A língua nua.
Tudo o que escorre, liberta,
Um acesso de vida, desoculta,
O que antes estivera preso, o que resulta,
Num jorro que percorre a veia aberta.
Ao olho que vê, decerto desconcerta,
Conquanto o fluxo irrompa a linha devoluta,
Entre o dente e a carne, enquanto oferta,
Uma poça de sangue ante a prostituta.
Projeta-se a noite em pleno precipício,
Ocultando o acesso de vida, a que desaba,
Através do cálido orifício.
Como o impaciente diante o fim que nunca acaba,
Ou o avarento como o que escorre em desperdício,
Decido pela língua nua e estanco o fluxo com baba.
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