..:: Para não sair da moda, eis minha contribuição ::..
Sim, a cada página virada nos fotologs, mais um poeta se revela. E sabe que isso me mata de inveja?!
Sendo assim, como não sou um, preciso roubar uma idéia, copiar uma célebre obra...
...e como não sou nada original, vou colocar uma que fale de mim mesmo.
O Vampiro
(Charles Baudelaire)
Tu que, como uma punhalada,
Entraste em meu coração triste;
Tu que, forte como manada
De demônios, louca surgiste,
Para no espírito humilhado
Encontrar o leito e o ascendente;
- Infame a que eu estou atado
Tal como o forçado à corrente,
Como ao baralho o jogador,
Como à garrafa o borrachão,
Como os vermes a podridão,
- Maldita sejas, como for!
Implorei ao punhal veloz
Que me concedesse a alforria,
Disse após ao veneno atroz
Que me amparasse a covardia.
Ah! pobre! o veneno e o punhal
Disseram-me de ar zombeteiro:
"Ninguém te livrará afinal
De teu maldito cativeiro.
Ah! imbecil - de teu retiro
Se te livrássemos um dia,
Teu beijo ressuscitaria
O cadáver de teu vampiro!"
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