24/09/09 - 11:19Denunciar

POVOS INDÍGENAS

INDIGENAS
São designados como povos aborígenes, autóctones, nativos ou indígenas, aqueles que viviam numa área geográfica antes da sua colonização por outro povo ou que, após a colonização, não se identificam com o povo que os coloniza. A expressão povo indígena, literalmente "originário de determinado país, região ou localidade; nativo", é muito ampla, abrange povos muito diferentes espalhados por todo o mundo. Em comum, têm o fato de que cada um se identifica com uma comunidade própria, diferente acima de tudo da cultura do colonizador.Contudo, é frequente associar o termo aborígene a um conjunto de povos, específico da Austrália

POVOS INDIGENAS:
América: O continente americano, quando foi descoberto pelos europeus a partir do século XV, era todo ele habitado por povos indígenas.A população americana em 1500 representa próximo de um quarto da população mundial (CHAUNU apud RIBEIRO, 1992, p. 74), somando entre 90 e 112,5 milhões de pessoas (DOBBYNS apud RIBEIRO, 1992, p. 74) que, no século e meio seguinte, sofrerão uma depopulação na escala de 20:1 a 25:1 (CHAUNU, idem). Em 1492, numa estimativa conservadora, havia na Amazônia 5,1 milhões de habitantes (DENEVAN, 1976, p. 205-234), número que se reduziu para 250.000 habitantes em fins do século XIX.
Brasil: De acordo com a Funai, a população que vive em aldeias é de 512 mil pessoas, distribuídas em 225 etnias com 180 línguas diferentes. No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 734 mil pessoas se auto-identificaram como indígenas em 2000.
Reservas indígenas: Apesar do número reduzido de indígenas no Brasil, as áreas de reservas ocupam 12,5% do território nacional.

POVO S AMERÍNDIOS:
Índio, indígena ou nativo americano são nomes dados aos habitantes humanos da América antes da chegada dos europeus, e os seus descendentes atuais. A hipótese mais aceita para a sua origem é que os primeiros habitantes da América tenham vindo da Ásia atravessando a pé o Estreito de Bering, no final da idade do gelo, há 12 mil anos. O termo "índio" provém do facto de que Cristóvão Colombo, quando chegou à América, estava convencido de que tinha chegado à Índia, haja vista que o gentílico espanhol para a pessoa nativa da Índia é índio, e dessa maneira chamou os povos indígenas que ali encontrou. Por essa razão também, ainda hoje se refere às ilhas do Caribe como Índias Ocidentais. Mais tarde, estes povos foram considerados uma raça distinta e também foram apelidados de peles vermelhas. O termo ameríndio é usado para designar os nativos do continente americano, em substituição às palavras "índios", "indígenas" e outras consideradas preconceituosas.

Na América do Norte, estes povos são também conhecidos pelas expressões povos aborígenes, índios americanos, primeiras nações (principalmente no Canadá), nativos do Alasca ou povos indígenas da América. No entanto, os esquimós (inuit, yupik e aleutas) e os métis (mestiços) do Canadá, que têm uma cultura e genética diferente dos restantes, nem sempre são considerados naqueles grupos. Estes termos compreendem um grande número de distintas tribos, estados e grupos étnicos, muitos dos quais vivendo como comunidades com um estatuto político.

ORIGEM DOS PRIMEIROS AMERICANOS:
Até recentemente, a interpretação mais largamente aceita baseada nos achados arqueológicos era de que os primeiros humanos nas Américas teriam vindo numa série de migrações da Sibéria para o Alasca através de uma língua de terra chamada Beríngia, que se formou com a queda do nível dos mares durante a última idade do gelo, entre 24 e 9 mil anos atrás.Na rota do Sul mudaram o pensamento dos arqueólogos. O fóssil de uma mulher com 11 mil anos foi encontrado pela arqueóloga francesa Annette Laming-Emperaire na década de 1970. O fóssil recebeu o nome de Luzia, apelido dado carinhosamente pelo biólogo Walter Alves Neves, do Instituto de Biociências da USP Ao estudar a morfologia craniana de Luzia, Neves na década de 1990, encontrou traços que lembram os atuais aborígenes da Austrália e os negros da África. Ao lado do seu colega argentino Héctor Pucciarelli, do Museo de Ciencias Naturales de la Universidad de La Plata, Neves formulou a teoria de que o povoamento das Américas teria sido feito por duas correntes migratórias de caçadores e coletores, ambas vindas da Ásia, provavelmente pelo estreito de Bering, mas cada uma delas composta por grupos biológicos distintos. A primeira teria ocorrido 14 mil anos atrás e seus membros teriam aparência semelhante à de Luzia. O segundo grupo teria sido o dos povos mongolóides. A chegada dos mongolóides na América é estimada em 11 mil anos, dos quais descendem atualmente todas as tribos indígenas das Américas.
Existem outras teorias sobre a origem dos nativos americanos:
• Vários antropólogos,historiadores e arqueólogos têm sugerido que os nativos americanos são descendentes, quer de europeus, quer africanos que atravessaram o Oceano Atlântico. Alguns apontam a semelhança física entre os Olmecas e os africanos. Thor Heyerdahl demonstrou que é possível navegar da África para a América numa réplica dum barco de papiro do antigo Egito.
• A maioria das religiões dos nativos americanos ensinam que os humanos foram criados na América no princípio dos tempos e sempre ali viveram.
• A doutrina Mórmon diz os ameríndios são descendentes de Lehi e dos nefitas, personagens do Livro de Mórmon que teriam sido Israelitas que chegaram à Américas cerca de 590 aC.
• No século XIX e princípios do século XX, houve proponentes da existência continentes perdidos, entre os quais Atlântida,e Lemúria, de onde poderiam ter vindo os primeiros habitantes humanos das Américas.
O mais provável, no entanto, é que as Américas tenham sido colonizadas por vagas de povos de diferentes origens, ao longo dos tempos, dando origem ao complexo mosaico de povos e línguas que hoje existem. E é possível, igualmente, que esses povos – tal como aconteceu em tempos históricos, bem documentados – tenham substituído ou tenham se juntado com populações originais que lá já existiam. Os primeiros colonizadores das Américas (ameríndios) não eram muito evoluídos, pois há indícios que seus instrumentos de caça eram pedras e cachorros domesticados para este fim. Os caçadores e coletores, tiveram um rápido avanço em direção ao sul, e tinham instrumentos de caça mais evoluídos, como por exemplo projéteis pontiagudos.

INTERAÇÃO ENTRE OS EUROPEUS E OS NATIVOS AMERICANOS:
Apesar dos vikings, ou nórdicos, terem explorado e estabelecido bases nas costas da América do Norte a partir do século X e terem aí deixado marcas, como a runa de Kensington, estes exploradores aparentemente não colonizaram a América, limitando-se a tentar controlar o comércio de peles de animais e outras mercadorias da região. Por outro lado, a colonização européia das Américas mudou radicalmente as vidas e culturas dos nativos americanos. Entre os séculos XV e XIX, estes povos viram as suas populações devastadas pelas privações da perda das suas terras e animais, por doenças e, em muitos casos por guerra. O primeiro grupo de nativos americanos encontrado por Cristóvão Colombo, estimado em 250 mil aruaques do Haiti, foram violentamente escravizados e apenas 500 tinham sobrevivido no ano 1550; o grupo foi extinto antes de 1650. No século XV, os espanhóis e outros europeus trouxeram cavalos para as Américas e alguns destes animais escaparam e começaram a reproduzir-se livremente. Ironicamente, o cavalo tinha originalmente evoluído nas Americas, mas extinguiu-se na última idade do gelo. A re-introdução do cavalo teve um profundo impacto nos nativos americanos das Grandes Planícies da América do Norte, permitindo-lhes expandir os seus territórios, trocar produtos com tribos vizinhas e caçar com mais eficiência. Os europeus também trouxeram com eles doenças contra as quais os nativos americanos não tinham imunidade, tais como a varicela e a varíola que, muitas vezes são fatais para estas pessoas. É difícil estimar a percentagem de nativos americanos mortos por estas doenças, mas alguns historiadores estimam que cerca de 80% da população de algumas tribos foi extinta pelas doenças européias. A dívida histórica dos colonizadores para com os povos nativos é imensa. Cresce a discussão sobre formas de compensação pelos danos causados e outros assuntos indígenas, a nível internacional, como atesta o grande número de organizações que se dedica ao tema

ETINIAS E CULTURAS INDIGENAS NO BRASIL:
Pesquisas arqueológicas em São Raimundo Nonato, no interior do Piauí, registram indícios da presença humana datados de há 48 mil anos. Em Lapa Vermelha (Minas Gerais) foi encontrado um verdadeiro cemitério com ossos datados em 12 mil anos, o primeiro dos quais encontrado por Annette Laming-Emperaire na década de 1970 e que foi "batizado" de Luzia e que parecia mais aparentada com os aborígenes da Austrália ou com negritos das Ilhas Andaman. No Brasil colonial os portugueses tiveram como aliados os índios aldeados, os quais se tornaram súditos da Coroa. O primeiro inventário dos nativos brasileiros só é feito em 1884, pelo viajante alemão Karl von den Steinen, que registra a presença de quatro grupos ou nações indígenas, de acordo com as suas línguas: tupi-guarani, jê ou tapuia, aruaque ou maipuré e caraíba ou caribes. Von den Steinen também assinala quatro grupos lingüísticos: tupi-guarani, macro-jê, caribe e aruaque. Atualmente estima-se que sejam faladas 170 línguas indígenas no Brasil


POVOS INDIGENAS BRASILEIROS:

- GUARANIS: O termo guaranis refere-se a uma das mais representativas etnias indígenas das Américas, tendo como territórios tradicionais uma ampla região da América do Sul que abrange os territórios nacionais da Bolívia, Paraguai, Argentina, Uruguai e a porção centro-meridional do território brasileiro. São chamados povos (no plural) pois sua ampla população encontra-se dividida em diversos subgrupos étnicos dos quais os mais significativos em termos populacionais são as parcialidades caiouás, embiás, nhandevas, ava-xiriguanos, guaraios, izozeños e tapietés. Cada um destes subgrupos possui especificidades dialetais, culturais e cosmológicas, diferenciando assim sua forma de ser guarani das demais. Existem milhares de fontes históricas que tratam da trajetória dos povos guarani, sendo esta uma das etnias mais documentadas de todos os tempos. Apesar deste fato sua história bem como o primeiro contato desta etnia com os exploradores europeus não foi bem documentado. Os próprios guaranis não possuíam à epoca uma linguagem escrita, logo toda sua história estava vinculada a uma complexa forma de transmissão do conhecimento através da tradição oral. Daquele período sabe-se que eram sociedades descentralizadas de caçadores e agricultores seminômades. Sua alimentação era baseada na caça e coleta, bem como no plantio diversas variedades de vegetais, como mandioca, batata, amendoim, feijão e milho. Habitavam casas comunais de dez a dezenove famílias. Como os guarani modernos se uniam e organizavam-se em redes de parentesco cunhadas e atualizadas em relações mutualidade a partir de perspectivas cosmológicas partilhadas. De acordo com o missionário jesuíta Martin Dobrizhoffer alguns destes grupos praticavam antropofagia, possivelmente dentro de complexos rituais funerais, para em seguida colocarem os ossos do morto em grandes panelas de cerâmica afixadas invertidas sob o solo.

- POTIGUARAS: Os potiguaras ("comedores de caramão", de pety, "camarão" e guara, "comedor") são um grupo indígena que habita o litoral norte do estado brasileiro da Paraíba, junto aos limites dos municípios de Rio Tinto, Baía da Traição e Marcação (na Terra Indígena Potiguara, Terra Indígena Jacaré de São Domingos e Terra Indígena Potiguara de Monte-Mor) e no Ceará, nos municípios de Crateús (na Terra Indígena Monte Nebo); Monsenhor Tabosa e Tamboril (Terra Indígena Mundo Novo / Viração ou Serra das Matas). Falam o potiguara, um idioma da família tupi-guarani. Vários descendentes da tribo dos potiguares adotaram, ao serem submetidos ao batismo cristão, o sobrenome Camarão, sendo o mais famoso deles o combatente Felipe Camarão. Atualmente, são o único povo indígena oficialmente reconhecido no estado da Paraíba. Sua população gira em torno de 13.547 pessoas, sendo uma das maiores do Brasil e a maior do Nordeste etnográfico (estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e a parte setentrional da Bahia. Estão distribuídos em 37 localidades sendo que 29 delas são consideradas aldeias, além da forte presença nas áreas urbanas dos municípios de Baía da Traição, Marcação e Rio Tinto. Processos migratórios também levaram contingentes significativos dos Potiguara a habitarem cidades como Mamanguape, João Pessoa, Rio de Janeiro e Cabedelo, Bayeux e Santa Rita, na Paraíba, e Canguaretama, Baía Formosa e Vila Flor, no Rio Grande do Norte. Em termos organizativos, a distribuição do poder de decisão e de representação se dá a partir dos grupos de famílias extensas, que geralmente estão alocadas em aldeias próximas umas às outras. Cada aldeia possui um cacique ou representante que media as relações da comunidade com os órgãos oficiais (FUNAI, FUNASA, prefeituras etc.) e comerciais (usinas, guias de turismo, criadores de camarão etc.) e resolve pequenos problemas da localidade. Além desses representantes locais, existe um cacique-geral, que representa o grupo em seu todo, principalmente perante os órgãos oficiais e a Justiça. Esses cargos são resultado das adaptações realizadas historicamente nas formas de representação política do grupo étnico desde o século XIX. Neste contexto, os povoados que são considerados aldeias são aqueles que possuem um líder ou representante, geralmente chamado de cacique, não importando necessariamente a quantidade de pessoas que neles habitem.

- TUPINAMBÁS: O termo tupinambá provavelmente significa "o mais antigo" ou "o primeiro", e se refere tanto a uma grande nação de índios, da qual faziam parte, dentre outros, os tamoios, os temiminós, os tupiniquins, os potiguara, os tabajaras, os caetés, os amoipiras, os tupinás (tupinaê), os aricobés e um grupo também chamado de tupinambá. Os tupinambás como nação dominavam quase todo o litoral brasileiro e possuíam uma língua comum, que teve sua gramática organizada pelos jesuítas e passou a ser conhecida como o tupi antigo, constituindo-se na língua raiz da língua geral paulista e do nheengatu. Entretanto, normalmente, quando se fala em tupinambás, está-se a referir às tribos que fizeram parte da Confederação dos Tamoios, cujo objetivo era lutar contra os portugueses, também conhecidos como perós. Apesar de terem raízes comuns, as diversas tribos que compunham a nação Tupinambá lutavam constantemente entre si, movidas por um intenso desejo de vingança que resultava sempre em guerras sangrentas em que os prisioneiros eram capturados para serem devorados em rituais antropofágicos. Autores como o alemão Hans Standen (A História dos Selvagens, Nus e Ferozes...), e os franceses Jean de Léry (Viagem à Terra do Brasil) e André Thevet (As Singularidades da França Antártica), todos do Século XVI, além das Cartas Jesuíticas da época, nos dão notícias muito precisas acerca de quem eram e como viviam os índios Tupinambás. Em todas as tribos tupinambás era comum a observância aos heróis civilizadores, como chama Alfred Métraux em seu livro A Religião dos Tupinambás, que eram divindades que haviam criado ou dado início à civilização indígena (Meire Humane e Pae Zomé — mito ameríndio comum em toda a América Meridional). Também era comum a intercessão junto aos espíritos dos pajés, o uso dos maracás, chocalhos místicos cujo uso era obrigatório em qualquer cerimônia. Atualmente existem dois núcleos de índios Tupinambá, no litoral da Bahia: Olivença, município de Ilhéus, com 20 aldeias e 3864 indígenas; e a aldeia Patiburi, município de Belmonte, com 199 pessoas. Os tupinambás da Região Sudeste do Brasil tinham um vasto território, que se estendia desde o rio Juqueriquerê, em São Sebastião / Caraguatatuba, no Estado de São Paulo, até o cabo de São Tomé, no estado do Rio de Janeiro. O grosso da nação tupinambá localizava-se na baía da Guanabara e em Cabo Frio, ou Gecay, o nome da mistura de sal e pimenta que os índios, embora não consumindo o sal, vendiam aos franceses (mairs, nome originário de Maíra ou Meire Humane), com os quais se aliaram quando estes estabeleceram a colônia da França Antártica na baía de Guanabara.

- GOITACASES: Os goitacases foram um grupo indígena, atualmente considerado extinto, que habitava no século XVI a região costeira entre o rio São Mateus, no estado brasileiro do Espírito Santo e a foz do rio Paraíba, no estado do Rio de Janeiro."O índio Goitacás é o senhor absoluto das terras no tempo da Capitania de São Tomé, depois do Paraíba do Sul" Relato de Osório Peixoto em seu livro "500 anos dos Campos dos Goutacases". "Goitacás" quer dizer corredor, nadador ou caranguejo grande comedor de gentes. Fisicamente possuíam pele mais clara, eram mais altos e robustos que os demais índios do litoral. Reuniam ainda uma "força extraordinária e sabiam manejar o arco com destreza". Tinham o hábito de de dançar e cantar em ocasiões festivas, usando o jenipapo para a pintura do corpo e penas de aves com as quais adornavam seus objetos. Viviam nus, raspando o cabelo no alto da cabeça, deixando-o comprido, formando uma longa cabeleira. Sua alimentação constava de frutos, raízes, mel e, principalmente, de caça e pesca. Eram superticiosos quanto à água para beber, não bebendo-a de rios e lagoas, mas sim das cacimbas. Mantinham comércio com os colonizadores europeus, mas com uma peculiaridade: não se comunicavam com seus colonizadores! Deixavam seus produtos em lugar mais elevado e limpo ficando à distância, observando as trocas. Davam mel, cera, pescado, caça e frutos em troca de enxadas, foices, aguardente e missangas. Assim como os demais povos indígenas, os Goitacases guerreavam entre si e seus vizinhos. "Quando não se julgam fortes fogem com ligeireza comparável a dos veados." Além do arco e da flecha faziam com perfeição trabalhos com penas de aves, multicoloridas, usando-as no corpo e nas armas e também em ocasiões festivas. Trabalhavam o barro, enterrando seus mortos em igaçabas. Faziam machados de pedra, jangadas, trabalhavam com bambu e trançavam redes de fibra e cordas. Os goitacases sofreram um massacre histórico. Após esse episódio praticamente desapareceram. Calcula-se que eram cerca de 12 mil. Foram homenageados por José de Alencar em seu romance 'O Guarani'. Nesta obra, o protagonista, Peri, é um índio goitacáz que realiza grandes proezas, lutando contra os aimorés, o homem branco e até contra os elementos naturais, tudo para agradar e salvar sua predileta, Cecília, filha de um nobre português

- CARAJÁS: Os carajás (também karajás) são um grupo indígena que falam uma língua alocada ao tronco linguístico macro-jê, que também inclui as famílias jê e maxacali. Os carajás habitam a região do rio Araguaia desde que deles se tem notícia. Dividem-se em três subgrupos que também correspondem aos três dialetos por eles falados: os carajás propriamente ditos, os javaés e os xambioás (por vezes referidos como carajás-do-norte). Eles se auto-denominam inã, que é um termo comum aos três sub-grupos. Algumas classificações consideram os javaés como um grupo distinto, embora eles partilhes a mesma cultura e a mesma vida ritual dos carajás e xambioás, apenas se distinguindo por alguns detalhes. Habitam tradicionalmente as margens do rio Araguaia, a partir da cidade de Aruanã no estado de Goiás, a Ilha do Bananal, onde se concentra o maior número de aldeias, até as aldeias xambioás, já no estado de Tocantins, próximos do município de Santa Fé do Araguaia. Viveram tradicionalmente da agricultura, da caça de animais da região (caititu, anta) e principalmente da pesca. Atualmente, devido à pressão da colonização brasileira e da criação de uma dependência quanto aos bens dos não-índios, acabam por comercializar uma parte dos produtos da pesca, artesanato, entre outras atividades comerciais. A vida social dos carajás é baseada na família extensa, em que o homem passa a residir na casa de sua mulher após o casamento (prática conhecida em antropologia como casamento uxorilocal). Os casamentos são proibidos entre parentes próximos até os primos de primeiro grau. A partir do segundo grau, o casamento entre primos é não apenas permitido como desejado, para manter a união da família. As aldeias carajás são formadas por uma ou mais fileira de casas residencias ao longo do rio e, afastada delas e voltada para a mata, uma casa conhecida como "idjassó hetô", ou "casa de Aruanã". Pode também ser chamada de "casa dos homens". Esta casa afastada é o centro da vida ritual. O calendário ritual dos carajás intensifica-se com a cheia do rio Araguaia (entre dezembro e fevereiro). Pode ser dividido em dois grandes ciclos rituais, o "Hetôhokã", ou "Festa da Casa Grande", quando se admitem os rapazes à "Casa do Homens", e o "Idjassó Anarakã", ou "Dança dos Aruanãs", que os coloca em contato com entidades espirituais que povoam o cosmo. Os carajás concebem o universo como formado por três camadas: um mundo subaquático de onde surgiu a humanidade e onde habitam os "idijaçós" -- entidades protetoras e antepassados míticos dos carajás --; o mundo terrestre, visível a qualquer um e morada dos atuais carajás; e o mundo das chuvas, onde moram entidades podersas e onde é o destino das almas dos xamãs. A comunicação com esse mundo cósmico é assegurada pela existência do xamã, cuja atuação é reconhecida sempre como ambígua: traz as curas e as entidades, mas pode trazer a doença e a morte.

- CAINGANGUES: Os caingangues (ou ainda kaingang, kanhgág) são um povo indígena do Brasil meridional. Sua língua pertencente à família linguística jê, do tronco macro-jê. Sua cultura desenvolveu-se à sombra dos pinheirais (Araucaria brasiliensis). Há pelo menos dois séculos, sua extensão territorial compreende a zona entre o rio Tietê (São Paulo) e o rio Ijuí (norte do Rio Grande do Sul). No século XIX, seus domínios se estendiam para oeste, até San Pedro, na província argentina de Misiones.Atualmente, os caingangues ocupam cerca de trinta áreas reduzidas, distribuídas sobre seu antigo território, nos estados meridionais brasileiros de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com uma população aproximada de 29 mil pessoas. Os caingangues estão entre os cinco povos indígenas mais populosos no BraSIL. .Na literatura internacional, "caingangues" tem designado o povo que, na literatura de língua portuguesa, é chamado xoclengue (que hoje se autodenominam laklãnõ). Os xoclengues foram descritos por Jules Henry (1941: “Jungle People: a Kaingáng tribe of the highlands of Brazil”), pesquisador que esteve entre eles no início da década de 1930, no leste de Santa Catarina. Por isso, o que se costuma referir, na literatura internacional, como característica da cultura caingangues é, na verdade, característica da cultura xoclengue, segundo a descrição de J. Henry.Os caingangues ocuparam, historicamente, um vastíssimo território, não completamente contíguo, mais ou menos correspondendo à expansão maior das florestas de pinheirais, o que significa: vastas regiões do Paraná e Santa Catarina, a região do sul-sudoeste paulista, o planalto rio-grandense e parte de Misiones, na Argentina. Seus parentes próximos, os xoclengues, parecem ter preferido os campos entremeados dos pinheirais, mas também ocuparam regiões quase marginais à zona das araucárias. Os únicos grupos caingangues fora daquele ecossistema são os caingangues paulistas, cujo estabelecimento na região entre o Rio Tietê e o Rio do Peixe já foi apontado, por alguns autores, como posterior à do Paraná, e feita por grupos que transpuseram o Paranapanema. Ocupando região tão ampla, em incontáveis grupos ou aldeias de população média em torno de 150 a 200 pessoas (se são válidos os dados que temos para meados do século XIX), embora às vezes "articulados"" por uma liderança regional, os caingangues seriam alvo de diferentes momentos de expansão das fronteiras econômicas brasileiras. Alguns grupos (poucos), caingangues e xoclengues, teriam sido convertidos por missões jesuítas no oeste do Paraná e no norte rio-grandense (primeiras décadas do século XVII), mas não por muito tempo. Depois desse período, apenas no final do século XVIII foram atingidos por frentes de exploração militar, na região de Guarapuava, onde, em 1812, se iniciariam os primeiros contatos permanentes de um grupo caingangue com uma comunidade portuguesa. A região norte do Paraná foi ocupada, também militarmente, apenas na segunda metade do século XIX, e o oeste paulista, para o avanço dos cafezais, foi alvo da penetração da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil na primeira década do século XX, quando o recém-criado SPI foi responsável pela chamada “pacificação” dos caingangues. Ainda nos anos 1920, o SPI mantinha, no norte paranaense, um “posto de atração” para os caingangues ditos “arredios”.

- PATAXÓS: Os pataxós são um povo indígena de língua da família maxakali, do tronco macro-jê. Apesar de se expressarem na língua portuguesa, alguns grupos conservam seu idioma original, ensinando-o aos mais novos. Em 1990, os pataxós eram aproximadamente 1600. Vivem em sua maioria na Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal, ao sul do município de Porto Seguro, a menos de um quilômetro da costa, entre as embocaduras dos rios Caraíva e Corumbáu. O território entre estes dois rios, o mar a leste e o Monte Pascoal a Oeste é reconhecido pelos Pataxó como suas terras tradicionais. Abrangem uma área de 20.000 hectares. Existem outros dois núcleos de povoamento: Terra Indígena Imbiriba, próximo à foz do Rio dos Frades, a 20 Km ao Norte de Barra Velha, mais antigo; e a Terra Indígena Coroa Vermelha, ocupado mais recentemente, estimulado pelo fluxo turístico, onde se desenvolvem atividades artesanais. Este último povoamento está à margem da rodovia que liga Porto Seguro a Santa Cruz de Cabrália. A tribo pataxó ganhou uma trágica notoriedade após o assassinato do índio Galdino Jesus dos Santos, em 1997, que era líder do povo Pataxós-hã-hã-hães[2]. Ele dormia em uma parada de ônibus em Brasília quando delinqüentes de classe média atearam fogo ao seu corpo, alegando que o confundiram com um mendigo.

- IANOMÂMIS: Os Ianomâmis são índios que habitam o Brasil e a Venezuela. No Brasil somam 15 mil pessoas distribuídas em 255 aldeias relacionadas entre si em maior ou menor grau. A noroeste de Roraima estão situadas 197 aldeias que somam 9.506 pessoas e a norte do Amazonas estão situadas 58 aldeias que somam 6.510 pessoas (Fundação Nacional de Saúde, setembro de 2006). Na Venezuela somam cerca de 12.000 pessoas residentes no sul dos Estados Bolívar e Amazonas. No Brasil as aldeias ianomâmis ocupam a grande região montanhosa da fronteira com a Venezuela, numa área contínua de 9.419.108 hectares. Uma grande invasão garimpeira do território ianomâmi se deu no período de 1987 a 1992 em que estima-se a ocorrência de 1.500 mortes entre aquela população indígena. A Terra indígena ianomâmi foi homologada pelo presidente Fernando Collor em 25 de maio de 1992. Em sua maior parte, o território está coberto por densa floresta tropical úmida. O território é bastante acidentado, principalmente nas áreas próximas às serras Parima e Pacaraíma onde se tem a maior concentração da população ianomâmi no Brasil. Os solos são, em sua grande maioria, extremamente pobres e inadequados à agricultura intensiva. As aldeias, que podem ser constituídas por uma ou várias casas (“malocas”), mantêm entre si vários níveis de comunicação, desenvolvendo-se relações econômicas, matrimoniais, rituais ou de rivalidade, percorrendo distâncias que podem atingir um raio de 150 km. A palavra ianomâmi significa ser humano, enquanto que napë é a designação geral para o estrangeiro, o não ianomâmi. O Pico da Neblina está localizado dentro da Terra Indígena Ianomâmi e do Parque Nacional do Pico da Neblina, na fronteira do Brasil com a Venezuela. Essa área tem sido invadida desde o fim dos anos 1980 por garimpeiros atraídos pelas reservas de ouro, cassiterita e tantalita. Os Ianomâmis falam quatro línguas (ianomam, sanumá, ianomamö e ianam ou ninan) pertencentes a uma família linguística isolada, a ianomâmi. Cada língua pode possuir vários dialetos. Os Ianomans são um subgrupo dos ianomâmis que habita o Noroeste do estado brasileiro de Roraima e o Nordeste do Amazonas, mais precisamente na Terra Indígena Ianomâmi, bem como a Venezuela. Maior língua da família lingüística Ianomâmi no Brasil, a língua Ianomam é falada nas aldeias da Serra Parima e regiões da Serra das Surucucus e do rio Catrimani. A língua Sanumá é falada pelos moradores do noroeste da Terra Indígena Ianomâmi, em especial os do rio Auaris no Brasil. No Brasil, a língua Ianan, ou Ninan é falada pelos residentes das aldeias situadas nos médios cursos do rio Mucajaí, rio Uraricoera e rio Ericó, na fronteira leste da Terra Indígena Ianomâmi. A língua Ianomamö é falada nas aldeias do extremo sul da Terra Indígena Ianomâmi, nos rios Toototobi, Balawaú, Padauaris, Marauiá e Cauaboris. A maior população falante do Ianomamö está na Venezuela onde é a maior língua Ianomâmi.

- MUNDUCURUS: Os mundurucus são um grupo indígena que habita o sudoeste do estado brasileiro do Pará, mais precisamente as áreas indígenas Cayabi, Mundurucu, Mundurucu II, Praia do Índio, Praia do Mangue, Sai-Cinza, bem como o Leste do Amazonas, nas Terras Indígenas Coatá-Laranjal e São José do Cipó e o Oeste de Mato Grosso, na Reserva Indígena Apiaká-Kayabi. Também são chamados de Weidyenye, Paiquize, Pari, Caras-Pretas. Têm uma população de 7.000 ou mais indivíduos, distribuídos em cerca de 30 aldeias. A Família lingüística Mundurucu, ou Munduruku, pertence ao Tronco tupi, e engloba os idiomas Munduruku e Língua kuruaya.

- TAPAJÓS: Os tapajós foram um grupo indígena, atualmente considerado extinto, que habitava no século XVII as proximidades dos baixos rios Madeira e Tapajós, no estado brasileiro do Amazonas.

MEDICINA INDIGENA:
A Medicina indígena corresponde ao comportamento orientado para obtenção e preservação da saúde através das práticas culturais dos Povos ameríndios. Segundo Estrella, (1985) a medicina indígena apresenta os seguintes elementos estruturais:
a) aplicação de um conjunto de regras, modelos rituais, expressões ou ações que emergem historicamente da vida prática e da ideologia de um grupo social, e que conforma uma série de enunciados acerca da saúde e da doença.
b) prática esta que propicia o desenvolvimento de um “saber médico” onde se pode identificar: grupos de objetos ou enunciados, jogos de conceitos, séries de escolhas teóricas. Elemento que não constituem uma ciência, como uma estrutura idealmente definida e nem são tampouco conhecimentos amontoados procedentes de experiências, tradições ou descobrimentos unidos apenas pela identidade do sujeito que os gerou. São elementos a partir dos quais é possível construir proposições coerentes (ou não), desenvolver descrições mais ou menos exatas, elaborar teorias.
c) os enunciados desse saber médico se constituem sobre elementos empíricos, mágicos, míticos religiosos e racionais sendo especial a influência da ideológica exercida pela religião católica.
d) os enunciados, conceitos e práticas deste saber médico estão em boa parte, em oposição à ideologia dominante da formação social.

A natureza do conhecimento indígena
Generalizações sobre as práticas médicas ameríndias ou de qualquer outra região do planeta, apesar de necessárias na perspectiva de estudos teóricos, são perigosas porque, existe certa especificidade em cada sistema de crenças mítico-religioso e/ou prática cultural destinada à recuperação da saúde que podem ficar ocultas no exercício da comparação.Por outro lado a comparação, como se fossem atalhos indicadores das linhas de pesquisa, nos permite ampliar o conhecimento, organizando este sob a forma de teorias de base empírica e científica. O que antes se apresenta como um conhecimento aparentemente desordenado e não lógico, embora cada vez mais reconhecido, especialmente quanto ao uso de plantas, uso de técnicas de êxtase ou mesmo sobre esse conjunto de práticas, ditas primitivas, que nos permitem curar doenças, conhecer e controlar estados de consciência, controlar emoções ou modificar sentimentos como prática de saúde mental.Segundo o antropológo Lévi-Straus, 1976, o "pensamento selvagem" diferencia-se do conhecimento científico por ser analógico, basear-se na intuição sensível em lugar da percepção e da imaginação. Um aproximando-se da bricolagem e poesia (inspiração artística) e o outro apropriando-se lógica de contradições.Considerando-se a equivalência dos sistemas etnomédicos, o trabalho é compreender as especificidades que adquirem em função da adaptação à áreas ecológicas, grupos linguísticos e níveis de tecnologia resultantes do processo histórico de acúmulo de conhecimento. Assim procedendo as diversas conquistas de cada povo ou etnia podem ser integrados a grupos de práticas semelhantes, tornado-se mais compreensíveis as razões de sua permanência ou extinção. Lyons e Petrucelli (1997) associam o valor das técnicas ou medicamentos à sua permanência na(s) cultura(s).

Arte Médica dos índios brasileiros
No livro de 1844 de von Martius, Karl Fridrich Philipp Natureza, Doenças, Medicina e Remédios dos Índios Brasileiros esse autor, com toda a carga de preconceitos do século XIX observa que o médico, chamado pajé na língua tupi, apesar de não ser doutor, nem mesmo um mestre ou seja possuir os títulos de um professor ou médico europeu, apesar de não fazer parte de grêmio ou corporação que lhes dê direito de curar, possui mais poder e influência na tribo que os seus congêneres europeus, segundo ele, graças à ignorância desta. No seu entender, a medicina indígena é comparável à magia e feitiçaria e ao xamanismo dos nômades asiáticos. Compara ainda, o pajé, ao sacerdote, profeta e adivinho, o zelador das cousas sagradas, conselheiro e legislador, sempre um indivíduo de ascendência e influência na tribo, que se distinguem pelo espírito de observação, astúcia e laboriosidade, observando que esse mister, às vezes, também está nas mãos de mulheres velhas. Em vários momentos de sua obra, faz referência a um culto ou saber desaparecido de modo semelhante aos xamãs siberianos. Declara-se pessimista quanto a possibilidade destes (a raça ameríndia) encontrarem uma resolução de suas demandas de saúde por recursos próprios, ou face a sua condição social, pelo alcance da ciência médica européia. Reconhecendo, porém, seu vigor, constituição robusta e longevidade, sobretudo antes de seu contato com a civilização. Não reconhece nenhuma doença da época como exclusiva dos indígenas e atribui origem nas Índias Ocidentais à: cholera morbo, febre amarela e na Costa Oriental Africana à vena medinensis (dracontiase). Na Europa atribui a origem da varíola e sífilis, doenças por serem exógenas não possuíam tratamentos específicos na medicina indígena

Uma proposição
Os interessados no tema se deparam diante do desafio de identificar elementos comuns ou padrões nas diversas tradições dos povos americanos (e dos povos que lhes deram origem). Enquanto sistemas etnomédicos (xamanismo) ou medicinas tradicionais derivadas dos sistemas míticos religiosos, estas por sua vez possuem muitas características não comparáveis à prática médica ocidental, menos ainda à moderna medicina baseada em evidências. Contudo, o exercício de identificação da coerência e unidade desse saber, pode favorecer a tarefa de oferecer serviços de saúde as populações indígenas remanescentes, o que no Brasil corresponde à FUNASA – Fundação Nacional de Saúde e nos EUA Estados Unidos da América do Norte ao Indian Health Service. Sem pretender elucidar as questões da importância fundamental do idioma ou de outros elementos culturais, especialmente níveis de tecnologia ou civilização, tomou-se como referência o conjunto dos principais troncos e famílias lingüísticas para, a partir destes grandes grupos, reunir dados etnográficos dos sistemas míticos religiosos e práticas xamãnicas dos povos indígenas. Assim sendo identifica-se no Brasil como principais grupos lingüísticos, em torno dos quais estão reunidos os achados etnográficos relativos às práticas de saúde:
• O Tronco Tupi e a família Tupi-Guarani
• O Tronco Macro-Jê
• A família Karib
• As Famílias Aruák e Arawá
• As famílias Tukano, Maku e Yanomami
ou seja vislumbra-se a possibilidade de identificar-se mitos e referências específicas à práticas de saúde nas línguas indígenas e áreas culturais em que estas se subdividiram, no mínimo como um vocabulário para subsídio da organização das intervenções sanitárias e diálogos com essas populações. Numa proposição mais ampla (povos ameríndios) temos ainda os seguintes troncos e famílias lingüísticas na América:
• Esquimó (aleuta)
• Na dene
• Algonguiano - ritwan
• Siouan inclui os Iowa
• Salishan
• Iroquês
• Otomangue (Zapoteca)
• Nahualt (Asteca)
• Chibcha
• Maia


Diversidade de práticas terapêuticas
Apesar da diversidade lingüística das Américas o conjunto de práticas terapêuticas é relativamente mais limitado e com características comuns a muitas das culturas. Incluem-se na medicina tradicional dos povos da América do Sul: o uso do Tabaco (Nicotina tabacum), aplicação de calor e defumação, massagens, fricções, extração da doença por sucção/ vômito, escarificação no tórax e locais inflamados; rituais com uso de plantas psicoativas como a Jurema (Mimosa nigra; M. hostilis), a Ayahuasca ou Hoasca (Banisteria caapi & Psichotria viridis), o Paricá (Piptadenia peregrina, P. macrocarpa). A utilização de produtos animais como as secreções do anuro Phyllomedusa bicolor, utilizado popularmente no norte do país como "vacina do sapo" Na América do Norte e Central, encontraremos rituais com plantas psicoativas como a Datura (Datura stramonium) e cactos (Lophophora Williamsii - o Peiote); além de fungos ou cogumelos (Psilocibe e Stropharia) e técnicas semelhantes à sauna (câmaras de suar – suadouros). O estudo da distribuição desses saberes e práticas por área geográfica é limitado quanto a organização específica desse sistemas em relação à práticas empíricas de diagnosticar doenças (ou seja, a distribuição das técnicas não respeita a geografia) mas extremamente útil para selecionar plantas e dietas a serem utilizadas como medicamentos. O saber específico de cada etnia - tarefa da Etnobotânica, por sua vez, possivelmente obedece a lógica da derivação de idiomas e distribuição demográfica em áreas culturais.

Escarificação e cirurgias
É pratica comum na América a escarificação no tórax e locais inflamados com bico, dentes de animais ou fragmentos de cristais equivalentes às antigas técnicas de sangria. Houve época que essa última técnica associou-se à medicina dos cirurgiões barbeiros e aplicadores da sanguessugas (Hirudus medicinalis ou bicha como era conhecida no Brasil antigo) e as terapias por aplicação de ventosas que atualmente são práticas em extinção. Uma variante da escarificação é a aplicação pelo pajé (Bisamus entre os Cariris) de irritantes químicos como a Urtiga e o Cansanção em locais específicos do corpo pelos índios Kiriris (Siqueira, 1978), o leite de cansanção é também aplicado sobre a cárie (buraco do dente) (Bandeira, 1972). Ainda hoje, na medicina popular a urtiga é utilizada em aplicação local e chá para dores reumáticas. Há refrências a utilização de pimenta cumim externamente sobre o corpo de gestantes para aliviar a dor do parto (Bandeira, 1972) o que hoje se explica pela presença do elemento ativo Capsaicina com propriedades analgésicas. Alguns antropólogos chamam atenção para especificidade das medicinas das antigas civilizações Inca na América do Sul, Asteca e Maia na Mesoamérica especialmente a primeira, relativamente mais conhecida, e importante para a região amazônica. A medicina inca, famosa por apresentar medicamentos com o a quina (Cinchona) que contém quinina poderoso agente contra a malária, incluía práticas cirúrgicas como trepanações do crânio com finalidade neurocirúrgica não completamente esclarecida (descompressão de tumores, tratamento de concusão ou hemorragias - remoção de coágulos,?). Segundo Thorwald, (1990) o surpreendente nos achados do Peru é a alta percentagem dos sobreviventes da trepanação, refere-se que entre quatrocentos crânios examinados por Tello havia duzentos e cinqüenta casos de cura, e entre os setenta e um casos examinados por MacCurdy foram encontrados apenas doze sem sinais de regeneração ou sobrevivência

Contribuições da Amazônia
O uso terapêutico da Ayahuasca
O uso da Ayahuasca, hosaca, Yagé ; Nixi honi xuma, Capi, ou seja dos preparados da Banisteriopsis caapi e Psychotria viridis com e sem outras plantas de efeito medicinal é sem dúvida uma das maiores contribuições da medicina inca e indígena da Amazônia. Sua utilização é milenar e sua sobrevivência e expansão nas Américas no mínimo atesta a importância da necessidade de pesquisas sobre seu efeito terapêutico.De acordo com Takiwasi Centre um centro de tratamento do abuso de drogas que usa ayahuasca e outras medicinas tradicionais como parte do programa terapêutico, as medicinas tradicionais oferecem respostas satisfatórias (comparáveis em termos de eficiência e eficácia) à problemática de saúde mental que poderia se imaginar características das culturas que a utilizam originalmente. Contudo a experiência médica tem demonstrado o oposto, essa prática tem atingindo dimensões transculturais em áreas onde a medicina ocidental é bastante deficiente como o das toxicomanias.Propriedades semelhantes a dos agentes serotoninérgicos e alguns estudos realizados nos EUA apontam a utilização da hoasca para tratamento da depressão, inclusive de pacientes terminais (associando-se principalmente nesse último caso à orientação religiosa espiritual). Recentemente a Universidade Johns Hopkins tem selecionado voluntários para estudos científicos da pratica espiritual e meditação com utilização da Psilocibina uma substancia enteógena presente em cogumelos utilizados pela medicina nahualt. As pesquisas da etnopsiquiatria e terapia com alucinógenos hoje denominados enteógenos iniciada com as pesquisas com LSD, proibidas face utilização descontrolada dessas substancias na expansão da contracultura hippie, tem sido retomadas e utilizadas em pesquisas que incluem patologias como autismo e cefaléias além dos dois transtornos psiquiátricos acima referidos (depressão e drogadição).
Na Amazônia Ocidental estudos apontam de 40 a 72 grupos que fazem uso da ayahuasca (Ribeiro, 1986; Luna, apud Labate, 2002). Os referidos grupos tribais que tem o yagé ou ayahuasca como elemento estruturante de mitos e ritos concentram-se na região do Solimões (Alto Amazonas) e predominam grupos de idiomas das famílias:
• Quéchua (Quechumaran) a exemplo dos Ingano (Ingas); Kofan (Cofan); Kamsá (Camsás ou Quillacigas) Calhahuaya Encostas andinas do Vale Sibundoy – (Colômbia) ou da macro-etnia neo-incaica;
• Aruák e Arawá (Machigenguas ; Piros; Ashaninka; Yaminahuás, Kulinas, Kampas, Tariana e outros);
• Tukano (Airo-pai; Barasana; Cubeo; Desana; Tukanos ; Makuna ; Siona)
No Brasil a utilização da Hoasca nos grupos religiosos urbanos e tradições da amazonas está em plena expansão. Encontra-se ainda o uso isolado por curandeiros - vegetalistas tal como ainda é utilizado na Amazônia peruana; a integração dessa prática com religiões africanas e tradições locais (MacRae; Nunes Pereira) até o processo de urbanização em grupos religiosos formalmente identificados tal como: o Santo Daime criado por Raimundo Irineu Serra (Mestre Irineu) em 1930; Centro Espírita e Culto de Oração Casa de Jesus Fonte de Luz (Barquinha) em 1945 por Daniel Pereira de Matos (Mestre Daniel) e o Centro Espírita União do Vegetal criado em 1961 por José Gabriel da Costa respectivamente os dois primeiros em Rio Branco no Acre e o segundo em Porto Velho, Rondônia.
MacKena e Ricciardi ressaltam as diferenças de contexto no efeito do chá, no uso individual no uso terapêutico proposto por curandeiros - vegetalista e no uso ritual de caráter religioso e de auto – ajuda que vem se desenvolvendo nos grupos religiosos acima citados.

Outras contribuições
A vacina do sapo de origem em grupos Pano, Aruaque e Aruá ver verbete específico insere-se na utilização numa ampla farmacopéia ainda não completamente conhecida das populações indígenas. Entre as substancias utilizadas encontram-se substancias psicoativas (utilizadas sem ritual religioso) incluindo Coca(Erythroxylum coca) Ipadu ; Marapuama (Ptychopetalum olacoides) sendo a mais conhecida o Guaraná (Paullinia cupana) e preparados com Castanha-do-pará (Bertholletia excelsa); calmantes como a Casca preciosa (Aniba canelilla); medicamentos de efeito antiinflamatórios e antibióticos como Paratudo (Ginseng Brasileiro, Pffafia glomerata), Andiroba (Carapa guianensis), Unha-de-gato (Uncaria tomentosa); Carapanaúba (Aspidosperma nitidum); Pau d'arco (Tabebuia avellanedae) entre outras.O mais conhecido, mas também ainda não utilizado plenamente para desenvolvimento da região, são as frutas como Açaí (Euterpe oleracea), Cupuaçu (Theobroma grandiflorum), Bacuri (Platonia insignis), Bacaba (Oenocarpus bacaba), Pupunha (Bactris gasipaes). Observe-se porém que há uma série de produtos da floresta de valor nutricional tipo batatas, carás e/ou condimentos, que poderiam ser incluídos na alimentação das populações rurais (e urbanas caso comercialmente explorados) e não são sequer conhecidos. Por outro lado, como ressalta Eliade, 2002, entre as grandes contribuições do Xamanismo estão os mundos fabulosos, descobertos e descritos pelos antigos xamãs, tão necessários ao combate dos demônios e desordens na esfera do sagrado (leia-se linguagem ou inconsciente numa interpretação materialista). Utilizando símbolos eles são capazes de conduzir pessoas a transformar os sentimentos ruins em bons dirimir inimizades que ameaçam o bom convívio social. O xamã é alguém que pode ver esse mundo invisível e sobrenatural e se dispõe a curar, ouvir, compreender e até mesmo a ensinar a ser xamã, curandeiro, mestre ou pajé. Tarefa na qual nenhuma das plantas da Amazônia aqui referidas é tão útil e amplamente utilizada como a ayahuasca e o complexo mundo simbólico da floresta imaginada, povoada de espíritos e divindades vivas nas sobrevivências das tribos e culturas da América.

Comentários (7)

portalunderground
1. portalunderground 24/09/2009 - 13h:05

atualizado. Vale a Pena Ver de Novo: A CULTURA DO COVER! passe no portal e dê a sua opinião.

m3n1n1nh4s
2. m3n1n1nh4s 24/09/2009 - 13h:29

koizinhas + lindaas ;) ilana

nadarcomostubaroes
3. nadarcomostubaroes 24/09/2009 - 15h:32

***** os indios saum doidão desde guri.

4. XUXA 25/09/2009 - 13h:39

ÍNDIO FAZER BARULH0.. UUUUUUUUUUUUU INDIO TER SEU ORGULHO-- UUUUUUUUUUUUUU

5. Ed 26/09/2009 - 07h:19

Massa a foto, depois eu volto pra ler tudinho. Flws!

thenormas
6. thenormas 29/09/2009 - 07h:08

OPA!!! FLOGAO DO tHe NoRmAs ATIVADO. A GALERA MAIS DIVERTIDA, IRREVERENTE E TUDO DE BOM DA ILHA AGORA NO FLOGAO. SOMOS NOS O THE NORMAS VC JA FOI SUMARIAMENTE ADICIONADO ADICIONA AGENTE AEW MARAVILHA!!! VALEU

pandha
7. pandha 30/09/2009 - 13h:23

ROCK X CONCERT - A FORÇA DO ROCK NOS ACORDES DA MÚSICA CLÁSSICA É NESSA QUINTA NA CONCHA ACÚSTICA DA LAGOA, A PARTIR DAS 20 HORAS. INGRESSOS NO LOCAL.

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