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Alfie

por judelaw11 em 09/12/05 - 15h:21m


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Alfie - O Sedutor


Jude Law pode salvar o mundo de robôs gigantes (Capitão Sky e o Mundo do Amanhã), viver um executivo do mal (I Heart Huckabees) e até narrar desastres com pobres órfãos (Desventuras em Série). Mas é no papel de Alfie que o inglês finalmente fuma o charuto e diz: "Sou um astro". Alfie, remake do longa de 1966, estrelado por Michael Caine, não é nenhum concorrente a Oscar ou drama shakespeariano, muito menos um blockbuster. É o tipo de filme que tem o ator certo na hora certa e fazendo o estereótipo certo: mulherengo inglês galã que traça todas as garotas e ainda consegue a simpatia do público - feminino e masculino. Às vezes é bom relaxar no cinema, não?
A versão masculina e com sotaque de Carrie Bradshaw, a líder da gangue de Sex and the City, é a mais perfeita personalização do ego machista freudiano e ninguém deve esperar nada além. Confiando inteiramente em seu protagonista, o diretor Charles Shyer acertou no alvo ao acrescentar certas sensibilidades que passavam longe do original - Caine chamava as mulheres de "aquilo" ou "aquela" e não tinha o mínimo problema em ser canalha ao extremo. Law, no entanto, ganha sentimento de culpa, um desejo secreto de ser monógamo e a capa-cidade de viver uma ressaca moral. Esse progresso não o impede de dormir com a mulher do melhor amigo (Nia Long) e explorar o sexo feminino, da vizinha idosa à Marisa Tomei, uma mãe divorciada que fica presa na teia de charme do amante a ponto de passar direto por suas travessuras.
Boa parte de Alfie (digamos, a melhor dela) é uma sucessão de malandragens e dicas masculinas que somente Jude Law poderia carregar sem causar antipatia ou tédio. O problema é quando a personalidade politicamente correta de Hollywood começa a aparecer perto do final, criando novas características para Tomei (de mulher desesperada para mãe super-mega-confiante) e novas personagens (Susan Sarandon, uma milionária por quem Alfie cai de quatro). Por outro lado, as mudanças trazem também a maravilhosa Sienna Miller, vivendo uma loiraça festeira que junta os trapos com Law. O filme ganha contornos mais melancólicos e só perde o rumo porque tenta passar lições de moral - ei, qual a graça em ser mulherengo se você não pode aproveitar completamente? Bem, não pergunte ao diretor. Alfie - O Sedutor é divertidíssimo, porém também não dá para curtir completamente.

ALFIE, EUA, 2004. DE CHARLES SHYER. COM JUDE LAW, JANE KRAKOWSKI, MARISA TOMEI, OMAR EPPS, NIA LONG, SIENNA MILLER, SUSAN SARANDON. 103 MIN. WWW.ALFIEMOVIE.COM. UIP. COMÉDIA

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