24/04/07 - 01h:09mDenunciar

Phillipe Seabra

ao som da Plebe Rude...gosto demais!!!



Aí vai um texto que fiz hoje...estou vendo uma história se repetir, por isso resolvi escrevê-lo. Os nomes dos personagens são fictícios. Não quero constranger ninguém.





Universitários, futuros bons profissionais?





Dezembro de 2001. Thaís Araújo, 20 anos, acaba de concluir o ensino médio em uma escola pública de Itapecerica. Com o sonho de fazer uma faculdade e de ser uma professora, resolve prestar vestibular para letras em uma faculdade do Centro-Oeste de Minas. É aprovada.

Fevereiro de 2002. Inicia os estudos com a ilusão de conseguir um diploma de curso superior. Primeiras aulas, presença garantida. Thaís faz amizades na sala de aula, fora também. Até se interessou por um carinha que cursava história. Não demorou para um romance começar. Como eram muito jovens, normal Thaís e seu namorado gostar de festas e bares (principalmente os que ficavam próximos à faculdade). Adoravam um amarelinho. O tempo foi passando e a garota começou a ficar ausente das aulas de português, de literatura, de inglês, de latim então...

Era difícil encontrar a jovem na sala de aula, mas fácil na praça de alimentação e nos bares. Tinha uma mania de sempre pedir aos seus colegas de sala para ligar em seu celular, caso algum professor fosse dar trabalho. De vez em quando, assistia aula para fazer média com o professor e aproveitava a oportunidade para oferecer brincos e colares às colegas. A sala, às vezes, parecia um bazar, mas era com o dinheiro da venda das bijuterias que pagava suas mensalidades.

Thaís adorava matar aulas para namorar nos corredores da faculdade. Estava apaixonada e o rapaz também. Não ligava para trabalhos, provas. Normalmente, suas colegas faziam as atividades e colocavam o nome dela, sem nenhum problema. Thaís era popular na sala, alegre e se dizia amiga, não tinha como ser excluída de grupo de trabalho.

A jovem conseguia boas notas, seja por meio de

colas ou de trabalhos feitos pelas colegas. Finalmente, chega dezembro de 2004. Thaís se forma em letras. Está feliz e ainda continua com o namorado. Voltou para Itapecerica.

Dezembro de 2005. Encontro a jovem “colega” em uma outra universidade do Centro-Oeste de Minas. Ela me abraça e eu pergunto:

_Você por aqui (cheguei a pensar que ela estava fazendo um outro curso superior)?

_ É, Jucielle, trouxe meus alunos do terceiro ano para conhecer a universidade.

_Você está dando aula? (perguntei assustada)

_ Uai, tem que dar né!?!. Peguei aulas de português e inglês em uma escola de Itapeceria (Detalhe: a avó de Thaís é diretora da escola).

_ E você teve coragem de pegar aulas? (quando vi, já tinha perguntado)

_É, peguei e hoje trouxe meus alunos para conhecer a universidade. Eles irão tentar vestibular neste ano.

Despedi-me de Thaís e ela continuou seu percurso pelo campus com seus alunos.

Abril de 2007. O professor entra na sala para dar aula de produção de sites. Duas colegas, Alice Morais, de Formiga, e Mariana Gonçalves, de Lagoa da Prata, também na faixa de 20 anos, chegam atrasadas. O professor vai logo brincando de uma forma irônica: “Olha só, as turistas chegaram!”

Maquiadas, de roupinha da moda, saltos, brincos, colares e cabelos chapados, as duas garotas sentam na frente dos computadores e a de Formiga com uma voz fresca me pergunta: “Ele vai dar alguma coisa valendo nota?”

_ Não. (respondo)

Mais que rapidamente elas saem da sala, sem dar nenhuma satisfação para o professor. O destino já estava certo: ir a um bar ao lado da universidade curtir um som, jogar sinuca e beber cerveja. São assíduas de um tal república.

Fico pensando que profissionais de merda serão essas mocinhas (como já dizia Nelson Rodrigues: bonitinhas, mas ordinárias), que faculdades são essas que jogam formandos assim no mercado de trabalho? O pior de tudo é saber que essas ordinárias passam de ano, se formam e ainda disputam vaga lá fora com a gente. Conseguem trabalho (até mesmo porque é neta de diretora de escola e filha de gente que não me interessa saber).

Vejo tantas pessoas interessadas e que param de estudar por falta de dinheiro (conheço uma que saiu recentemente da psicologia, porque tem aluguel e contas para pagar, comida para comprar e a contribuição do ProUni foi pouca. Sei que os professores sentem falta dessa pessoa, porque era participativa, questionava e não falava asneira).

Questiono a atuação da ex-colega de letras como professora e vou questionar a atuação das mocinhas como profissionais da comunicação. Fico impressionada com a imaturidade, a falta de responsabilidade na vida e de respeito com os professores (conversam o tempo todo, entram e saem da sala a hora que quer). Falta respeito até mesmo com os pais delas que devem trabalhar muito para pagar suas mensalidades.

Não concordo com a cobrança dos pais, da sociedade, de que seus filhos têm que prestar vestibular, assim que saem do ensino médio. Não é assim, muitos não têm maturidade para saber o que querem da vida, não levam nada a sério e ficam pulando de curso em curso. Essa falta de preparo dos profissionais contribui muito para a falta de educação. É por isso que o Brasil é subdesenvolvido e nunca vai ter educação que presta.





Plebe Rude

Comentários (9)

1. Mauricio Possa Lopes 24/04/2007 - 01h27m

Você falou tudo, Ju!! Nossa...
"muitos não têm maturidade para saber o que querem da vida, não levam nada a sério e ficam pulando de curso em curso". E o pior é que não têm maturidade e acabam ocupando o lugar de pessoas que teriam maturidade e, mais que isso, utilidade para a sociedade. Namorar é muito bom, e todo mundo gosta de curtir, claro, tem hora pra tudo. Mas o que essas pessoas fazem é desperdiçar o curso e, pior que isso, pessoas. Pois ocupam o lugar de outra q renderiam mais...

2. Camila 24/04/2007 - 08h26m

Bom dia Ju!
Que orgulho de ser conterrânea da sua personagem!!! rsrs
Saudades...
Texto 10!!!!!!!!
Beijos...

3. Lívia 24/04/2007 - 08h55m

Vim ver o texto que vc flw..
ficou ótimo!
Nossa, é revoltante isso.. saber que quando nos formarmos vamos ter que concorrer com pessoas assim.
Na minha sala tem gente que num sabe nem o que é verbo, pq mata todas as aulas na praça de alimentação, nos bares..
depois fica igual parasita, agarrado em alguém que é atento às aulas..
é *****..
um abraço

maritheusaeverde
4. maritheusaeverde 24/04/2007 - 13h24m

***** o texto, em ambos os sentidos...

rednewvideomaker
5. rednewvideomaker 24/04/2007 - 16h59m

Curto PLEBE de mais... e este post me fez lembrar dessa música: "a uma espada sobre minha cabeça, é uma pressão social que não quer que eu esqueça: que eu tenho que trabalhar, que eu tenho que estudar. Que eu preciso ser alguém, que eu não posso ser ninguém"... essa é uma quais gosto deles.

rednewvideomaker
6. rednewvideomaker 24/04/2007 - 17h02m

... "que meu lucro é a perda de alguém" frase tipica do capitalismo, ou CAPETALISMO como dizia nosso prof. Moises Augusto(CATATAU)

rednewvideomaker
7. rednewvideomaker 26/04/2007 - 14h03m

Oi Jusmith,
Ontem não tive tempo de ler a história que te deixou em questionamentos sobre
"Universitários, futuros bons profissionais?"
Só hoje li. O que posso falar sobre isso.. É que universidades, faculdades, escolas, e escolas técnicas, não faz profissional com se fossem um tipo de produto pronto. O que as instituições fazem se resume em indicar caminhos e possibilitar habilitações para aqueles que corresponderem suas exigências...

rednewvideomaker
8. rednewvideomaker 26/04/2007 - 14h05m

Agora quanto tais injustiças temos em muitos lugares. Mas ter um consciência como vc tem, e lutar contra isso já é um grande avanço.
A padrinhagem esta em quase todo lugar... O que interessa é fazer valer sua formação, e se destacar quanto tal... e *****-se o resto. rsrsrs

rednewvideomaker
9. rednewvideomaker 26/04/2007 - 14h09m

*****-se também a concordância nesse comentário. Tava com pressa!
Não se prenda em detalhes o que interessa é a essencia(conteúdo.
O que vc tira disso?

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