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Mina de Ouro Ivete Sangalo!
por ivetebaiana em 29/10/05 - 10h:39m
Sentada atrás de microfones e gravadores, Ivete Sangalo deu um show solo e bastante peculiar para cerca de 60 jornalistas na tarde de terça-feira, quando recebeu repórteres de todo o País para falar de seu novo disco, As Supernovas, e da apresentação que fará domingo, no estacionamento do Credicard Hall. Ivete, em pouco mais de 20 minutos, provou por que é hoje a mulher mais poderosa do show biz.
Os poderes de Ivete não estão diretamente ligados a suas gravações, muito menos às suas respostas. Em muitos casos, ela apela aos clichês. "Não faço disco para agradar críticos", "ouço de tudo um pouco quando estou em casa" e "sou uma operária da música" são mantras recitados tanto por artistas novos quanto pelos que estão em seu 50º CD. O que Ivete Sangalo tem - que outras não - é o domínio sobre a situação. Como faz em shows catárticos para até 120 mil pessoas, ela dá as cartas também para jornalistas e até executivos de gravadora.
Ivete faz o que quer da vida dentro da empresa que lança seus discos, um feito e tanto comparado a carreiras de outros grandes artistas. "Tenho até vergonha de falar de gravadora. Os caras (diretores) devem ter medo de mim porque nunca falam nada comigo. Não sofro nenhum tipo de pressão. Eles, pelo contrário, pedem para eu gravar minhas próprias músicas. Minha verdade é muito maior do que a verdade de qualquer diretor de gravadora. Não gravaria uma música só para ela virar tema de Copa do Mundo." Nem a escolha da 'música de trabalho' a preocupa. "Hoje deixo a música determinar o poder dela."
Ninguém ousa perguntar nada que saia do tom em uma entrevista coletiva com Ivete Sangalo. "Que artista teria o potencial para ser uma Ivete Sangalo?" foi a questão feita duas vezes por jornalistas que fariam melhor se pedissem um autógrafo na camiseta. Ivete sorria e ensinava como colocar palavras nos jornais e nas revistas sem que elas parecessem obviedades. "Eu prefiro os críticos falando mal de mim do que dizendo que eu tenho celulite". E então advertiu a massa: "Eu tenho certeza que essa frase vai sair como olho (informação em destaque) em algum jornal. Se for, vai ser muita falta de criatividade. Gente, não façam isso. Por favor, coloquem a faculdade que vocês fizeram para funcionar."
A televisão não vende discos, mas também quer Ivete Sangalo. Em dezembro e janeiro, devem ir ao ar quatro musicais na Rede Globo que serão apresentados por ela. "O problema da televisão é que me sinto muito à vontade na frente das câmeras. E isso é um perigo", falava Ivete, com o sorriso que colocava a massa dos formadores de opinião de joelhos na sala do hotel Unique.
Os fabricantes de perfume, outros que nada têm a ver com música, querem Ivete. Garota propaganda de um novo perfume da Avon, Extraordinary, ela topou comercializar seu disco junto com o produto voltado para as classes A e B.
O Hospital do Câncer de Barretos também se deu bem com a conquista de Ivete como porta-voz. A cantora visitou as dependências da instituição e ficou surpresa com sua estrutura desenvolvida. Fechou um acordo para ajudar o hospital e, desde então, tem ajudado a reduzir suas dívidas com ações como: doação de bilheteria para a instituição, lançamento de um disco especial (em fase de produção), apoio à venda de camisetas. O novo CD de Ivete, As Supernovas, foi pouco comentado. Os jornalistas querem mais Ivete do que a música de Ivete.
Ivete Sangalo - Domingo, às 18h. Estacionamento do Credicard Hall (Av. Nações Unidas, 17.955. Fone. 6846-6000). Ingressos: de R$ 90 a R$ 200