O CARTÃO DA FILHA DO LULA
A situação do presidente Lula e de seu governo está cada vez pior. Após denúncia de que seus ministros usurparam indevidamente dinheiro do cartão de crédito corporativo, da demissão de uma ministra pelo mesmo motivo e de outros sendo obrigados a devolver dinheiro aos cofres públicos, além da ameaça de início dos trabalhos legislativos no Congresso Nacional com a CPI da Farra dos Cartões, o Palácio do Planalto atolou um pouco mais a cabeça na lama.
A edição do jornal "Folha de S. Paulo" da segunda-feira 04 de fevereiro traz denúncia assinada pela jornalista Leila Suwwan, da sucursal de Brasília. Segundo a "Folha", o segurança pessoal da filha de Lula, Lurian Cordeiro Lula da Silva, gastou R$ 55 mil nos últimos nove meses no cartão corporativo do governo federal que usava. Os gastos foram feitos em lojas de autopeças, materiais de construção e ferragens, além de livrarias, postos de gasolina, supermercados e até mesmo numa loja de munição. Todas em Florianópolis.
Para quem não se lembra, Lurian foi o estopim da derrota de Lula em sua primeira tentativa de chegar ao "pote de ouro", em 1989. Na época, durante a campanha de segundo turno, o então candidato Fernando Collor de Mello, uma semana antes do pleito, levou ao seu programa de TV a chorosa Mirian Cordeiro, com quem Lula tivera um relacionamento extraconjugal. No ar, Mirian afirmou que Lula teria exigido que ela realizasse um aborto, colocando fim ao fruto daquela relação.
Os efeitos da entrevista de Mirian foram devastadores na campanha presidencial de Lula, somados à polêmica edição do último debate entre os candidatos exibido pelo "Jornal Nacional" e às insinuações na mídia de que os seqüestradores do empresário Abílio Diniz tinham ligações com o PT. Collor, então filiado ao nanico PRN, conquistou 49,9% dos votos válidos (contra 44,23% de Lula) e tornou-se o mais jovem presidente da República eleito.
Pois bem, eis que surge novamente na mídia a filha de Lula e Mirian: Lurian. O segurança pessoal dela gastou dinheiro do cartão corporativo da Secretaria de Administração do Planalto. O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República afirma que esses gastos são sigilosos e que jamais deveriam ter sido publicados no site Transparência (www.transparencia.org.br), da Controladoria Geral da União. Segundo o ministro Jorge Félix, a publicação dos gastos do segurança da filha de Lula em Florianópolis só aconteceu devido a um "erro administrativo".
No mínimo o ministro Jorge Félix toma os cidadãos brasileiros por idiotas. Para o secretário com status de ministro, o "erro" está no fato da publicação de mais uma farra com dinheiro público e não no uso indevido do cartão corporativo. É a já conhecida tática do governo Lula de culpar a janela pela paisagem. Os critérios de utilização dos cartões corporativos são claros: restritos a emergências e despesas dos funcionários públicos do dito alto escalão em viagens (acomodações e refeições).
O fato é que esses cartões tornaram-se, ao longo do governo Lula, o caixa das farras dessa cambada que se instalou no Planalto Central e, agora, de seus familiares. Para se ter uma idéia, os saques em dinheiro nesses cartões são de impossível identificação. Logo, 75% dos R$ 75 milhões gastos em 2007 foram feitos em saques em espécie. São mais de R$ 56 milhões sacados pelo alto escalão do Palácio do Planalto e que jamais saberemos onde foram utilizados. Definitivamente perderam a vergonha na cara, se é que tiveram-na algum dia.
Pois o segurança de Lurian gastou R$ 55 mil em Florianópolis, que deverão ser ocultados sob a desculpa da Segurança Nacional (já nem sei mais quem deve proteger quem). Matilde já caiu, assumindo o erro de seus gastos indevidos (mais de R$ 170 mil só em 2007). O ministro dos Esportes, Orlando Silva, garantiu que irá devolver os mais de R$ 20 mil gastos sob suspeita de ilegalidade. O ministro da Pesca, Altemir Gregolin, também deverá fazer o mesmo com os mais de R$ 22 mil que gastou no ano passado.
A propósito, o presidente da República gastou no cartão de crédito corporativo em 2007 um total de R$ 115 mil. Só com carnes para os famosos churrascos foram R$ 23.800. Até uma conta na videolocadora (R$ 55) foi paga com o cartão do presidente. Mas tudo bem, o Lula pode! Afinal, um homem tão generoso como ele, que distribui Bolsa Família, de origem humilde, que passou fome no semi-árido nordestino e que chegou a São Paulo em um "pau-de-arara" tem todo o direito de pagar suas farras após as "peladas" e suas contas com o nosso dinheiro.
Mas e a filha do Lula, o que fazer com ela? Demiti-la?
HELDER CALDEIRA
O Artigo e a Charge estão publicados em O GLOBO ONLINE
(http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2008/02/06/o_cartao_corp
orativo_da_filha_de_lula-425496969.asp)
Crédito da Charge:
Efrosino Tenório Santos
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1. Angelina Salgado 10/02/2008 - 01h28m
Corajoso você. Belo artigo, belo texto e bela maneira de se lutar contra a roubalheira da Nação Brasileira.