26/06/07 - 23h:29mDenunciar

Sirley Dias de Carvalho Pinto

Sirley Dias de Carvalho Pinto, empregada doméstica, 32 anos. Acorda no sábado de madrugada para ir ao médico (com certeza pelo deplorável SUS, se fosse particular às vezes não precisaria acordar tão cedo). Vai para o ponto de ônibus e tem a infelicidade de ser agredida por cinco playboys desgraçados e vagabundos. Confundiram a doméstica com uma prostituta...e daí se ela fosse??? Que falta de juízo, que falta de vara...garanto que esses universitários de elite nunca levaram uma correiada na bunda, nunca apanharam de vara de marmelo, de mangueira e de chinelo. Provavelmente, são do tipo de "homens" que dão uma preguiiiiiiiiiça e que nunca leram textos do Patativa do Assaré...ê mundo ordinário, desgraçado...ê mundo que precisa de um limpa...



Aí vai um texto do Patativa para os universitários de elite...



Aos poetas clássicos



Poetas niversitário,

Poetas de Cademia,

De rico vocabularo

Cheio de mitologia;

Se a gente canta o que pensa,

Eu quero pedir licença,

Pois mesmo sem português

Neste livrinho apresento

prazê e o sofrimento

De um poeta camponês.



Eu nasci aqui no mato,

Vivi sempre a trabaiá,

Neste meu pobre recato,

Eu não pude estudá.

No verdô de minha idade,

Só tive a felicidade

De dá um pequeno insaio

In dois livro do iscritô,

O famoso professô

Filisberto de Carvaio.



No premêro livro havia

Belas figuras na capa,

E no começo se lia:

A pá — O dedo do Papa,

Papa, pia, dedo, dado,

Pua, o pote de melado,

Dá-me o dado, a fera é má

E tantas coisa bonita,

Qui o meu coração parpita

Quando eu pego a rescordá.





Foi os livro de valô

Mais maió que vi no mundo,

Apenas daquele autô

Li o premêro e o segundo;

Mas, porém, esta leitura,

Me tirô da treva escura,

Mostrando o caminho certo,

Bastante me protegeu;

Eu juro que Jesus deu

Sarvação a Filisberto.



Depois que os dois livro eu li,

Fiquei me sintindo bem,

E ôtras coisinha aprendi

Sem tê lição de ninguém.

Na minha pobre linguage,

A minha lira servage

Canto o que minha arma sente

E o meu coração incerra,

As coisa de minha terra

E a vida de minha gente.



Poeta niversitaro,

Poeta de cademia,

De rico vocabularo

Cheio de mitologia,

Tarvez este meu livrinho

Não vá recebê carinho,

Nem lugio e nem istima,

Mas garanto sê fié

E não istruí papé

Com poesia sem rima.





Cheio de rima e sintindo

Quero iscrevê meu volume,

Pra não ficá parecido

Com a fulô sem perfume;

A poesia sem rima,

Bastante me disanima

E alegria não me dá;

Não tem sabô a leitura,

Parece uma noite iscura

Sem istrela e sem luá.



Se um dotô me perguntá

Se o verso sem rima presta,

Calado eu não vou ficá,

A minha resposta é esta:

— Sem a rima, a poesia

Perde arguma simpatia

E uma parte do primô;

Não merece munta parma,

É como o corpo sem arma

E o coração sem amô.





Meu caro amigo poeta,

Qui faz poesia branca,

Não me chame de pateta

Por esta opinião franca.

Nasci entre a natureza,

Sempre adorando as beleza

Das obra do Criadô,

Uvindo o vento na serva

E vendo no campo a reva

Pintadinha de fulô.





Sou um caboco rocêro,

Sem letra e sem istrução;

O meu verso tem o chêro

Da poêra do sertão;

Vivo nesta solidade

Bem destante da cidade

Onde a ciença guverna.

Tudo meu é naturá,

Não sou capaz de gostá

Da poesia moderna.





Dêste jeito Deus me quis

E assim eu me sinto bem;

Me considero feliz

Sem nunca invejá quem tem

Profundo conhecimento.

Ou ligêro como o vento

Ou divagá como a lêsma,

Tudo sofre a mesma prova,

Vai batê na fria cova;

Esta vida é sempre a mesma.





Abaixo, matéria postada ontem no blog do Gabeira...



A empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto, de 32 anos, teve a bolsa roubada e foi espancada por cinco jovens moradores de condomínios de classe média da Barra da Tijuca, na madrugada de Sábado. Os golpes foram todos direcionados à sua cabeça. Presos por policiais da 16 DP (Barra), três dos rapazes - o estudante de administração Felippe de Macedo Nery Neto, de 20 anos, o técnico de informática Leonardo Andrade, de 19, e o estudante de gastronomia Júlio Junqueira, de 21 - confessaram o crime e serão levados para a Polinter. Como justificativa para o que fizeram, alegaram ter confundido a vítima com uma prostituta.



Os outros dois envolvidos - o estudante de turismo Rodrigo Bassalo, conhecido como Big Head (cabeça grande em inglês), de 21 anos, e o estudante de direito Rubens Arruda, de 19 - estão foragidos, mas já há mandados de prisão expedidos contra eles. O delegado titular da 16 DP, Carlos Augusto Nogueira Pinto, disse que os cinco serão acusados de tentativa de latrocínio (roubo seguido de morte) e poderão ser condenados a penas entre 12 e 15 anos de prisão.



"Os rapazes, sem explicações, espancaram a vítima violentamente. Devido à gravidade, à quantidade e à localização dos golpes, eles serão enquadrados no artigo 157, parágrafo 3, tentativa de latrocínio", disse o delegado. "Agora eles estão em silêncio, demonstrando arrependimento".



Sirley contou que às 4h50m estava esperando um ônibus num ponto na Avenida Lúcia Costa, em frente ao Condomínio Summer Dream, onde trabalha. Iria para Imbariê, em Duque de Caxias, para fazer um exame preventivo num posto de saúde próximo à sua casa. Depois, seguiria para Ipanema, onde faria um serviço extra. Naquele momento, um Gol preto parou e quatro homens saltaram.



"Foi tudo muito rápido. Eles puxaram minha bolsa, e, quando eu me desequilibrei e caí, começaram a chutar. O alvo deles era só a cabeça. Estou com um dos braços roxo (o direito) porque tentei proteger meu rosto. Teve uma hora em que levei um chute muito forte, no lado esquerdo do rosto, e tudo escureceu. Pensei que ia morrer, e eles não paravam de bater. Foram muito cruéis, pareciam estar drogados. Eles ainda agrediram outras duas senhoras antes de ir embora", contou Sirley.



Na bolsa, ela levava um celular que ainda não acabara de pagar, R$ 47, o pedido de exame médico e seus documentos. Tinha também um cartão de identificação do condomínio Summer Dream e, por isso, teme represálias. Desnorteada e sem dinheiro, Sirley voltou ao condomínio para pedir ajuda. Lá, soube que um taxista que passava pelo local na hora da agressão anotara a placa do carro dos rapazes e entregara ao segurança.

Seus patrões a acompanharam à 16 DP, mas os policiais, impressionados com os ferimentos de Sirley, aconselharam que eles a levassem primeiro ao Hospital Lourenço Jorge, onde ela foi submetida a radiografias. Os pais e a irmã da doméstica foram encontrá-la no hospital.



"Foi um absurdo o que fizeram com ela. Quando a Sirley ligou dizendo que tinha sido assaltada e espancada, não tínhamos idéia de que íamos encontrá-la daquele jeito", contou, emocionada, sua irmã, Patrícia Dias Carvalho, de 34 anos.



Quando a Sirley chegou em casa, seu filhinho, de 3 anos, perguntou: "Mãe, foi o moço mau que fez isso com você?".



A partir da placa do carro, os policiais identificaram Felippe de Macedo Nery Neto, proprietário do veículo. Sirley, que depois de medicada voltou à delegacia, reconheceu-o pela fotografia disponível no sistema do Detran. Felippe se apresentou espontaneamente no Sábado à noite, depois de saber que os policiais o procuravam. Confessou o crime e deu os nomes dos outros quatro participantes.



Segundo ele, os cinco voltavam de uma festa no Espaço 45, em São Conrado. Felippe disse que estava ao volante e não desceu do carro. E que todos, menos ele, haviam bebido. Ainda segundo o estudante, ao reconhecê-lo, Sirley o teria confundido com outro membro do grupo, com quem é parecido. Enquanto o estudante estava na delegacia, a polícia obteve o mandado de prisão contra ele, e Felippe foi encarcerado.



Júlio e Leonardo foram presos Domingo de manhã e também confessaram participação no crime. A polícia realiza buscas para localizar Rodrigo e Rubens e já aconselhou as famílias a convencerem-nos a se entregar. Parentes de alguns dos acusados passaram a manhã na delegacia. Tensos, não quiseram falar com os jornalistas e fizeram ameaças.



Sirley voltou à delegacia à tarde para fazer o reconhecimento dos três presos:



"Só quero Justiça, que os culpados sejam presos e condenados. Eles disseram que fizeram isso porque me confundiram com uma prostituta. Mas, mesmo que eu fosse, cada um faz o que quer de sua vida. Ninguém merece uma agressão dessas. Lá onde eu moro, muitas pessoas trabalham e estudam à noite e não têm oportunidade. Eles (os agressores) não sabem aproveitar o que têm", disse.

Comentários (2)

1. B. 27/06/2007 - 08h13m

A Desgraça, a desgraça, a desgraça.
O horror, o horror, o horror!!

maritheusaeverde
2. maritheusaeverde 27/06/2007 - 13h32m

"Tudo sofre a mesma prova,
Vai batê na fria cova;
Esta vida é sempre a mesma. "
espero que morram todos de câncer

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