14/02/08 - 01h:30mDenunciar

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ao som de "Chinelos no corredor"...demais a letra.



Na foto: os amigos Fernando e César, da Carolina Diz, e os brothers Arlinho e Branco



Nesta sexta: show da Carolina Diz, no Matriz, em Belo Horizonte.





Segue abaixo mais uma crônica...





A crônica



O que é uma crônica? Qual a diferença dela dos demais textos jornalísticos? Terça-feira, 20h10. A professora doutora Filomena faz essas perguntas e manda o meu grupo (eu e a amiga piumhiense Karyne) ir à biblioteca procurar definição para a crônica. Pede ainda para folhearmos o Jornal “Estado de Minas” e levar para a sala de aula um exemplo de texto. Ela, que ministra a disciplina “jornalismo opinativo, interpretativo e investigativo”, dividiu a turma em vários grupos. Cada um ficou com um tema: “artigos”, “editorial”, “colunas”, “comentário” e outros. O meu grupo foi escolhido para estudar a “crônica”, justamente em um momento que estou me deliciando a escrever situações pitorescas do dia-a-dia.

Eu e Karyne fomos ao trabalho. Fui à última estante da Biblioteca. É lá que se encontram obras ligadas à língua portuguesa e à literatura. Um dos livros pesquisados dizia que a crônica situa-se entre o estilo jornalístico e o literário. Para escrevê-la, o autor tem como ponto de partida a observação direta dos fatos do cotidiano (isso é comigo mesmo, não sei se é um defeito de geminiana – sou observadora demais), mas não os retrata como uma simples reportagem jornalística e sim procura emocionar o leitor, levando-o a reflexão sobre os fatos.

A crônica também apresenta um narrador (que é o próprio autor), personagens que se aproximam das pessoas na vida real, enredo, tempo e espaço. Na maioria dos casos, todos esses elementos são trabalhados em uma linguagem poética. Muitos cronistas contemporâneos conseguem captar flashes, circunstâncias do cotidiano, de uma maneira tão lírica que fica difícil dizer que esses textos não assumem um caráter literário.

Para Fernando Sabino, crônica constitui de assuntos do dia-a-dia, o acidental captado quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou em um incidente doméstico.

Depois saber dessas definições, eu e Karyne fomos à procura de exemplos de crônicas para apresentar à turma e à professora. Repartimos as últimas edições do “Estado de Minas” e, ao folhear o jornal do dia 2 de fevereiro, deparo-me com a matéria de capa do “Caderno Cultura”: “O fim das ilusões”. A notícia trazia a divulgação do “Crônicas do Amanhecer”, novo álbum da banda belorizontina de rock Carolina Diz. Pensei: não é possível, eu tenho de fazer uma crônica falando da crônica.

Uma foto enorme dos amigos César Gilcevi, Humberto, Fernando e Dênis ilustrava a matéria de capa, que trazia ainda um quadro com crítica positiva do CD e a letra de “Hotel Esplendor”.

É, músicas também podem ser crônicas. Millôr Fernandes, um dos maiores cronistas do Brasil, afirma que a crônica é qualquer texto que retrata o cotidiano, seja ele conto, música ou qualquer outro. A Carolina Diz, ou melhor, o baterista César sabe muito bem descrever esse cotidiano (amores, desilusões, desgraças, saudades) em suas letras. Se fosse um jornalista, passaria isso por meio de textos jornalísticos, mas escolheu a música para informar e levar as pessoas à reflexão de fatos do dia-a-dia. Eu posso dizer que ele tem um talento similar ao do Renato Russo para compor. Eu posso garantir que ele é um cronista a cada amanhecer.





Chinelos no corredor



me basta o teu amor pra desejar ficar sozinho

me basta uma família pra me sentir entre inimigos

por isso, não quero ouvir chinelos no corredor

não tente me salvar, nem eu sei pra onde vou



você pode perceber: tudo se quebrou

o que eu penso, o que eu sinto não pode dizer quem sou

não sei que roupa escolher, não sei sentar à mesa

só sigo com firmeza a direção da incerteza



já tentei ser bondoso e fui traído com um beijo

já tentei ser sincero e paguei um alto preço

mas não serei vencido pelas piadas do destino

joguei os livros fora e me aposentei do suicídio



se você veio mudar o mundo

favor voltar amanhã



sei que a cada amanhecer, a cada esquina

o dinheiro dá ordens a tudo o que respira

mas talvez eu tenha algo mais valioso pra você

só o que não está à venda faz o coração bater



a inconsequência é dona da multidão que há em mim

já perdi tantos amigos, vi tantas vezes o fim

e os pecados que eu não cometi estão à minha espera

o caos é o que nos embala nas avenidas da terra



chinelos no corredor

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