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mensagem enviada por Ami - FAZENDO DEUS SORRIR
por jbacj em 30/09/05 - 11h:39m
esse texto foi publicado aqui na I.B. da capunga no dia 21.08.05, por conta do dia do jovem batista...
amplexos.
FAZENDO DEUS SORRIR
Amanhece com aquele azul nublado. Sairiam para a semanal feira de sábado.
__ ”Tendo somente a si mesmo para amar, quem se amaria?” __ J. More indaga logo que acorda, com o livro que a entretia ainda no colo.
__ Faria como os poetas! __ respondeu sua mãe __ “Inventaria um mundo bem particular”. Um não! Vários. “Idealista, sairia à toa por uma causa perdida” __ completou ela abrindo as venezianas do quarto da filha.
__ Ô, mãe, tenho mesmo que ir?
__ Claro que sim. Como é que você vai conhecer outros mundos deitada aí o dia todo? __ rindo, a mãe saiu deixando a porta aberta deixando entrar a claridade do dia já de pé.
Preciso deixar essa metafísica matinal e lar algo menos paranóico __ pensou J. More, ao tirar o livro do colo.
Viam-se agora os hortifrutigranjeiros falando aos berros vendendo seus produtos. Ao pegar algumas laranjas, a menina de apenas 11 anos, de supetão exclama a sua mãe:
__ Não! Eu não faria como os poetas, não. Faria melhor: “uma esfera cujo centro está por toda parte e cuja circunferência está em parte alguma”. Minha causa já não seria tão perdida quanto a deles. __ orgulhosa, citava Nicolau de Cusa.
__ Ô meu amor! O que anda lendo, hein? __ a mãe repreendia enquanto escolhia cachos de uvas para um fondue de logo mais à noite com a família.
__ Mãe, mãe! Escuta essa! Tenho outro paradoxo para a senhora. __ a garota, que parecia não ter ouvido a repreensão, continuou __ Presta atenção:
“um príncipe e uma princesa. Viviam num plano mundo. Deus, então, a colocou no alto de um enorme orbe. o príncipe põe-se contra Deus. Não obstante, havia ali um equilíbrio. o busílis é este: o quê o príncipe faria a sua princesa diante de Deus?”
A mãe fingiu não ter dado atenção à pequena, perguntando se ela preferia carambolas a morangos maduros.
__ Ah, mãe! Leva os dois... __ chateada, respondeu, vendo os frutos poucos sumarentos.
A feira para as duas terminara mais cedo naquela manhã. Finalmente, pela noite, a família reunida excepcionalmente, pô-se a desfrutar da presença um do outro e apreciar o maravilhoso fondue de chocolate posto à mesa. Contudo, J. More se encontrava na varanda, junto às flores. Sua mãe que a espiava de longe foi até lá.
__ O que há, mocinha, ãnh? __ parecia que a mãe estava alheia à pequena desde a feira; e continuou:
__ Vou lhe falar o que penso daquele paradoxo. __ logo J. More despertou. __ Algo parecido ocorreu comigo há uns quinze anos. Assim que nos casamos, seu pai e eu nos encontramos num conflito familiar. Algo delicado. Uma tia sua se encontrava numa maca de hospital: que é a nossa grande esfera da história. Ela havia sido atingida por uma bala perdida quando voltava do supermercado. Deus, dessa forma, a colocara ali. __ a menina parecia atenta e chocada, mas ainda não entendia onde sua mãe queria chegar com aquela história. __ Pus-me, desesperadamente, a gritar com Deus: “Por que isso tudo?“. Às vezes, minha filha, eu pensava jogar tudo pro alto e, errante, desaparecer. Esqueceria toda aquela situação e “empurraria a grande esfera com minha irmã no alto dela”. Poderia dar certo. Mas acho que o equilíbrio desapareceria também. Sentia que minha vida dependia muito dela e que morreria por ela: “tentaria de diversas maneiras tirar minha irmã daquela maca”. Era tudo o que queria. Sabia que não conseguiria, com minhas próprias forças, mas tentaria e permaneceria tentando. __ a garota se via agora lamentando por uma tia que nunca pôde conhecer. __ Deus, minha filhinha, leva em consideração a nossa atitude de coração. Não queria que minha irmã morresse... Mas não o direito de argumentar com o nosso Criador. Somos vasos de barro nas mãos de um oleiro: nosso Deus. E, assim como nós, aquela sua tia também. Ela não questionou os planos de Deus. O tiro foi fatal e Deus a levou. __ depois de um momento breve, ela continuou __ ...E agradar a Ele deve ser o nosso mais intenso desejo. Minha irmã certamente O louvou por aquilo e nós devemos procurar fazer o mesmo em nossas vidas.
A menina agora se encontrava em prantos, mas contente por saber que mais um paradoxo tinha sido resolvido, pelo menos pra ela. Voltaram as duas para a sala e se confraternizaram imensamente naquela noite de um céu limpo cujas nuvens já haviam passado.
aminadabe pires