30/10/07 - 23h:19mDenunciar

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Essas pessoas são especiais demais...foto registrada no feriado do dia 12, na laje da casa da Adelaide. Interessante, há muito tempo não nos reuníamos na casa dela e no feriado apareceu todo mundo, do nada...rsrs. A minha vida corrida às vezes me deixa distante das pessoas que eu gosto, mas no pensamento elas sempre estão presentes. Inclusive, não me esqueci que o aniversário da Adelaide é sábado, dia 03. Faço questão de ir até a sua casa parabenizá-la. Como já disse o namorado dela, Maurício: é a garota papo firme que o Roberto falou...rsrs.



Foi uma noite muito bacana, que deu para matar a saudade e conversar...foi uma noite de churrasco, Cure, risadas de Vinícius com historinhas de Massacration e discussões filosóficas, como sempre. Falamos sobre o Tolstoi. Tinha lido naquele dia "A morte de Ivan Ilitich", uma de suas últimas obras.



Tolstoi foi um homem interessante, um profundo pensador social e moral. Um religioso que tinha idéias anarquistas...participou da Guerra da Criméia e depois que presenciou uma execução em praça pública, feita pelo Estado, passou a rejeitar toda forma de governo e poder. É por isso que ele era considerado anarquista, mas não gostava de ser chamado assim. Associava o nome à violência.





"A morte de Ivan Ilitich" conta a agonia de um juiz ao saber que está com uma doença incurável e próximo da morte, ou seja, o destino de cada um de nós. Ivan Ilitch, um burocrata russo, frio e acima de tudo banal, subitamente vê-se doente, sente dores cada vez mais fortes, incontroláveis, angustiantes e a certeza de estar cada vez mais próximo da morte.

O modo como Ivan Ilitch se aproxima da morte é o resultado de uma vida sem vida, a morte é o abismo negro para o qual todos caminhamos com ou sem consciência, e ela se abre diante do personagem, que começa a perceber a futilidade de sua existência, a falsidade nas conquistas.



Então começa uma crítica à sociedade pela sua hipocrisia, o egoísmo humano e a banalidade de nossas vidas. Aos que se julgam doutores e têm um ar que sabem tudo, quando na verdade não sabem nada.



Começa então afundar em sofrimento, medo, angústia, desespero, pânico, seu ódio é contra os outros e contra si mesmo, pois ele percebe que falta pouco para se perder no nada. Mas uma hora antes de sua morte, o seu ódio desaparece, seu filho, que entrou silenciosamente no quarto, segurou suas mãos e apertou-as.



Nesse momento, Ivan Ilitch encontra a luz, percebe que sua vida não foi o que deveria ter sido, que todas as suas conquistas não tinham a real importância que ele as dava, que todos os que estavam ao seu lado sofriam com sua doença.



A conclusão que se tira do livro é que devemos abrir nossa vida para o fim, pois a partir deste novo fim recriamos a vida toda, descobrimos e conferimos um sentido até mesmo àquilo que não tinha sentido. Só assim daremos um maior sentido para as pequenas coisas que acontecem com cada um de nós todos os dias de nossas vidas.



E é por isso que dou valor aos encontros com meu pai ou minha mãe, na esquina de casa, sempre às 23 horas, esperando-me chegar da faculdade...esse cuidado e essas pequenas coisas um dia terão seu fim.

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