02/07/07 - 00h:35mDenunciar

Infelizmente, tivemos que colocar esse anúncio na porta do Jazz...quem não presta tem que morrer, que a Vera queime no fogo do inferno.





A saga dos roqueiros formiguenses: da satisfação à frustração



Formiga, 67 mil habitantes. Cidade agradável, que encanta turistas pela sua hospitalidade e beleza. Formiga, 149 anos. Cidade centenária, mas que impressiona pela sua jovialidade. Formiga, terra da arte. Cidade privilegiada pelos inúmeros músicos, poetas, atores, escritores e cineastas.



Essas são apenas algumas das qualidades existentes em Formiga, a Cidade das Areias Brancas. Mas o que vou relatar faz toda essa beleza ser deixada de lado. Foi triste ouvir na noite de sábado passado a frase: “A vontade é de sumir dessa cidade”.



A história que presenciei começa assim: Última semana de junho. Duas bandas de rock formiguenses resolvem se unir para fazer shows e levar um pouco de diversão à juventude da cidade. Uma delas é a Anarkaos: 11 anos de estrada, dois CDs já lançados e elogiados por importantes críticos musicais de mídias nacionais e dois videoclipes – um veiculado na “MTV Brasil”. A outra é a Pato Rocco, banda jovem que vive a melhor fase de sua carreira. Ambas, levam o nome de Formiga para toda parte do país.



Com sede de tocar, os roqueiros da Anarkaos e Pato Rocco agendam shows no tradicional Bar Tijolinho. A data: 30 de junho. Tudo pronto, iniciam a divulgação. Os próprios músicos propagam suas apresentações. Quarta-feira, dia 27. As bandas são surpreendidas com a notícia de que os shows seriam cancelados. O motivo: o estabelecimento estava irregular para o seu funcionamento. Quinta-feira, dia 28. Anarkaos e Pato Rocco se reúnem para tratar do ocorrido. Não queriam deixar de tocar. No entanto, o que se ouvia era: “Formiga não tem nada. Que bom que agora vai ter os shows”. Pensaram então em outro lugar para a realização de suas apresentações. O único que veio à mente foi o Aqui Jazz. Infelizmente, não havia outro espaço com estrutura adequada para os dois shows. Tudo acertado. Mais divulgação. Agora, para informar a mudança de endereço das apresentações.



Para anunciar, os músicos fizeram flyers, usaram a internet e os jornais “O Pergaminho” e "Nova Imprensa" e colocaram um carro a rodar por ruas da cidade. A satisfação dos integrantes das bandas e do público era garantida. Na rua ou pela internet, a juventude formiguense dava sinal positivo de que prestigiaria os shows. Por incrível que pareça, Formiga tem um público grande de rock. Os jovens são fiéis, vão aos shows e apóiam os músicos. É bem mais prazeroso para as bandas tocarem no município do que em outras cidades e até mesmo em Belo Horizonte.



Chega então o tão esperado sábado, dia 30. Os músicos começam a trabalhar cedo. Carregam pesadas caixas de som, bateria, cabos e instrumentos. Vão ao Jazz e iniciam a montagem do palco, da bateria e da iluminação. Fazem a passagem de som e por volta das 18 horas são surpreendidos pela presença de policiais que anunciaram que não haveria mais shows. O motivo: o semelhante ao do estabelecimento anterior. Porém, a casa agora tinha saída de emergência, extintores, tudo como é exigido por lei. O que faltava: apenas um documento expedido pela Prefeitura Municipal.



Começa aí uma correria contra o tempo para solucionar o problema. A única saída era conversar com o prefeito. Aluísio, que participava de festas juninas na cidade, recebeu um dos integrantes da banda muito educadamente. Tentou resolver a questão, ligando para sua funcionária Vera Lúcia Moreira, da Defesa Civil. A informação que obteve era de que não poderia haver os shows porque a Polícia Militar de Formiga não permitiria, devido à falta do documento.



O jeito então era ir atrás da PM. Mobilizadas e acreditando que o problema se resolveria somente na polícia, amigas das bandas tentaram ajudar. Uma delas liga para o presidente da Câmara, Piruca, e para o vereador José Geraldo da Cunha, que foi militar e é mais conhecido por Cabo Cunha. Queriam a ajuda dos dois vereadores, principalmente do ex-militar Cabo Cunha, para a liberação dos shows.



Mas o problema não estava na PM. Cordial e muito gentil, tenente Arakén recebeu um dos músicos, o proprietário do Aqui Jazz e as duas amigas das bandas. Durante uma conversa que não durou nem 30 minutos, ele disse que a polícia já havia sido acionada pela tal funcionária da Prefeitura para que impedisse o evento. Explicou perfeitamente que a culpa não era da PM, que nem passaria pelo estabelecimento se não fosse acionada. “Se ela ligar aqui pedindo para que a gente não passe lá, nós não passamos. Agora, se acionar, aí somos obrigados a ir”, disse.



O tempo era curto demais, cada minuto era precioso para os músicos. Foi então que voltam a procurar o prefeito. Aluísio fez uma força danada para ajudar, tentou de todas as formas, mas não teve pulso, autoridade, voz com a tal funcionária. Deixou que a vontade dela sobressaísse.



Os vereadores também tentaram, mas sem sucesso. A secretária de Cultura, Maria Andrada, também foi comunicada e tentou ajudar, mas nada adiantou.



O público mais fiel das bandas chegou e foi informado de que não haveria mais os shows. Revoltados, começaram a gritar e a culpar a Prefeitura, principalmente a tal funcionária. Foram mais de 150 ingressos vendidos antecipadamente. Os músicos perderam dinheiro com a divulgação e com a impressão dos flyers e dos ingressos. Tudo estava pronto para a noite que os jovens formiguenses esperavam, mas tanto eles quanto os integrantes das bandas foram avisados de última hora que não haveria as apresentações.



Representantes da Prefeitura, principalmente a tal funcionária Vera, nem imaginam o desgaste físico e emocional que causaram. Além de “A vontade é de sumir dessa cidade”, ouvi muito: “Ê saudade do Ninico!”. Não me lembro da gestão de Ninico (até porque era criança na época em que ele foi prefeito), mas pelo que ouvi falar é que Ninico sabia ser chefe, tinha pulso, voz, sabia mandar e conduzir a cidade.



Frustrados, os músicos devolveram o dinheiro dos ingressos para as pessoas que chegavam cheias de expectativas para os shows. Desmontaram seus instrumentos e voltaram tristes para suas casas. A noite seria única, de alegria, seria até de comemoração para uma das bandas, a Anarkaos. Ela mais uma vez conseguiu ter destaque na mídia. Foi entrevistada por Rodrigo James, um dos produtores da “TV Rede Minas”.



O que aconteceu sábado foi uma falta de respeito com os músicos e com os jovens que tiveram a boa vontade de ir até a Laser Shop comprar o ingresso antecipado para prestigiarem os shows. Faltou humanidade de certas pessoas e reconhecimento por tantos anos dedicados à música. Com certeza, isso ficará marcado na carreira das FORMIGUENSES Anarkaos e Pato Rocco.







Jesus and Mary Chain

Comentários (12)

jukhouri
1. jukhouri 2/07/2007 - 08h47m

Jucielle, dá pra reviver todos os momentos de sábado com sua narrativa. Foi exatamente assim... frustrante, desgastante, cansativo... muito triste...
sem mais o que comentar...
Ju, adoro-te... bjos

2. Flávia 2/07/2007 - 09h19m

Sem comentários, minha opinião todo mundo sabe.
MKV

3. Flávia 2/07/2007 - 09h20m

P.S.: Aê, colocou o NI tb =P

4. B. 2/07/2007 - 10h24m

Não vou ler, não quero reviver isso!!
trabalhamos de 14o às 20:00h. montando palco, luz e som....

veniceking
5. veniceking 2/07/2007 - 10h31m

Engraçado né, pra prestigiar o FEC todo mundo dá todo apoio, agora para levar o nome de uma banda que tem potencial pra ser reconhecida nacionalmente ninguem faz nada....
so espero que no verso "ando pelas ruas dessa cidade estupida" eles tenham se referido a formiga.

jukhouri
6. jukhouri 2/07/2007 - 10h38m

nooooooooooo... tem mto sentido...
muito legal essa observação!

maritheusaeverde
7. maritheusaeverde 2/07/2007 - 10h59m

o texto ficou ótimo... seria melhor se o assunto não fosse tão tragico...

hellishwill
8. hellishwill 2/07/2007 - 12h18m

A CULPA NÃO É DA VERA!!!! É DA INCOMPETÊNCIA DO XARUTO!!!!
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MKX
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vicenteneto1989
9. vicenteneto1989 2/07/2007 - 13h31m

Sem contar que foi uma tremenda ***** com todos...
Com integrantes da banda que deixaram de fazer coisas pra passar o som e montar palco e tudo o mais...
Com as pessoas que criaram expectativas...
Foi vergonhoso.
O texto ficou ótimo Jú.

vicenteneto1989
10. vicenteneto1989 2/07/2007 - 13h32m

Estou pensando em fazer uma carta assinada apenas com as minhas iniciais e mandar pra ela pedindo uma explicação cabível para o fato ocorrido...
Uma explicação pública, no Pergaminho...
O q vcs acham???

11. Wender Salviano 2/07/2007 - 16h22m

Acontecimentos assim... me faz não querer voltar em Formiga nem pra passear.
De quem será tamanha incompetência?Era só fazer o negócio conforme a lei. É triste!!!

12. jusmith 2/07/2007 - 18h24m

Tanto Vera quanto Xaruto foram incompetentes...ontem mesmo fiquei sabendo de uma sujeira dessa mulher...a sorte dela é que teve uma lei para protegê-la, para deixá-la como a "certa" na história.

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