16/04/08 - 01h:06mDenunciar

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ao som de "Lonely boy", dos Pistols...saudade de ouvir essa música.



Hoje à tarde li um artigo bacana do Frei Betto e, por coincidência, à noite discutimos o socialismo na sala-de-aula. Estou lendo o livro-reportagem "A Ilha", do jornalista mineiro Fernando Morais. É como se fose um diário. Morais registra e descreve cada passo dele na terra do Fidel. Começa a obra dizendo que foi recebido cordialmente por um cubano chamado Ricardo. Em pouco tempo de conversa, o jornalista ficou espantado com o nível de informação do jovem sobre o Brasil. Ele sabia detalhes do Tratado de Itaipu, os nomes e postos de todos os ministros brasileiros e comentava com naturalidade uma conversa do ex-presidente Geisel com atores, em Manaus. Interessante, o relato é parecido com o da professora-pós-doutora Filomena. Disse hoje que, ao chegar a Havana, pegou um taxi e, durante seu trajeto até um hotel, o motorista lhe contou toda a história de Cuba. Ela ficou impressionada e afirmou que ser taxista é como ser um professor de história no país. Tem o mesmo grau de conhecimento. Outra coisa: a fila em Cuba é única para todo mundo. Segundo o jornalista, esposas de autoridades enfretam a mesma fila que o povo cubano, ninguém tem preferência. Depois desta terça-feira, fiquei com vontade de conhecer Cuba.



Cuba - Socialismo: O nome político do amor



Frei Betto *



Por que o socialismo, em tese uma alternativa humanitária ao capitalismo, fracassou na Europa e na Ásia? O capitalismo teve a esperteza de, ao privatizar os bens materiais, socializar os bens simbólicos. De dentro do barraco de uma favela uma família miserável, desprovida de direitos básicos como alimentação, saúde e educação, pode sonhar com o universo onírico das telenovelas e ter fé de que, através da loteria, da sorte, da igreja que lhe promete prosperidade ou mesmo da contravenção, haverá de ter acesso aos bens supérfluos.

O socialismo cometeu o erro de, ao socializar os bens materiais, privatizar os simbólicos, e confundiu crítica construtiva com contra-revolução; cerceou a autonomia da sociedade civil ao atrelar ao partido os sindicatos e movimentos sociais; coibiu a criatividade artística com o realismo socialista; permitiu que a esfera de poder se transformasse numa casta de privilegiados distantes dos anseios populares; e cedeu ao paradoxo de conquistar grandes avanços na corrida espacial e não ser capaz de suprir devidamente o mercado varejista de gêneros de primeira necessidade.



Hoje, resta Cuba como exemplo de país socialista. Todos conhecemos os desafios que a Revolução enfrenta às vésperas de seu meio século de existência. Sabemos dos efeitos nefastos do bloqueio imposto pelo governo dos EUA e de como a queda do Muro de Berlim deteriorou a economia da Ilha.



Apesar de todas as dificuldades, nesses 49 anos a Revolução logrou assegurar a 11,2 milhões de habitantes os três direitos básicos: alimentação, saúde e educação. Elevou a auto-estima da cidadania cubana, que tão bem se expressa em suas vitórias nos campos da arte e do esporte, bem como na solidariedade internacional, através de milhares de profissionais cubanos das áreas da saúde e da educação presentes em mais de uma centena de países do mundo, em geral em regiões inóspitas marcadas pela pobreza e a miséria.



O socialismo cubano não tem o direito de fracassar! Se acontecer, não será apenas Cuba que, como símbolo, desaparecerá do mapa, como ocorreu à União Soviética. Será a confirmação da funesta previsão de Fukuyama, de que "a história acabou"; a esperança - uma virtude teologal para nós, cristãos - findou; a utopia morreu; e o capitalismo venceu, venceu para uns poucos - 20% da população mundial que usufrui de seus avanços - sobre uma montanha de cadáveres e vítimas.



Nós, amigos da Revolução cubana, não esperamos de Cuba grandes avanços tecnológicos e científicos, serviços turísticos de primeira linha, medalhas de ouro em disputas desportivas. Esperamos mais do que isso: a ação solidária de que falava Martí; a felicidade de um povo construída em base a valores éticos e espirituais; o princípio evangélico da partilha dos bens; a criação do homem e da mulher novos, como sonhava o Che, centrados na posse, não dos bens finitos, e sim dos bens infinitos, como generosidade, desapego, companheirismo, capacidade de fazer coincidir a felicidade pessoal com os sucessos comunitários.



Em resumo, almejamos que, em Cuba, o socialismo seja sempre sinônimo de amor, que significa entrega, compromisso, confiança, altruísmo, dedicação, fidelidade, alegria, felicidade. Pois o nome político do amor não é outro senão socialismo.







Sex Pistols

Comentários (2)

rednewvideomaker
1. rednewvideomaker 16/04/2008 - 09h:50

Muito bom o artigo. D+ mesmo! Me lembrou muitas aulas. E até mesmo fragmentos que me serviram de inspiração para compor "ALTA VOZ". No que refere ao fim da história. O topo. O capitalismo. Ou como dizia o mestre Catatau "Capetalismo". Hoje dia mundial da voz.

2. césar g. 18/04/2008 - 04h:18

aquela cuba do fernando morais já morreu depois do fim da união soviética, ju. quer conhecer a cuba do hoje, leia "trilogia suja de havana", de pedro juan gutierrez. retrato fiel e sem maquiagem da tual situação do país. os livros dele são contrabandeados no mercado negro de lá em edições espanholas e inglesas, já que mesmo sendo cubano ele não pode publicar nada na ilha, pois se atreve a falar da realidade. abração!

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