07/02/08 - 22h:51mDenunciar

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olha o meu bebê aí...



Fiz na semana passada uma crônica e resolvi postá-la hoje...



Brasileiro ou estrangeiro?



Para quem gosta de escrever, nada melhor do que relatar as situações cotidianas. O dia-a-dia inspira (por mais descrente que a gente esteja) e faz pensar. É por isso que gosto do novo jornalismo e aprecio cada vez mais as canções de Renato Russo (nesse momento são 22h56 do dia 1o de fevereiro e ouço “O Descobrimento do Brasil” – coincidência, vou falar justamente sobre Brasil no texto). Acredito muito que o Renato usava, por meio da música, o cotidiano para escrever e informar as pessoas, assim como o jornalismo trabalha.

Mas o que vou contar aqui me fez rir hoje. Era por volta das 14 horas. O meu chefe me manda ir à Rua Padre Teodoro, no Rosa Mística (bairro pobre, com ruas tomadas por buracos. Estava difícil transitar por lá). A pauta: havia um depósito de pneus em um terreno vazio da rua.

Percorri o bairro à procura da Padre Teodoro e um garoto chamado Jonnhy me indicou onde ela ficava. Fui conferir a pauta. Na verdade, não só pneus, mas roupas, restos de comida, fotos e animais mortos. Tudo isso foi jogado no terreno pelos próprios moradores do bairro. Registrei várias fotos (fiz de tudo para enquadrar o lixão e a rua na máquina – é uma forma de situar o leitor).

Foi hora então de ir atrás de moradores da Padre Teodoro para entrevistas. Cheguei a uma casa (nem frente bonita tinha. A entrada principal é o terreiro). Um sol quente e uma garotinha, de aproximadamente 12 anos, estava lavando pratos na bacia de lavar roupas. Perguntei: “Oi, sua mãe está?”.

Ela: “Não, eu não moro aqui. Essa casa é da minha tia.”

Eu: “A sua tia está?”

Ela: “Não. Foi trabalhar, estou aqui cuidando dos filhos dela.”

Nesse momento, apareceu na porta da cozinha um garotinho moreninho, de cabelo preto e liso. Deveria ter 3 anos.

Eu continuei: “Ei lindo, como você se chama?”

Ele não respondeu, mas a garota apressada foi dizendo: Richard. Perguntei se ele queria um pirulito (havia comprado minutos antes na Sorveteria do François). Richard não respondeu. Fui então ao carro, peguei o doce e o entreguei.

Como não é certo entrevistar crianças, só perguntei a garota como ela se chamava. E ela: Jennifer. Agradeci pela atenção e fui embora rindo.

Fiquei pensando: os pobres colocam nomes estrangeiros (Jeniffer, Jonnhy, Richard) em seus filhos e os ricos nomes comuns do Brasil (Joaquim, José, João, Pedro).

Será por quê? Será que Pedro, João para os pobres são nomes feios e para os ricos são bonitos? Será que Richard é mais chique, diferente? Às vezes chego a achar que nós brasileiros temos baixa auto-estima em relação aos estrangeiros.

Coincidência ou não, nesse mesmo dia recebi um e-mail da minha cunhada Vânia relatando justamente essa nossa mania de idolatrar os outros países. Não sabia, mas há em Londres um lugar famosíssimo que vende batata-frita embrulhada em papel jornal; nos EUA e na Europa ninguém tem o hábito de enrolar sanduíche em guardanapo e de lavar as mãos antes de comer; nas padarias e açougues os atendentes recebem o dinheiro e com a mesma mão suja entrega pão e carne; franceses tomam banho uma vez por semana (enquanto nós brasileiros chegamos a tomar dois por dia); em Paris, os garçons são conhecidos por seu mau humor e grosseria que qualquer garçom de botequim no Brasil poderia dar aulas de como conquistar o cliente; o mercado editorial de livros brasileiro é o maior do que o da Itália, além de outros.

Tudo bem, o Brasil é uma mistura de raças – essa frase já virou clichê. Mas por que não honramos a nossa nacionalidade e termos nomes e sobrenomes comuns do Brasil?

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