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A dama da foice [MT MASSA]
por fansdolinkin em 26/08/05 - 21h:01m
“A Dama da foice”
Ela te aguarda...
Ansiosa, numa esquina qualquer.
Ela te aguarda...
Faminta, num leito silencioso, de algum triste quarto de hospital.
Sim... Ela te aguarda...
Escondida, na mordida de um alimento envenenado qualquer.
Ela te aguarda... [Ela só vive, para te esperar]
Sombria e impetuosa, no fogo reluzente, proveniente de alguma mão, estupidamente humana.
Ela te aguarda...
Resignadamente, do alto de um edifício. [Impetuosamente, para empurra-lo]
Ela te aguarda...
A todos os instantes.
Em qualquer momento.
Quando você menos espera;
Quando você menos deseja.
Ela chega...
E te leva;
Para não se sabe onde.
Para onde se duvida.
Para onde...
Não se deveria chegar.
Ela te arrasta...
Finalmente, ela te arrasta.
Para próximo de seus medos, anseios.
Bem de repente... [A resposta de tudo, ao seu alcance]
Ela leva...
Para onde, não se poderia levar.
Para onde, o vazio total habita...
Para onde indagamos:
Porque vivemos tudo aquilo, então?
Porque amamos todos aqueles, então?
...Estúpido e cruel demais, acreditar.
Talvez, estivesse a todo o momento em nosso olhar...
A pura lógica, de “não realmente estar”.
...Ao som estrondoso e doloroso dos vermes repugnantes...
Na angustiante escuridão limitada, de um pequeno espaço de madeira...
...Eu termino.
Sonhos, realidades, alegrias, tristezas, amados...
Tudo, aqui termina.
Assim, em meio à carne fétida e esponjosa.
Os cabelos tão lindos... Por fim, estragarão.
Os lábios devorados, o corpo, num lixo mais sofisticado.
A alva pele, a escurecer lentamente, num aspecto nojento e penoso [Não somos nada nessa hora, apenas algo apodrecendo]
A alma...
?
Os sentimentos... Dores... Vitórias... Fracassos...
Para onde vão?
Com que propósitos existiram?
Nada quero saber... Como foi a vida inteira.
Só sei que dói...
Dói muito, o ranger dos vermes malditos, a corroerem o que era vida, o que era algo.
Para morrer, basta estar vivo.
O que vem depois, na verdade ninguém sabe.
Sabe-se de muitas filosofias, mas, nenhuma concreta.
Portanto, viva bem.
Da sua maneira.
Não importa como... Pois, deve ser da sua maneira. A melhor possível.
Mas, viva bem.
Beije seus amores...
Abrace-os bem forte...
Porque daqui a pouco, tudo pode acabar...
TUDO.
Tudo de suas mãos poderá escapar, tudo.
E aquele beijo não dado...
Aquele afago não afagado...
Aquele perdão não perdoado...
Irão se perder...
Em meios a sonhos, forças... Vontade de viver.
Que jogo cruel é a vida.
E o pior, não pedimos para joga-lo.
Somos lançados à sorte.
E sempre a perdemos...
Sempre perdemos tudo, para a tão ingrata e misteriosa, Morte.