13/02/08 - 11h:33mDenunciar

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segue abaixo mais uma crônica feita nesta semana...essa vai para o livro do Manoel.





‘O azar do rock’



Ultimamente, o meu dia-a-dia está sendo fonte de inspiração. O que vou relatar aqui não foi um fato presenciado por mim, porém contado a mim, em uma mesa do Bar Kanecão. Para quem não conhece, Kanecão é um dos melhores botecos de Formiga, é o ponto de encontro de músicos, jornalistas, médicos, professores, carteiro e aposentados. Fica em um beco do Bairro Rosário, próximo ao Colégio Santa Teresinha.

A história foi relatada por volta das 21 horas de um sábado. Estava à mesa do bar junto aos integrantes da banda formiguense de rock Anarkaos – dois deles (Warlen e Wanderson/Branco) são meus irmãos. Os rapazes haviam terminado o tradicional ensaio de sábado e, como de costume, foram descansar no Kanecão.

Em meio a conversas e risadas, Branco, baixista do grupo, lembrou de um fato engraçado que ele e os guitarristas Warlen e Adriano passaram. Tudo ocorreu em uma sexta-feira de maio de 1999. Não sei se era uma Sexta-feira 13, mas os acontecimentos relatados a mim levariam a crer que sim. Parece que o azar do rock estava programado para aquele dia.

A Anarkaos havia marcado um show no antigo Bar Tijolinho, ponto de encontro de roqueiros e estudantes do Unifor. Como de praxe, os músicos precisavam montar e passar o som antes da apresentação e, como a banda não possui “roades” e profissionais afins, eles mesmos programaram o fim da tarde de sexta para fazer o serviço.

O grupo precisava levar os instrumentos para o bar. Na época, os músicos guardavam suas “ferramentas” em casa. Levar as aparelhagens ao Tijolinho não era problema: Branco, Warlen e Paulo tinham carros e poderiam carregar os instrumentos. Porém, Adriano, que morava longe do bar e próximo ao Terminal Rodoviário, não tinha veículo próprio e precisava da ajuda dos demais rapazes para levar sua guitarra e amplificador. Foi então que Branco resolveu buscá-lo em seu Fusca amarelo ovo caipira, juntamente com Warlen. Passou no posto Ouro Negro para abastecer e seguiu sentido ao Centro.

Os três rapazes na época estudavam – Branco cursava física, Warlen letras e Adriano turismo. Devido ao show, Branco e Warlen matariam aula, mas Adriano não podia. Tinha prova no Unifor. Ele entrou no Fusca com sua aparelhagem, já pronto para a passagem de som e a avaliação.

Os músicos partem ansiosos pelo show e pela noite de sexta que seria de diversão e rock. Ao chegar à Rua Marechal Deodoro, o Fusca amarelo apaga. Branco tenta dar partida, e nada. Estranho, ele havia acabado de abastecer o veículo. Desceram então para conferir motor e perceberam que o carro havia sido abastecido com álcool em vez de gasolina. As horas foram passando e eles, sem celulares, não sabiam o que fazer para chegar ao bar com a aparelhagem.

Por sorte, uma amiga chamada Eliana passou de carro (um Monza azul prateado) e viu a aflição dos rapazes. Parou e ofereceu carona. Aliviados, Branco, Warlen e Adriano largaram o Fusca na rua e seguiram com Eliana rumo ao Tijolinho. Mais à frente, quase no final da Marechal Deodoro, o carro da Eliana também apaga. Motivo: a gasolina havia acabado. Já era momento para desespero. As horas não paravam e a saída encontrada por eles era ir para um ponto de lotação com os instrumentos.

Adriano decidiu nem mais passar o som, não dava tempo, já estava atrasado para a prova no Unifor. A agonia foi crescendo e o ônibus não chegava. Depois de um bom tempo, os rapazes conseguem entrar no “lotação”. Branco, Warlen e Adriano passam a roleta. Era momento de pagar as passagens. Cadê o dinheiro? Tinham trocados para somente duas passagens. A Lei de Murphy estava realmente sendo cumprida naquele dia.

Mas nem tudo estava perdido. Dentro do ônibus estava Clairmen, muito conhecido pelos amigos como Parafuso. Morador do Souza e Silva, também era adorador de uma guitarra (foi fã da banda Engenheiros do Hawaii). Infelizmente, morreu em um acidente em 2006. Mas, voltando à história, Parafuso, vendo o desespero dos músicos, se ofereceu a pagar a terceira passagem e virou a salvação daquela corrida contra o tempo.

Ao chegarem a um ponto de ônibus da Avenida Brasil, que dá acesso ao Unifor, Branco, Warlen e Adriano atravessaram o asfalto e desceram correndo o morro da faculdade.

Adriano realmente chegou atrasado, mas conseguiu fazer a prova. Warlen e Branco, juntamente com Paulo, montaram a aparelhagem e terminaram o serviço minutos antes das 23 horas. O show começaria às 23h30. Apesar de todo o azar, Tijolinho ficou lotado e a noite foi só de alegria e muito rock and roll.



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