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ENTREVISTA PARA BIZZ

por funereaway em 29/01/07 - 11h:00m

BOB ENTREVISTADO PELA BIZZ DE JANEIRO...

Preciso ser sincero com você: eu detestava o som do MCR, mas melhorei de impressão após ouvir The Black Parade. Era esse o plano, agradar os críticos?
Com esse disco nós finalmente escolhemos as pessoas certas pra trabalhar, tivemos todo tempo que precisamos, todas as ferramentas que quisemos - é o disco que eu sonhei gravar quando tinha dez anos de idade. Não tínhamos a idéia de fazê-lo de um jeito específico, mas queríamos que atingisse o maior número possível de pessoas. O que foi saiu foi isso aí, se muita gente gostou, maravilha.

Por que diabos vocês chamaram a Liza Minelli pra cantar em "Mama"?
Quando estávamos escrevendo essa música, percebemos que ela era muito diferente de qualquer coisa que você esperaria do MCR, e decidimos assumir o risco. Chamar a Liza Minelli foi uma forma de levar a canção ainda mais adiante, uma chance de fazer a coisa mais louca possível.

Há um certo senso de humor nesse disco, coisa que não se costuma esperar de vocês. As pessoas levam o MCR muito a sério?
Pois é, tem um monte de gente que acha que a gente fala só sobre o lado negro da morte, mas há muita ironia nesse disco novo. A grande mensagem por trás de The Black Parade é não ter medo de viver uma boa vida, sem se preocupar com a morte - todos vão morrer, não há escapatória pra isso. Não é algo como "eu vou matar você!", e sim sobre as coisas boas da morte.

Quem é o palhaço da banda? Aquele que sacaneia nas entrevistas, peida na van, coisas assim?
(Risos) Bom, geralmente sou eu quem se mete em problemas por fazer coisas imbecis!

Vocês deviam estar se sentindo meio pressionados nesse disco.Era uma pressão tipo saltar de pára-quedas ou fazer uma cirurgia de emergência?
É engraçado, porque não tinha tanta pressão externa assim. Havia muita pressão entre a gente, porque nunca tínhamos tido liberdade total para gravar e queríamos aproveitar ao máximo. A única pressão era fazer alguma coisa que resistisse ao teste do tempo.

Todo mundo está dizendo que este é o melhor disco do My Chemical Romance. Isso quer dizer que daqui pra frente é só ladeira abaixo?
É definitivamente assustador quando se pensa que esse disco é o melhor que poderíamos fazer, recolhendo as experiências de dois anos e meio de turnê. Na hora de fazer o próximo, se tudo acontecer como o previsto, teremos as mesmas experiências que tivemos para fazer esse! Temos a impressão de que, quando a hora chegar, teremos algo ainda maior pra dizer - mas se não tivermos, bom, não teremos.

Eu li que vocês compuseram o disco numa mansão mal-assombrada. É mais caro alugar uma mansão mal-assombrada do que uma mansão normal?
(Risos) Não sei quanto custou o aluguel, mas não acho que tenhamos pago algum extra pelos fantasmas... O caso é que estávamos em NY e queríamos um lugar sem distrações, em que pudéssemos acordar e compor às 3h da manhã. Achamos essa casa em Silverlake, muito assustadora, um monte de portas batendo, você podia ouvir vozes, sempre tinha a sensação que alguém andava atrás de você. Era muito gelado lá dentro, mesmo quando fazia sol... Minha banheira inundou sozinha uma vez!

O Gerard Way mudou radicalmente de visual pra esse disco. Ele tentou muitas combinações antes do loiro platinado?
Não, foi de primeira! Foi uma coisa extra que ele quis fazer pra esse disco, se transformar em um dos personagens, "O Paciente", que tem esse cabelinho curto e branco. Foi meio chocante no começo, mas a gente acostumou.

Vocês estão usando casacos de banda marcial agora, mas antes eram os coletes à prova de balas. Vocês ainda usam por baixo, pra garantir?
Não! Somos uma banda que tem seus estágios, e esse já passou.

Mas chegaram a rolar umas ameaças de morte, não? Vocês têm uns fãs meio loucos, que fazem até ficção pornô com vocês...
Esse tipo de coisa acontece toda hora. Nunca chegou a ficar muito sério, mas tem gente que se excede mesmo. É um mundo muito, muito louco, sabe (risos). Eu cheguei a receber um desses fanzines pornôs, li umas duas linhas, mas era muito assustador!

Vocês já disseram uma porção de vezes que não são uma banda emo. Ok, não vamos discordar. Mas você conhece alguma banda emo que assuma que é emo e não tenha problemas com isso?
A gente se descreve como uma banda de rock, o pessoal nos chama de emo por causa das outras bandas com quem tocávamos no começo da carreira. Sei lá, o Sunny Day Real Estate, essa é uma banda emo, por exemplo. Não é uma coisa que nos irrite, somos uma banda de rock.


Mas aqui no Brasil, as lojas de disco põem vocês do lado do Simple Plan e do Good Charlotte. O que você acha disso?
Bom, algumas bandas tem algo a dizer, outras não tem p***a nenhuma a dizer. A gente divide espaço no rádio, na MTV, nos festivais, acabamos caindo na mesma categoria, mas algumas dessas bandas não têm nada a dizer, são bandas de pop querendo ganhar dinheiro. Lançam o mesmo disco uma, duas, três vezes, porque sabem que quem comprou o último vai comprar o próximo também. Não é o que a gente faz, colocamos no mercado um disco totalmente diferente - se as pessoas gostarem, ótimo, se não, desculpe.

Rumores de vinda para o Brasil?
Nada está certo, mas com esse disco a gente decidiu que vai fazer turnê até termos ido a TODOS os lugares. Não importa o quanto demore, nós vamos levar o disco pra todos os lugares.

O MCR sempre trata de temas épicos, a morte, o inferno, a dor etc. Vocês se imaginam compondo uma música sobre, sei lá, o preço do pão de forma?
(Risos) Cara, eu poderia fazer uma música sobre o preço do pão de forma em dois minutos! Mas não é nada que diga algo às pessoas, que as pessoas queiram ouvir, ou que nós mesmos gostaríamos de ouvir. Músicas sobre uma garota, ou sobre o pão de forma, são a saída mais fácil - e nós nunca faremos isso.

*** Entrevista originalmente publicada na edição 209 da BIZZ - janeiro de 2007 ***