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JANIS JOPLIN



01/09/06 - 12h:34m



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CRAZY JANIS

(Dedico este meu poema a Janis Joplin e a todos aqueles que, um dia, acreditaram que uma revolução mundial seria possível).



É tão triste ouvir

tanto sentimento disperso, perdido no tempo.

Alguém sonhou por mim, por nós,

por não sei quantos mais,

lançando sobre a Terra inteira

uma semente de Sol.

Foi tão lindo ouvir

a verdade do teu nome tanto tempo depois

porque a arte está além do tempo,

do tempo e do espaço,

arremessando à terra e ao céu

uma mensagem muito real.

Mensagem atual

para outras gerações que estão vindo aqui.

Novos rebeldes estão ligados às ondas

que o teu canto abriu no mar,

mesmo porque uma realidade opressiva

continua a existir.

É tão triste possuir

a consciência da liberdade

sem poder nada mudar.

Levantar as bandeiras do que poderia ser

mas, percebendo que o mundo é tão falso,

pouco podendo fazer.

O violão tocando

a canção de uma guitarra que calou a voz.

A poesia em teu olhar distante

gritando imagens,

palavras nuas encobertas pelo grande silêncio.

É bonito amar.

Tudo é tão belo e tão necessário

mas poucos compreendem isso.

Resta repetir, bem alto, o toque de Martin Luther King:

"Eles roubaram a nossa liberdade

e nós a queremos de volta".

Não há nada além

da vontade de viver que ainda existe em nós

fazendo nascer

o mesmo que muitos imaginaram quando quiseram cantar

ou escrever poemas em pranto

no espelho radiante das águas.

É verdade, sim:

eu sou apenas um poeta, um sonho da chuva.

Você foi um pouco mais do que nós quando decidiu viver,

deixando a saudade em sombras

no leito do amanhecer.

Fugiu do mundo inteiro.

Não queria ir para a guerra

mas não encontrou a paz.

Paz e amor a gente inventava

mas não deu para segurar

quando os senhores da guerra

mataram as flores do paraíso.

É o fim do sonho.

É o fim de todo um mundo que nem ao menos começou.

O sistema derrotou a utopia

e todos nós perdemos novamente.

Estamos enfiados nas garras do maldito poder.

Janis Joplin, eu agora sei:

a lembrança estacionada na aventura do tempo

conta estórias de uma realidade que nós desejávamos viver.

A beleza seria algo real

se a nossa revolução viesse a acontecer.

Poderia ser

Joan Baez ou Ângela Davis

ou simplesmente você,

mulher, ser humano, ser profundo

como nós poetas, "beatniks", malucos, ciganos,

"drop-outs" da vida.

Escuto a tua voz

em discos antigos dos anos 60

ou do início dos 70, quando você se foi,

deixando o teu estranho nome escrito

em um oceano de estrelas.

Woodstock se foi.

O amor que todos encontraram na liberdade de ser,

quebrando limites, regras, países,

fazendo as cabeças,

e se acabando como o fogo no gelo das montanhas.

Tocando o teu estranho blues,

amargurado, triste, liberto,

eternamente eterno,

na distância do pensamento eu sinto

tua voz nos discos,

tua alma ao vento,

Pérola de luz.













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