Asas da desdita ilusória indistinção
Teu sorriso é a luz que trás trevas a minha visão, me faz o subir leve de seu lábio superior, revelador discreto de suave traço vermelho rosado celestiando os dentes em ar cândido de leve desdém, cativo confuso, quiçá temporário, refém.
Teu sorriso é a longevidade amarga dos meus dias, o propulsor franco que me lança ao abismo da angústia.
Teu sorriso é a riqueza que empobrece minha alma, de convidativo acolhedor me leva ele à solidão, e nele e dele recebo o encontro entre paz e guerra de lembranças tão maravilhosas que a dor me aperta o coração.
Teu sorriso tão saudoso, que de tão ardilosamente belo, maldoso, adornado na sua insistência rara em um pouco o direito canto superior de seu lábio elevar, é o cuidadoso, porém fatal camuflado charme em sua boca envolta em pele morena há qual um dia, perdido nos anos, com amor, insisti em beijar.
Teu sorriso é o cerne que desejo arrancar, a memória que desejo novamente apagar, pois a vida, brindando-me com suas divinas ironias me refez a encontrar. E da semelhança à lembrança de pseudas coisas e temporária amnésia do que realmente é real, não entendo... Não me entendo.
Teu sorriso é a claridade que esconde meus sonhos assassinados, o orgulho que se transformou na vergonha da dor, tristeza, humilhação e troca.
Teu sorriso é a janela que impede momentaneamente o vislumbre da sua fria alma.
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