causa estranha á pessoa, são as intermitências da faculdade.
MANIFESTAÇOES FISICAS ESPONTÂNEAS.
82. Os fenômenos de ruídos, de perturbações, de levantamento de objetos e de transportes, são provocados; mas ocorre algumas vezes que se dão espontaneamente, sem participação de uma vontade; longe disso, uma vez que, freqüentemente, tornam-se importunos. O que exclui, de outra parte, o pensamento de que pode ser um efeito da imaginação supracitada pelas idéias espíritas, é que se produzem entre pessoas que delas jamais ouviram falar e no momento em que menos o esperavam. Esse fenômeno, que se poderia chamar o Espiritismo de prática natural, são muito importantes, visto que não podem ter suspeita de conivência e nem de fraude alguma; por isso, convidamos as pessoas que se ocupam com os fenômenos espíritas a registrarem todos os fatos desse gênero que vierem ao seu conhecimento, mas, sobretudo, a lhes constatarem, com cuidado, a realidade por um estudo minucioso das circunstâncias, a fim de se assegurarem não ser joguete de uma ilusão ou de uma mistificação.
83. De todas as manifestações espíritas, as mais simples e as mais freqüentes são os ruídos e as pancadas; é aqui, sobretudo, que é necessário temer a ilusão, porque uma multidão de causas naturais pode produzi-los: o vento que silva ou que agita um objeto, um corpo que se desloca por si mesmo sem que se perceba, um efeito acústico, um animal escondido, um inseto e outros; até mesmo as travessuras de um Espírito brincalhão; Os ruídos Espíritas têm, alias um caráter particular, revelando uma intensidade e um timbre muito variado, que os tornam facilmente reconhecíveis e não permitem confundi-los com o estalido da madeira, o crepitar do fogo ou o tic-tac monótono de um pêndulo; são golpes secos e surdos, fracos e leves, claros e distintos algumas vezes barulhentos que mudam de lugar e se repetem sem terem uma regularidade mecânica. De todos os meios de controle mais eficazes, o que não pode deixar dúvida sobre sua origem é a obediência à vontade. Se os golpes se fazem ouvir no lugar designado, se respondem ao pensamento por seu número ou sua intensidade, não se pode desconhecer neles uma causa inteligente; mas a falta da obediência nem sempre é uma prova contrária.

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