15/02/08 - 08h:20mDenunciar

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Essa é Helena Maria Melo Faria...foi bom conhecê-la ontem.



Arroz, feijão e couve. Foi inevitável o choro de Helena Maria Melo Faria, 44 anos, ao contar que esse foi o cardápio que ela pôde oferecer ontem a seus filhos. A família dela era uma das 900 beneficiadas pelas cestas básicas distribuídas pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano. Há três meses, não recebe os alimentos.

Moradora da casa 498 da Rua Mizael José de Mendonça, na Lajinha, Helena é separada do marido e divide pequenos cômodos de quarto, sala e cozinha com seus três filhos, de 14, 15 e 18 anos. Classificou sua casa de “ranchinho” e reclamou das goteiras.

Helena está desempregada. Um atropelamento de moto sofrido há quatro meses a impede de fazer serviços pesados. “Não agüento a dor nas pernas.”

Os filhos também não têm emprego fixo. Só mesmo quando aparece um “bico” para eles ajudarem em casa. A família recebe um vale-gás no valor de R$ 15 e as cestas básicas. “Tem três meses que estou lutando para comer. Conto com a ajuda da associação de bairro, que me fornece um arroz e feijão. A comida está sendo feita no fogão a lenha, porque estou sem gás.”

Helena, que recebeu de forma simpática a reportagem de “O Pergaminho” em sua casa, afirmou que anda muito preocupada com a situação da família. Com lágrimas escorrendo pelo rosto, disse que um médico lhe garantiu que ela está com princípio de depressão.

Sobre o que vai comer amanhã, Helena pensou e disse: “Arroz, feijão e chuchu”.

Coincidentemente, esse seria também o cardápio do jantar de uma outra moradora da Lajinha. Claudinéia Mônica Pereira, de 33 anos, está na mesma situação de Helena. Separada, mãe de três filhos (6, 8 e 10 anos) e moradora da Rua Guanabara, ela não recebe as cestas básicas há três meses.

Não trabalha porque está com alergia nos braços causada por um “limpa-alumínio”, usado em tarefas domésticas. Ainda não paga aluguel, mas contou que a proprietária da casa já está cobrando pela moradia. A residência fica no final da Rua Guanabara, que está tomada de buracos.

O almoço de ontem da família de Claudinéia foi arroz e fígado. Para amanhã, ela não sabe o que será servido aos filhos. “Não faço nem idéia do que vamos comer.”

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