07/01/08 - 11h:04mDenunciar

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Will e Ian...depois de ouvir no sábado Stray Cats, Beatles, Elvis, Roberto Carlos (demais) e várias outras pérolas do rock 50, 60, 70 e até 80, o domingo foi de Echo the Bunnymen...o disco "Sibéria" é uma delícia.



The Planctons foi sucesso no sábado...rsrs. As quedas de energia no início do show não foram problemas para o final feliz dos rapazes rockabillys. O show foi longo e o público dançou, cantou e se divertiu...no final, ouvia-se: mais um, mais um...o comentário geral: é preciso repetir a dose.



Aí segue um texto enviado na sexta pelo amigo Gilcevi...foi escrito pelo jornalista Thiago Pereira.



NÃO SE USA UM SANTO NOME EM VÃO. Principalmente se este nome for o de Lou Reed, poeta e músico norte-americano. Se Andy Warhol era o papa da pop art, Lou sempre foi o padrinho das sarjetas, e suas respeitosas pelancas de hoje em dia não fazem sombra a um passado que incluiu matrimônio com um travesti, odes à heroína e “o mais triste álbum já gravado” (as aspas são de Thurston Moore, do Sonic Youth), “Berlin”. É desta obra-prima de 73 que quatro músicos mineiros “roubaram” o nome de batismo (da tristíssima canção “Caroline Says”) e tomaram emprestado alguma orientação estética e o gosto pelo (dês) gosto amargo --- take a walk on the wild side. Que esse lado selvagem está logo aqui --- nos anéis rodoviários, nas esquinas sem sócios e na penumbra dos prédios antigos e hotéis decadentes, poucos percebem.



O Carolina Diz não só percebe como faz disto acusações apaixonadas, carícias sobre as feridas, coceiras existenciais, mixando o lirismo de Drummond, Manoel Bandeira, Rimbaud e outras penas mais marginais com guitarras- baixo-vocais-baterias tocadas com raça e urgência incomuns aos dias de hoje. “Se Perder”, o primeiro trabalho lançado em 2004, além de uma declaração de intenções, trazia algumas das melhores canções do pop nacional recente, como “Lady Velvet”, “SuperJoe” e “Carolina Suja”. E uma canção mestra, “Sobras”, que confirmava o baterista César Gilcevi como o melhor letrista do país atualmente- de seus textos nada se desperdiça, nenhum verso se joga fora, todos os pontos se fazem necessários. Como num rascunho de Dylan, tudo se aproveita. Habemus poeta, já era hora dessa geração ter esse registro.



E agora eles desnudam sua maior musa em quatorze canções/polaróides, acentuadas pela linda arte do CD. Humberto, Fernando, Denis e César fizeram de “Crônicas Do Amanhecer” um álbum que contêm tempo e espaço: Belo Horizonte, novo século.



CANÇÕES PARA ANIMAIS MODERNOS. SEJA BEM VINDO. Existe um quarto em um certo “Hotel Esplendor”, onde paredes riem da sua solidão. Se apaixone por “Mariana”, musa cotidiana nascida há vinte e cinco natais que ganha como ode uma canção pop perfeita --- destaque para o solo de Fernando Prates, guitarrista que prova o tempo todo que menos é mais. Chore por “Letícia”, declamada pelo baterista e que reprisa um golpe certeiro eternizado por Dylan em “The Lonesome Death Of Hattie Carrol” e Chico Buarque em “Construção”: transpor emoção e pesar no que era antes uma congelada notícia de jornal. Se descubra como “O Migrante”, mais um bêbado imaculado que espera algum lugar para chamar de lar. Quando alcançar os mais de oito épicos minutos da “Balada De Mateus E Renata”, terá a certeza que esta é, de alguma forma, a sua balada também.



A sonoridade “pop suja” destilada no primeiro trabalho volta ainda melhor: seja a balança pendendo mais para o pop (como na tenra “Chinelos No Corredor” e na apaixonada “O Que Me Faz Cantar”) seja pendendo para faiscantes pancadas- Greg Dulli do Afghan Whigs encararia um dueto/duelo com Humberto em “A Mesma Cruz”, além da atual, atualíssima “Em Qualquer Lugar”, cuja primeira estrofe é quase o reverso de uma tal tropa de elite (“Os ladrões te roubam/ Mas a polícia te mata”).



E talvez as estrofes mais belas dessas crônicas sejam aquelas que soam ao mesmo tempo inéditas e atemporais. “BH Blues” é a impressionante coda de um cidade que gira em torno do mitológico Edifício Maletta, com destaque para os vocais de Humberto e a ambiência conseguida pelo produtor Fabrício Galvani. “Esperando por Mim” concorre ao posto de melhor performance do grupo em CD- o baixo pesado de Dennis Martins fazendo cama para o Carolina Diz sintetizar suas maiores qualidades em uma canção. Uma puta letra, um puta refrão e uma parede de guitarras que lâmina nenhuma perfura. “Canção Para Animais Modernos” carrega consigo o spleen eletrônico do Paralaxe, banda parceira na cena mineira, com direito a participação do vocalista Fred HC e do guitarrista Rafael Carneiro e riffs de guitarra convivendo com programações. “Só Me Filio a Raça Humana Nas Contas a Pagar”, garante a banda em uma das melhores canções do CD. Eu, que não sou nenhum chato clubber estilizado, nem um rebelde bem nutrido, atesto outra coisa: filio-me a estas “Crônicas Do Amanhecer” como um personagem não creditado, como um leitor atento, como um espectador que encontra a alvorada munido da trilha ideal. Que venha o próximo amanhecer e que ele continue, poeticamente, sendo mais noite que a noite.





THIAGO PEREIRA

PROGRAMA ALTO-FALANTE



Echo the Bunnymen

Comentários (2)

1. soraggi 7/01/2008 - 17h51m

cartas pra ninguém: Plagiando Machadão: Mulher é tão bom, que a vaidade lhe cai bem e alguns defeitos não lhe caem mal. Até das mais insignificantes há sempre algo a extrair.

2. Rosa 8/01/2008 - 08h26m

Esse soraggi tem ciência heim!!!!!

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