29/01/08 - 23h:46mDenunciar

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Sábado à noite fui ao show da banda formiguense "Defuser"...adorei. Foi um show de garagem, com aparelhos de sons improvisados e um repertório ótimo. A banda fez versões bacanas de canções rocks e deu para sacar que tem muita influência punk (acho que é por causa do batera Losh). Festa simples, muito melhor e mais original do que qualquer "axé life".



Aí vai um texto que fiz hoje e uma música dos Titãs que eu acho do caralho. A Defuser a tocou muito bem...





‘Não tá com nada’



Uma simples afirmação me fez sentir hoje vontade de produzir esse texto. Tudo começa com um diálogo entre eu e minha mãe e que deu brecha para comparações, reflexões e descrenças. Era por volta das 11 horas. Havia acabado de lavar a garagem de casa. Estava no quarto me preparando para um banho para meio-dia ir trabalhar. Minha mãe chega à porta do meu quarto e diz: “Ju, a máquina parou de funcionar. O que eu faço?”. Dona Cleuza, que há duas semanas passou por duas cirurgias complicadas e ainda está fraca, preparava sua nova máquina de lavar roupas (recentemente, ganhou de presente o aparelho dos meus dois irmãos e de suas esposas).



Respondi: “Não sei mãe. Você ligou a máquina antes de colocar as roupas sujas e o sabão em pó?”. Ela respondeu: “foi”. Então, fui conferir e ela disparou: “ah, não. Essas coisas modernas de hoje, não gosto de nada moderno. Não tá com nada. Isso é luxo, é para quem é rico e não quer saber de fazer nada.”



Lavar roupa na máquina nova é moleza, mas minha mãe ainda não se adaptou com o aparelho doméstico e acrescentou: “Quer saber, vou lavar roupa é no meu tanquinho e na mão mesmo. Essa máquina só serve para desperdiçar sabão em pó.”



Não me hesitei em concordar: “É mãe, mas não é só a máquina, as pessoas modernas também não estão com nada.” Foi então que comecei a pensar. Tudo que é moderno é descartável. Se uma máquina de lavar roupas pode estragar fácil e é descartável, assim é o ser humano. As pessoas modernas, viajadas, “conhecedoras de tudo”, que buscam o “diferente” e “aparentemente” são mais interessantes são descartáveis também e, infelizmente, rejeitam fácil às outras (às vezes por acharem que são melhores e que estão acima da média). Não verdade, não passa de uma pessoa fraca e covarde. O ser humano pode ser comparado a uma máquina de lavar: bonito, ágil, clean, soft, porém, perecível e descartável. “Não tá com nada”.



Há um filósofo chamado Gilles Lipovetsky que analisa a sociedade pós-moderna, marcada, segundo ele, pela perda de sentido das questões morais, sociais e políticas e por uma cultura aberta que caracteriza o “cool” das relações humanas. Há dois livros dele que os títulos já dizem tudo: “A era do vazio” e “A sociedade da decepção”. O filósofo fala muito do narcisismo, do luxo, da moda, das novas relações sociais caracterizadas pela indiferença e pela substituição do princípio da sedução ao da convicção, do interesse e da conveniência (nossa, é o que mais se vê).

Infelizmente, hoje, se você ficar fora dessa modernidade, desse sistema novo, dessa evolução, ou melhor, involução, dessa individualidade, frieza com o próximo (típico de cidadãozinho urbano, descolado e moderno – os ‘não tá com nada’), você está fudido.







Titãs - Será Que é Isso O Que Eu Necessito?





Quem é que precisa tomar cuidado com o que diz?

Quem é que precisa tomar cuidado com o que faz?



Será que é isso o que eu necessito?

Será que é isso o que eu necessito?



Ninguém fez nada, ninguém tem culpa.

Ninguém fez nada de mais, filha da puta!



Quem aqui não tem medo de passar o ridículo?

Quem aqui, como eu tem a idade de Cristo quando morreu?





Quem é que se importa com o que os outros vão dizer?

Quem é que se importa com o que os outros vão pensar?



Será que é isso o que eu necessito?

Será que é isso o que eu necessito?



Não sei o que você quer, nem do que você gosta.

Não sei qual é o problema seu bosta!



Quem aqui não tem medo de se achar ridículo?

Quem aqui, como eu tem a idade de Cristo quando morreu?







Titãs

Comentários (2)

1. B. 30/01/2008 - 08h47m

Ju, isto aqui é a máxima da modernidade!
Desce a barra de rolagem e leia o que está no rodapé.

2. soraggi 30/01/2008 - 11h00m

cartas pra ninguém: Bebo; logo existo.

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