04/04/08 - 00h:07mDenunciar

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ao som de "real wild child"...adoro!!!!


Ontem, li um livro-reportagem muito interessante...a obra "Não reclamados: vidas esquecidas em um Instituto Médico Legal", publicada em 2003, é resultado de um trabalho de conclusão de curso de quatro jovens jornalistas, formados na PUC Minas. Os então estudantes fizeram reportagens investigativas, depois de visitarem o IML de Belo Horizonte. Contaram a história de quatro pessoas (Gasparina, Nivaldino, Gilvan e Antônio) a partir da morte deles. O interessante de tudo é que essas pessoas "esquecidas" no instituto vivaram personagens importantíssimas na construção das narrativas (dissertativa e descritiva). Tiveram suas vidas relatadas em um livro, que ganhou o Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo. Além de narrar a vida de cada um (Gasparina - alcóolatra, Nilvaldino - drogado, Gilvan - indigente, e Antônio - cachaceiro. Um detalhe: todos foram excluídos da sociedade), o livro traz denúncias de como o IML da capital é precário e nos permite uma reflexão de que lá é o único lugar onde rico, pobre, negro, mendigo, dividem, sem privilégios, o mesmo espaço, ou seja, a mesma geladeira. Os textos, no formato "Novo Jornalismo", nos leva a presenciar a vida de cada personagem. O IML de BH abriga mortos de várias partes do estado e até mesmo do país. O trabalho não impressiona os profissionais, que durante uma autópsia conversam sobre futebol, novela, comida e filmes do Corujão. Em um dos dias visitados pelos estudantes, a equipe trabalhava ao som de U2. Fiquei impressionada com a sensibilidade dos jornalistas em relatar cada caso, em buscar a história da Gasparina, natural de Araxá, que perdeu os pais aos 11 anos, se casou aos 17 e teve uma filha aos 18. Muito pobre, bebia pinga para esquecer das dificuldades da vida. Abandonou a filha e vivia de cidade em cidade. Ao mesmo tempo que namorava mendigos, namorava policiais...a filha Catarine sentia vontade de conhecer a mãe, chegava a sair pelas ruas de Araxá a procura dela (acreditava que se achasse uma mulher parecida com ela seria a Gasparina). Sem sucesso. A mãe foi encontrada morta na rua. Antes, vagava cheia de mágoas da vida. Chorava muito e sempre achava na bebida a fuga para seus vazios. Catarine foi conhecer Gasparina no IML. Por sorte, quis levá-la (muitos familiares não se importam e deixam o instituto enterrar os corpos como indigentes) para Araxá e fazer o seu velório. O jornalista foi até lá e conta no texto que quando a filha chegou perto do caixão a mulher fechou os olhos naturalmente. Finalmente descansou em paz. Essa é apenas uma das quatro histórias de vida. Achei demais esse trabalho de pesquisa


Iggy Pop

Comentários (2)

1. +Steph+ 06/04/2008 - 04h:32

Ju te adoro!

2. +Steph+ 06/04/2008 - 04h:37

Adivinha! Vai ter show do Iggy aqui em Junho! Show do ***** Pistols (nao estou mentindo), do The Killers e varios outros inacreditaveis! O show do The Cult foi fantastico, tocaram todos os sucessos e as novas, nossa fiquei em extase, fora q foi em um teatro muito antigo e lindo! Saudades viu, de vc e de todos, queria ter mais tempo pra te contar todas as novidades... Bjao! Mande lembrancas a todos por mim!!!!

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