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mais uma do amor.

por isadoralevi em 19/3/2008

O meu maior desejo seria conseguir me obedecer. Eu nunca me obedeço nas coisas que eu falo, nas promessas que me faço. Nunca mais, é quase um para sempre por aqui. Sim e não se confundem, e eu perco o controle do meu próprio controle. Ai querido, eu queria tanto não me importar. Mas eu nunca consigo realmente. Ah, eu queria tanto ser capaz de me esconder mais, ser capaz de enconder de ti as desgraças que você me proporciona. Mas nunca fica possível, por mais promessas que eu faça. Ah, meu ego está sempre precisando de desculpas. Eu as peço sem nem perceber, só para depois ser desculpada sem entender também. É somente porque eu sou uma criança que pede desculpas só porque a mãe mandou dizer. Eu sou fraca. E mesmo diante disso você se orgulha da sua ignorância e grosseria diante de mim. Eu sou perversa. E você nem percebe. E nem nota o perigo que corre com a minha presença por perto. Nem nota que muitas desgraças se fortalecem quando você me deixa abandonada. Mas se você soubesse como me deixar, se soubesse como ir embora, eu não me sentiria abandonada, simplesmente sentiria você indo embora. E talvez, assim, eu passasse a viver quando você está ausente. Você nem vê o quanto as nuvens passam grossas e o quanto a chuva lá fora me entristece, porque você está dentro de uma caixa de vidro lotada e eu dentro de uma caixa de vidro vazia. Eu sou um monstro. E você nem percebe, nem nota o perigo que corre ao meu lado, que eu sou capaz de crimes nunca antes desejados. Ai querido, você foi capaz de me tornar princesa e agora leva embora todo o luxo com o qual eu convivera. Eu queria não ter que pedir desculpas sozinha. Por mais que muitas das vezes eu reconheça minhas falhas, esse reconhecimento se anula quando eu vejo que você não está reconhecendo as suas. E não me refiro em nada em particular. Eu queria ser menos dramática, mas eu adoro chorar. Eu queria que você não confundisse minha dor com chantagem, pois elas se diferem num tanto. E queria, de alguma maneira, me soltar de você, mas há um certo amor que me prende, me corrompe, me sustenta, e - às vezes - me ignora.