11/10/07 - 12h:25mDenunciar

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ao som de "The end of the world", do Cure...



...e aproveitando o horário de almoço para ler as pérolas do geminiano espanhol Frederico Garcia Lorca...





"Não se pode negar a Garcia Lorca o papel de um dos mais representativos poetas espanhóis das três primeiras décadas de nosso século, com expressiva repercussão até os dias atuais. Inegavelmente foi aquele que conseguiu alcançar os patamares da fama e despertar maior entusiasmo dentre todos entre os de sua geração.

Na poesia lorquiana aliam-se, de maneira maravilhosa, todos os elementos da poesia e da alma espanhola. É o poeta da imagem plena de louçania e de originalidade, da sugestão, do verso musical e cheio de luzes interiores que brota com espontaneidade de seu coração..."



Apresentação por Ático Vilas-Boas da Mota.







AR DE NOTURNO



Tenho muito medo

das folhas mortas,

medo dos prados

cheios de orvalho.

eu vou dormir;

se não me despertas,

deixarei a teu lado meu coração frio.



O que é isso que soa

bem longe?

Amor. O vento nas vidraças,

amor meu!



Pus em ti colares

com gemas de aurora.

Por que me abandonas

neste caminho?

Se vais muito longe,

meu pássaro chora

e a verde vinha

não dará seu vinho.



O que é isso que soa

bem longe?

Amor. O vento nas vidraças,

amor meu!



Nunca saberás,

esfinge de neve,

o muito que eu

haveria de te querer

essas madrugadas

quando chove

e no ramo seco

se desfaz o ninho.



O que é isso que soa

bem longe?

Amor. O vento nas vidraças,

amor meu!

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