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Sinopse
por hanakimi em 30/10/05 - 22h:34m
Hanazakari no Kimitachi E ou Hanakimi (Hana Kimi), como é chamado pelos fãs, é um dos mangás shoujos mais comentados do momento. Juntando romance e comédia na medida certa, a história tem se tornado um hit na internet e foi completamente traduzido pelos fãs para o inglês. Quando vi os primeiros scans de Hanakimi não gostei muito do traço, mas algumas amigas continuaram recomendando, e o preconceito foi todo embora quando comecei a ler e, obviamente, amar a história.
Hanakimi - cujo título traduzido quer dizer, mais ou menos, "Para vocês que estão na Flor da Idade - conta a história da jovem Ashiya Mizuki, meio japonesa e meio americana, ela morava com os pais nos EUA. Amante dos esportes e excelente corredora, ela estava cansada do marasmo da sua vida. Um belo dia, três anos antes do início da história do mangá, ela assistia um campeonato de salto em altura (high jump) estudantil quando fica fascinada por um jovem atleta, Sano Izumi. Disposta a tudo para vê-lo saltar, ela passa a acompanhar a carreira de Sano, espera até entrar no colegial e convence os pais a deixá-la estudar no Japão. Só que existe um pequeno problema, para estudar com Sano ela precisaria ser um rapaz, já que o jovem estuda em uma tradicional escola masculina, a Osaka Gakuen. Não me perguntem como os pais dela não descobriram ou a direção da escola não desconfiou... Coisas de mangá, vocês sabem... mas ela consegue admissão, e antes de viajar, pede à sua melhor amiga, Julia, que corte bem curto os seus longos cabelos. Com o novo visual, um corpete apertando seu busto - que para sua sorte é pouco desenvolvido - e vestindo roupas masculinas, Mizuki começa sua nova vida.
Na nova escola, Mizuki logo conhece Sano e percebe que o rapaz não gosta nada do jeito insistente com que ela, ou melhor, ele, o está olhando. Eis o maior problema de Mizuki, ela tem que fingir o tempo inteiro e isso implica em ter cuidado com o uso da língua (existem expressões e formas de tratamento que só são/devem usados por a homens ou mulheres em japonês, incluindo aí o simples pronome "Eu"), o jeito de andar e tratar os outros, senão, podem pensar não que ela seja uma garota, algo realmente impensável naquele lugar, mas um homossexual. Além disso, deve ter cuidado com o seu corpo e uma simples menstruação (não tão simples se ela vem acompanhada das malditas cólicas), que aparece na história várias vezes, pode representar um grande problema para ela. O fato é que Mizuki e Sano acabam sendo designados para o mesmo quarto. Ela acaba descobrindo que por algum motivo ele parou de saltar e toma como sua missão pessoal fazê-lo voltar aos esportes.
Além de Sano, Mizuki conhece outros garotos do dormitório B que reúne tanto atletas quanto alunos com outras aptidões. Dentre os outros garotos destacamos, principalmente, o sensual Nanba, e o expansivo Nakatsu. Nanba é veterano de Mizuki e chefe do dormitório B, além disso, é muito bonito e extremamente narcisista. Esse traço da sua personalidade fica bem evidente no episódio da Feira Cultural na qual os três dormitórios A (dos atletas), B e C (artistas) se enfrentam e Nanba faz de tudo para que sua "casa" vença. Já Nakatsu é uma das figuraças da escola. Jogador de futebol com muito futuro, ele acaba apaixonando-se por Mizuki e entra em crise à respeito da sua sexualidade. Afinal, se ele está apaixonado por um colega, ele seria gay, certo? Como lidar com a questão? Fugir? Assumir? E quando Nakatsu descobrir que Mizuki é mulher? Vai preferi-la como homem? Vai disputá-la com Sano? Enfim, uma fonte interminável de situações, cômicas ou nem tanto.
Outra das figuras marcantes do mangá é o médico da escola e tio de Nanba, o Dr. Umeda Hokuto, que fica sabendo da identidade de Mizuki quase ao mesmo tempo que Sano. Agora, ele não descobre porque a examina ou algo assim, de acordo com a personagem, que é gay assumido, ele reconheceria uma mulher à distância... ah, e quer que ela se mantenha bem longe dele, claro. Só que Mizuki consegue ganhar sua amizade, meio que a força, e acaba elegendo o médico como seu confidente. Umeda é, sem dúvida, uma das personagens mais legais e dá muitos conselhos úteis à Mizuki, além de ajudar a proteger sua identidade e livrá-la de algumas enrrascadas. É através dele, que a autora faz muitas piadas sobre o caráter quase yaoi de sua história. Afinal, ela tem um elenco quase que todo masculino, alguns romances homo sugeridos, uma personagem importante declaradamente gay e um romance heterossexual no centro de tudo (!). Dr. Umeda tem bons motivos para nos presentear com suas ironias e sarcasmos.
Hanakimi me surpreendeu exatamente porque não investiu no óbvio shounen-ai de fazer Sano se apaixonar por Mizuki-rapaz. Aliás, o garoto, que não é cego nem tonto, como o Falco da Madonna Coroada, acaba descobrindo logo no início da história que ela é uma moça. Daí, movido pela curiosidade, ele guarda o segredo e nem mesmo Mizuki sabe que ele descobriu. Começa então uma relação de amizade e respeito que vai aumentando de intensidade conforme os dois vão se conhecendo. Sano faz de tudo para protegê-la e ajudá-la a se adaptar ao ambiente masculino sem que ela perceba (o tempo todo) e começa a achar legal o fato de estar rachando o alojamento com uma garota. Os dois, obviamente descobrem que estão apaixonados, mas o romance não monopoliza a história e a torna monótona.
E o que teria essa história de especial? À princípio, nada, pois recorre a velha fórmula da garota, sempre um tipo meio andrógino, disfarçada de rapaz em um ambiente exclusivamente masculino. Como a história tem muito pouco ou nada de feminista, Mizuki não está lá por nenhuma motivação muito nobre ou militante, quer somente estar perto de Sano. E, afinal, quem pode recriminá-la? Importante é enfatizar que é o talento da autora, Nakajo Hisaya, em contar as aventuras e desventuras de Mizuki, a menina disfarçada de rapaz, e seu dia-a-dia no colégio sempre com muito humor que transforma Hanakimi em uma leitura deliciosa.
Este mangá é diferente de tudo publicado no Brasil até agora, e sua repercussão no Japão e fora - havia uma grande campanha dos fãs para que a Tokyopop publicasse o mangá nos EUA mas a Viz foi mais rápida, licenciou a obra e começou a publicá-la esse ano (2004). Além dos EUA, Hanakimi também é publicado na França, pela Tonkam, na coletânea shoujo Daisuki, junto com Karekano e outros sucessos. O título francês de Hanakimi é Parmi Eux que quer dizer "Entre Eles". Fora isso, Hanakimi já virou seriado de tv em Taiwan, e logo que eu tiver imagens disponibilizo para vocês. O mangá, publicado na revista Hana To Yume (a mesma de Fruits Basket) chegou ao fim recentemente (agosto/2004) contando com 23 volumes.
O final decepcionou a muitos fãs e a pressão sobre a autora deve ter sido tão grande lá no Japão, que foi publicado um outro capítulo final. O novo fim da história aplacou um pouco de raiva. Mesmo não sendo um fim ideal e bem construído, ele não tirou o brilho da história, nem abalou a carisma das personagens.
Fonte: shoujohouse/blossom