22/06/05 - 23h:10mDenunciar

..:: Para não sair da moda, eis minha contribuição ::..

Sim, a cada página virada nos fotologs, mais um poeta se revela. E sabe que isso me mata de inveja?!



Sendo assim, como não sou um, preciso roubar uma idéia, copiar uma célebre obra...



...e como não sou nada original, vou colocar uma que fale de mim mesmo.





O Vampiro



(Charles Baudelaire)



Tu que, como uma punhalada,

Entraste em meu coração triste;

Tu que, forte como manada

De demônios, louca surgiste,



Para no espírito humilhado

Encontrar o leito e o ascendente;

- Infame a que eu estou atado

Tal como o forçado à corrente,



Como ao baralho o jogador,

Como à garrafa o borrachão,

Como os vermes a podridão,

- Maldita sejas, como for!



Implorei ao punhal veloz

Que me concedesse a alforria,

Disse após ao veneno atroz

Que me amparasse a covardia.



Ah! pobre! o veneno e o punhal

Disseram-me de ar zombeteiro:

"Ninguém te livrará afinal

De teu maldito cativeiro.



Ah! imbecil - de teu retiro

Se te livrássemos um dia,

Teu beijo ressuscitaria

O cadáver de teu vampiro!"

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